terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A ENTREVISTA COM CHICO XAVIER

......................Texto de Humberto de Campos- Espírito..............





PARTE I –


Chico, Emmanuel, Anchieta, Kardec

           Foi uma visita muito prazerosa que durou uma tarde inteira e boa parte da noite. Havia solicitado esse encontro nos meados deste ano, e fui surpreendido pelo chamamento, aproveitando a oportunidade de um raro momento de folga de nosso querido medianeiro.


          Quando cheguei, após rápido passeio por jardins majestáticos do caminho, pude, logo à entrada, perceber que era ali que ele ficava. O equilíbrio harmonioso e a forma simples de tudo o que estava em volta retratavam um pouco do ser extraordinário que conheci na bucólica Pedro Leopoldo, há mais de setenta anos.

         Ao pé de verdejante encosta, cercada por flores multicoloridas que dançavam ao embalo de leve brisa, uma casinha simples, de paredes brancas e duas janelas azuis, com pequenos nichos de folhagens, a pender graciosamente, compondo um belo modelo de paisagem. Na entrada uma varanda receptiva, com o chão brilhando em verde perolado, e alguns bancos, confortáveis, dispostos em meio círculo, convidavam ao descanso.

         Percebi logo que aquela era a chamada entrada comum, pois apesar da aparência contida, a casa possui muitos cômodos, e notava-se movimentação acentuada em seu interior. Ao me aproximar da soleira, surgiu a simpática figura de Dinorah, que me recebeu carinhosamente, anunciando que ele viria logo, e que eu deveria me assentar.

          Ainda resfolegava na emoção, quando ouvi seus passos. Era Chico Xavier, nosso querido Anjo Amor, que com aquele sorriso amigo e paternal, nos estendia um longo e generoso abraço.
         Depois que ele retornara ao mundo espiritual, há sete anos, era a segunda vez que nos encontrávamos, sendo que a anterior foi um contato muito rápido devido à multi-quilométrica fila de recepção. Nesse ínterim, porém, tivemos alguns encontros indiretos, através de relatos e notícias de amigos.

         O iluminado espírito demonstrava boa disposição, vivacidade, com uma calça de linho cinza-azulado, camisa branca com gola aberta, de onde pendiam do bolso, dois lápis. Trazia a expressão serena, e o sorriso de simpatia conhecido por todos.

         Como dois colegiais na volta de férias, no início da conversa misturamos perguntas e respostas simultâneas, de coisas e pessoas do trivial. Entusiasmado, o coração de ouro de tantos consolos e ensinamentos exultava com fartos adjetivos, à possibilidade em estar escrevendo para os povos orientais.

        - Meu irmão, - dizia ele, - tenho experimentado enorme emoção, ao penetrar cada vez mais em semelhanças e pontos convergentes entre grandes sábios das culturas orientais, antigos e contemporâneos, com os ensinamentos contidos nos sagrados Evangelhos de Jesus. 
         A magnanimidade do Criador soube distribuir a Verdade, em sua inteireza, a todos os filhos, em todos os cantos e em todas as culturas, facultando a cada um, por mais distante ou separado que esteja dos centros desenvolvidos, a possibilidade de se aperceber do rumo, do norte de seu processo evolutivo.  
        Através de emissários abnegados Deus envia, em cada rincão, para cada pontinho mais inexpressivo, a centelha que pode incendiar a luz do Amor e da Bondade em cada coração. - aduzia feliz.

        Durante alguns minutos ele falou dessas experiências, relatando visitas de evoluídos seres, que o assessoravam nestas novas caminhadas.

       - Mas, Chico, da última vez que me chegaram notícias suas, através do prof. Romanelli, as informações eram sobre os povos africanos...

         - Ah sim, foi no início deste ano, e ainda continuamos esse empenho, mas o que tem me ocupado mais o tempo agora é esse trabalho ligado, sobretudo aos islamitas e aos chineses. São culturas de uma profundidade e sabedoria formidáveis, que em muitos pontos parecem até ter dado origem aos ensinamentos de Jesus, pela beleza.
         Temos encontrado campo fértil em corações bondosos, e estamos lá empreendendo atividades mediúnicas de uma forma híbrida, aproveitando as bases da fé reinante, mas consoante aos padrões da Doutrina Espírita, e alguns resultados já se apresentam. 
          Claro, como em toda atividade que quebra ou altera estruturas, acontecem as reações, algumas até radicais, violentas....(suspira)... tem havido até mesmo algumas execuções, mas isso também é parte do processo...

          - É... - interrompi- nós temos notícias da violência, da discriminação, do sectarismo que cercam muitos seguidores e líderes fanáticos destas crenças...

           Antes que eu completasse minha opinião fui interrompido pelo interlocutor, com um carinhoso, mas eficaz, nocaute verbal:

          - E onde é que isso não existe, meu irmão? O ser humano ainda não se liberou de seu atavismo, de sua sede de posse territorial, e infelizmente a grande maioria ainda se pôe à porta, com a maça nas mãos, nas pré-históricas cavernas do sentimento, da fraternidade, da compreensão. 
          Vou te contar um caso, dos quais colhi detalhes há poucos dias: um dos maiores repositórios de revolta que os muçulmanos têm, se refere ao martírio cruel, ao assassinato coletivo de jovens, mulheres, crianças, cometidos nas Cruzadas Cristãs! Remontam aos martirizados nos terríveis episódios acontecidos por volta do Século XI. Já pensou que tragédia?! 
          Crimes horrorosos praticados com a espada nas mãos e a cruz de Cristo na outra! Para muitos, milhares, sobretudo fora da carne, a figura de uma cruz ainda simboliza o golpe da espada a fazer rolar, sanguinariamente, as cabeças de gente de seu povo... Deplorável!-

          Depois de retomar o fôlego, prossegue:
          - O sentimento de amor, sabemos, é uma energia extremamente poderosa, benfazeja, que precisa ser controlada, conduzida, pois temos ciência onde deságuam os curtos-circuitos das paixões e as conseqüências da sobrecarga que atende pelo pseudônimo de fanatismo. Infelizmente, meu amigo, creio que ainda falta muita estrada para caminhar até que alcancemos um patamar de reinado pleno, para a fraternidade pura. 

          E isso não é coisa de Idade Média, não. Acontece hoje, aqui e na crosta, onde as convicções pessoais de grupos, de congregações tentam se impor aos outros, a qualquer custo, com as mais “santificadas” explicações! E nós como espíritas detentores de um legado enorme de responsabilidade pelo esclarecimento da Humanidade, não podemos nos perder nessa trajetória, nem permitir que se troque a conquista de almas através do Evangelho Consolador pelas desarvoradas e até mesmo renhidas disputas de espaço e ocupação.                    Lembro a citação de Emmanuel, “Compreensão não se exige, se pratica”... -

         A entrada de uma simpática senhora, trazendo-nos um cheiroso café, foi o hiato oportuno para que eu pudesse recobrar-me daquela avalanche de informações que recebera, embalada em lição de caridade, ditadas pelo elevado anfitrião.


O CENTENÁRIO

         Meus pensamentos fervilhavam na absorção daquilo que ouvia, quando me aventurei a uma questão:

       - E aí Chico... E o nosso Emmanuel...?

       - Trabalhando... Trabalhando... - respondeu, com sinais de preocupação- tem se empenhado muito com nossos irmãos de Doutrina, exatamente para que abdiquem de algumas posturas diríamos, reacionárias, engessantes, porque isso o torna muito insatisfeito consigo mesmo...

       -Ué? Com ele próprio?

       -Sim... Porque dá a sensação de não ter cumprido bem a sua missão, ou que não conseguiu transmitir de modo a ser entendido, os ensinamentos que lhe passaram os responsáveis pela codificação...

        -Isso como Kardec?*

        -Sim, mas também como em sua performance recente como Emmanuel, o grande condutor da estrutura do espiritismo nascente, na qual também tenho sido usado. A Doutrina Codificada é um processo que tem suas fases continuadas. 
           Não é uma tarefa de empreitada onde selamos uma etiqueta de “finalizada, revista e corrigida”. Desdobra-se, e vai continuar assim, subindo degraus, dinamicamente, apesar de que alguns estão preferindo se assentar ou andar na horizontal, insistindo em não alçar planos mais altos...

          - Fale-me sobre isso, Caro Chico...

          - Não é nada muito novo, nem misterioso, e temos observado ao longo dos milênios essa resistência quanto ao partilhar coisas, conhecimentos, sentimentos. E aí é que está a principal questão: Quem conhece a Doutrina Espírita precisa praticar o novo, ser diferente, e na verdade, nada é novo, pois tem apenas (?) que imitar ou caminhar conforme Jesus caminhou!.... Entende?            Imagine que determinado benfeitor coloca para certa região um caminhão de toras, fortes, vigorosas, para que se erija naquela beira de rio uma ponte, em favor da travessia de todos. No entanto quando retorna percebe que, ao invés da ponte, construíram com o material uma grande cerca, uma fortaleza, isolando, separando... É mais ou menos nesse rumo. 
          Alguns companheiros, movimentados por ligações de recrudescidos egoísmos pretéritos, que imaginávamos superados, estão nessa linha. 
          Quem está fazendo isso tem a consciência do que está fazendo, e de que age contrário às leis de fraternidade e de amor cristãos, que são a essência, os fundamentos do espiritismo....

         -Entendi o que foi colocado... o raciocínio...

         -E nosso Emmanuel é muito suscetível a isso, e se cobra, o que o entristece. Outro dia ele estava comentando acerca de uma afirmação que está circulando em seu nome, e que nunca ele a faria. É sobre uma alteração de uma de suas frases, onde cometem a impropriedade de situar a Doutrina espírita como uma mendicante, carente, necessitada de ajuda. É aquela frase infantil... “ a maior caridade que fazem à doutrina... é a sua divulgação...” Ora, ora...                 Fazem uma grande caridade aos seres quando se lhes ensina a prática dos caminhos que o Cristianismo Redivivo trouxe, não essa veleidade que propagam. O pior é que tem muita gente “graúda” que sai repetindo isso, sem pensar na infantilidade que cometem...

           - É... a gente entende isso... É mais ou menos como aquela receita para emagrecer, feita em seu nome...

          -Sim... É mais ou menos (ri aliviadamente)... Só que você não sabe, mas tenho recebido orações de agradecimento, sinceras e fervorosas, de pessoas que, ingenuamente fizeram aquilo como se fosse eu o autor da “receita”, que efetivamente perderam bons quilos, e por isso me agradecem... 
         Tenho feito sempre as orações para que os que fizerem a dieta possam realmente emagrecer... (rindo de novo), e melhorar não só o corpo, mas também o coração. Até aí tudo bem, mas dizer que a Doutrina precisa de caridade... É como pedir nas orações que Deus tenha mais força... Mais ou menos por aí...

          -Chico... Aproximam-se as festividades do centenário... E aí?

          -Pois é... Existem alguns aspectos que devem ser considerados. O que o professor Romanelli disse e que você meu irmão ratificou naquela carta**, é uma verdade inexpungível. Ninguém, em sã consciência poderia concordar com os abusos anunciados, com o desperdício, com o desvio, principalmente numa época onde há miséria e sofrimento também material. Por efeito daquelas advertências tive notícias de que muitos planos foram revistos e reconduzidos.             Claro que outros preferem manter o exagero, mas que as próprias consciências os julguem, não nós. De outro lado, há uma gigantesca manifestação de apreço, de carinho, de amor verdadeiro e de imerecido reconhecimento a mim, aos quais não posso ficar insensível, e ao contrário, muito me tocam, me emocionam, me alegram, mesmo tendo a convicção de que não fiz o que apregoam que eu tenha feito, e que sei não dignificar tão elevadas homenagens. E todos conhecem minhas reações diante destas situações, que me constrangem, e não me permitem compartilhar dessa euforia que meus bondosos amigos desfrutam. 
        Entretanto podemos extrair disto muitos proveitos para a Doutrina, para as comunidades, para o despertar de interesse diante de obras maravilhosas das quais eu tive a incomensurável primazia em ser o burrico de carga, o agente de transporte. 
        Tenho rogado muito a Deus que nos auxilie nessa difícil prova, visto que não pretendemos ser instrumento de abuso, de desperdício, de exploração, de agressão à economia pública, portanto, bem comum, de todos. Mas também que isto não seja motivo de desagregação, de contendas, de desarmonia entre ninguém, predominantemente no nosso meio espírita, já tão assoberbado por tantas agressões externas.
        Peço a Jesus sempre, que inspire e oriente nossos irmãos que dirigem esses acontecimentos, para que tenham discernimento, moderação e, sobremaneira, caridade para com os que sofrem. - completou.

O APÓSTOLO DO BRASIL

        Percebi uma entonação de diferente teor nas palavras de Chico Xavier. Mas, este assunto, apesar de claramente incômodo, concernia, pois era um dos que me moveram até nosso querido amigo, visto a repercussão da “Lágrima do Chico”*. Pelas explicações nos sentimos satisfeitos, porém o sábio farol de Pedro Leopoldo/Uberaba prosseguiu:

       -Já tive, ainda recente, uma experiência semelhante a esta que estaremos enfrentando, e creio que os calos adquiridos nesta ocasião, me permitirão calçar melhor essa botina apertada...
       - Com as homenagens?


       - Sim...foi no ano de 1954, por ocasião das celebrações dos 400 anos do Centenário da cidade de São Paulo.... Coincidentemente estava na capital paulista, em trabalho editorial, no dia em que inauguraram a grande estátua de bronze, na Praça da Sé, para Anchieta. 
        Uma homenagem linda, de uma obra gigantesca, creio que de uns 8, 9 metros, feita por um extraordinário artista italiano radicado no Brasil, Heytor Usai. Um monumento maravilhoso, porém, no meu modo de entender, grande e desproporcional empenho de dinheiro público, já que ao pé da obra diversos irmãozinhos imploravam a esmola dos transeuntes...

         - Chico... Ali você se sentia constrangido, como José de Anchieta, então...


         - Sim, claro... Mas creio que foi uma prévia do que a gente vai enfrentar neste próximo ano... (espero que não)... como também rogo pela caridade do comedimento, a parcimônia e o controle por parte dos companheiros que organizarem, conduzirem e participarem.- afirmou.

ZÉFIRO...

        Meu raciocínio, de pronto, deduziu: Se Chico era Anchieta, Emmanuel por sua vez, tinha sido Manuel de Nóbrega e Kardec**, onde estaria então nosso iluminado amigo ao tempo da Codificação?

        Como a adivinhar-me os pensamentos, - o que, aliás, muito fez e faz- Chico pontificou:

        -Ao tempo da Codificação estava entre os espíritos que facilitavam à chegada dos que se manifestaram para a elaboração das obras básicas, tanto os luminares, os grandes filósofos e pensadores, como a dos mais simples e sofredores. 
         Durante um tempo, depois de passar pelos Estados Unidos, entre 1846/47, estivemos no acompanhamento das manifestações em Hydesville, com as irmãs Fox. Depois passamos pela Escócia, e nos detivemos por mais tempo na Ilha da Reunião, - uma possessão Francesa na Costa africana, banhada pelo Índico, na cidade de Saint Denis.
         Um de nossos amigos gostava de dizer que se havia necessidade de ser firme, aquela ilha era a ideal, pois era uma rocha que emergira do mar. Ali se desenhava todo o projeto que iria culminar com a Codificação.

         - Como foi o encontro com a família das meninas Baudin?


         - A família Baudin encontrei morando num bonito chalet na área onde está a Rue de Paris, quase esquina com Leclerc, em cujos fundos havia um grande galpão de depósito para sacas de café. Lembro-me um detalhe interessante... é que o número das casas era escrito em algarismos romanos, e por isso ocupava grande espaço na fachada. O da casa das meninas era CXLIV .

         - Que memória ...(brinquei)

         - Mas essa “peripécia mnemônica” (risos) tem uma razão. Numa revisita que fiz à casa, pelo registro da regressão, observei o detalhe das iniciais que ainda me são muito caras....( e prosseguiu) - Ali, nos meados de 1854 começamos os contatos com as meninas Baudin.

          - Como foram esses primeiros contatos?


          - Bem. Os fenômenos de Hydesville, com as irmãs Fox, dos quais nosso grupo também participou em 1846/47 eram a grande sensação em todo o mundo. As famílias enxergavam isso como um divertimento, e faziam encontros para receber as mensagens por diversas formas, como tiptologia, pancadas, e também pelas cestas de vime com uma pedra na ponta. 

           Naquela região onde moravam os Baudin, os povos malgaches – muito comuns na ilha, pois a maioria dos trabalhadores do porto era da continental ilha em frente -, tinham certos rituais com cera quente pingada na água, e faziam à sua maneira, a interpretação dos contatos com os espíritos. As irmãs Julie e Caroline eram muito interessadas nisso. 
           A casa em que moravam ficava a oito quadras da praia de Bacharois, em direção Oeste e elas iam sempre lá, pegar pedrinhas e algumas conchas. Perto da casa passava um canal onde havia pedras de ardósia, que serviam para escrever, como nosso atual giz. Lembra aquela pedra de costureira, semelhante a uma meia lua azul?... 
          Pela intuição fizemos com que Carol e Juliette começassem a usar as pedras de ardósia, que facilitavam e davam rapidez às respostas. O recado foi dado com setas de folhas de palmeira na praia, que se moviam sob os pedidos das infantes, quando elas perguntaram onde estariam as melhores ferramentas...

         - Era você e mais quantos, neste trabalho de preparação?

         - Bom, inicialmente eram muitos, mais de cem, mas, à medida que foram se afunilando as ações reduziu-se a turma para mais ou menos trinta indivíduos, que se revezavam em diversas funções, tanto no atendimento às perguntas, quanto na estruturação e vigilância do ambiente, já que as investidas contra essa propagação sempre foram muito vigorosas. 
          Na medida em que fomos dando certas respostas, o interesse de Clementine, primeiro, e depois de Emílio, - pais das meninas -, foi aumentando, porque passaram a perceber certos benefícios e profundidade naquelas conversas.

          - Quais eram esses benefícios?

          - Nada de muito especial. Eram pequenos avisos. Naquela região constantemente acontecem tempestades, ventanias, tufões, e às vezes avisávamos isto, com um ou dois dias de antecedência. O pai era negociante de grãos vindos da África e da Europa. 
          E ficava sabendo por nós, antecipadamente, quais os carregamentos estavam para chegar ao porto. Coisas assim, sem muita importância, mas de grande acerto e que de por isso impressionavam, criando um vínculo de credibilidade, o princípio da Fé.

         -Existe algum detalhe, alguma situação que ficou marcada... nesse tempo?

         -Bem... Não posso me esquecer da ajuda de uma senhora, uma moçambicana, professora avulsa, que havia morado em Antananarivo, em Madagascar, e que depois de viúva atravessou o canal, indo para Saint Denis.             Chamava-se Marie Lourence. Morava na Rue La Bourdennais, não muito longe da casa dos Baudin, e sempre dava aulas de reforço para as meninas, sobretudo para a mais velha, Caroline e passeava com a pequena no parque do rei, um aprazível lugar da cidade. 
         Foi-nos de grande utilidade, porque tinha consciência sobre sua capacidade de se comunicar com o mundo espiritual e um coração muito generoso. Era seguidora de uma seita induísta. 
         Foi ela, por freqüentar a casa dos Baudin e as reuniões, quem introduziu a meditação antes dos encontros e sessões para falar com as “rocs” como as meninas costumavam chamar as pedras de giz. Isso deu origem, em essência, à assinatura religiosa dos feitos, o que prosseguiu também em Paris, pois se percebia que os resultados eram muito melhores quando era adotado esse tratamento, da prece inicial. 
          Ali começou uma conotação Divina às manifestações, e foi importante essa atitude, que purificava de modo formidável o ambiente.

         - Mas isso ainda era lá em Ille Reunnion, perto das Ilhas Maurício...

         -Sim. Mas, o programa estava sendo executado conforme o previsto. Numa noite, em agosto de 1854, numa acanhada recepção, após um vendaval violento que deixou grandes estragos, fomos perguntados por Emílio se seria bom que eles se mudassem para Paris, tanto pelas tempestades, como principalmente pela educação e estudos das meninas.
         Pela primeira vez ali, usamos a psicofonia, servindo-se de Me’ Lor (Marie Lourence) como intermediária. Informei a Emílio que o tempo era adequado, e que na semana seguinte chegaria um navio da Holanda, no qual poderiam embarcar, e que, não se preocupassem, pois estaríamos de nosso modo, ajudando a essa transferência. 
          Foram recebidas com naturalidade, tanto a notícia quanto a forma de comunicação, pela família. Na semana seguinte, o navio nederlando Overwinning zarpou do pequeno porto com destino à Europa. 
          Assim se deu a chegada a Paris, marcada por curiosos e interessantes episódios, que ratificavam a nós também, o amparo pela Espiritualidade Superior, o que muito nos fortalecia. 
          Já em Paris, a família, sobretudo as meninas, continuavam com boa vontade no contato com os espíritos. As reuniões prosseguiam, já assumindo ares de organização e métodos, com certa disciplina. 
          Naquela altura já tinham entendido a importância e a seriedade do trabalho que viria a ser, em breve, encetado pelo professor Rivail, e deram uma grande contribuição, de bom grado e com abnegação, o que possibilitou o bom termo da empreitada. 
           Posso afiançar que eram virtuosas, de índole amável, tementes a Deus e excelentes médiuns. Não se pode esquecer que estávamos lidando com uma família católica, que permitia esse contato dos espíritos com suas filhas, que tinham em 1856, Caroline, 18 e Julie, 15 anos de idade!

          - E você então era um dos que participaram? Era você o Zéfiro apresentado a Kardec como o protetor?

          - Sim, o era, mas de certa forma. Porque em verdade, nessa altura éramos uma equipe de oito espíritos na atuação direta destes trabalhos. E existiam “zéfiros”, que se destinavam às áreas específicas, como ciência, filosofia, religião, ou mesmo conhecimentos direcionados, da área médica, neurológica, glandular, astronomia, filosofia, enfim.... Eu cuidava mais da parte de coordenação, e dos contatos com os religiosos, e isso me conferia uma espécie de comando... por isso era chamado de “Zéphyr Verité” ou o “da Verdade”.

           -Há alguma explicação para a adoção desse nome?

           -Bem, você sabe de mitologia como ninguém... Zéfiro é o nome do ser que simboliza o vento oeste, ou uma benéfica brisa suave... Éramos os espíritos, e o espírito, como o vento, sopra onde quer. 
           O clima entre nós geralmente era muito alegre, descontraído, diria, de essência pura, quase infantil, porque existia em cada um uma natural satisfação, por podermos revelar ao mundo as maravilhosas “novas boas novas”.... 
           E não faltavam muitas brincadeiras. Por isso a denominação.                             Participamos assim de toda a preparação e elaboração das Obras da Codificação. É bom salientar que no início o “Livro dos Espíritos” iria se chamar “A Religião dos Espíritos” e por sugestão de São Luiz passou a ter o nome definitivo, a fim de não provocar desnecessários choques com o padrão religioso vigente, com a Igreja.

         - Há pouco tempo o Dr. Waldo Vieira também se auto proclamou o Zéfiro. Como é isso?

         - E é verdade. A informação é correta. Ele era um dos que participavam do grupo desde o início. Como a inclinação e afinidades dele eram (e continuam sendo) o aspecto científico, a parte mais experimental, era o que conduzia e se entendia com os mensageiros ligados a essa parte na Revelação Espírita.
         Assim, Pascal, Mesmer, Lavater, Newton, e muitos outros eram direcionados por ele, aliás, grande amigo, por quem nutro grande simpatia e admiração, pela capacidade e generosidade. 
         Quando nos reencontramos, no triângulo, houve uma identificação recíproca, simultânea. Os outros companheiros também vieram para o Brasil, onde reencarnaram, com exceção de um que preferiu migrar para terras belgas.     
        Cada um tinha sua área definida de atuação. E claro, contávamos com uma estrutura espiritual, moral, de uma fortaleza, no anteparo, da envergadura daquele a quem chamaríamos Allan Kardec.

         - Conte um pouco desse encontro em Paris com seu antigo companheiro e superior jesuíta, Manoel da Nóbrega. Como foi?

         - Bem, as reuniões em Paris aconteciam regularmente e começou a aparecer por lá gente importante. Certa noite na casa da família Baudin, em 55, o professor compareceu com Mme. Rivail, a doce Gaby. Fiquei muito... muito feliz, e até cheguei a exagerar em meu entusiasmo. Saudei-o brincando, como fazia enquanto na Companhia de Jesus, no Brasil. 
          Fui, até de certo modo, irreverente.... Mas estava de verdade emocionado por esse recontato direto...

         - Como foi?

         - Eu o cumprimentei mais ou menos assim... - Ora Vivas!.. Seja bem vindo, meu nobre Pontífice... Salve, salve, salve!!!... E o pessoal que estava na assistência, em sala cheia, explodiu em risadas...

         - E ele?

         - Todos sabiam de seu temperamento grave, sistemático e houve aquela apreensão. Mas, ao contrário, a reação dele foi surpreendente a todos. Creio que intimamente identificou o chamamento, e respondeu também brincando, como se me abençoasse, com gestos e palavras, clericalmente, o que também produziu muitos risos. 
          E a partir dali nosso entendimento e amizade foram como nos velhos tempos. Sempre marcado pelo respeito e pela colaboração espontânea. Já disse e reitero: minha ligação com nosso Emmanuel se perde na poeira dos sóis... E sempre agradeço ao Pai por isso...

         - Houve algum perigo do Prof. Rivail não levar a cabo a missão a que estava destinado? E se ele tivesse se sucumbido e não conseguisse atender ao programa?

         - Sim. Havia o risco. Não era uma tarefa pronta, tinha que ser edificada. Como em toda postulação humana é preciso superar obstáculos, barreiras, medos e fraquezas. Mas todos nós confiávamos na capacidade daquele espírito já tão experimentado e com tantas conquistas. 
          Mas, creia, foi um trabalho que exigiu dele muito empenho, superação, determinação e, sobretudo Fé. Essa Fé foi alimentada pelo altruísmo, pela entrega total, pela autêntica vitória, que é a do indivíduo sobre si mesmo, encetada por nosso querido Codificador. 
         Ele, cuja meta sempre foi o Roteiro de Luz traçado pelo Divino Mestre, certamente superou todas as expectativas e cobriu todas as necessidades para trazer a lume o Cristianismo Revivescido, O Paráclito Consolador. Os desafios foram gigantescos, mas nós sabíamos que ele conseguiria romper do outro lado.     
        Se por quaisquer desventuras ele não tivesse conseguido levar a cabo essa missão que foi delegada por Jesus, não sei quem seria o substituto, e nem cogitei dessa hipótese, pois, tínhamos plena convicção de que ele o conseguiria.       
       Certamente a Providência Superior teria as maneiras de continuar o processo, que está acima, sempre, das falibilidades ou limitações dos indivíduos ou de grupos. Mas alimentamos a confiança em Deus e hoje vemos que o caminho trilhado só nos enche de alegria e felicidade, porque ele tem sabido desbravar, com sabedoria, e principalmente com Caridade, os revoltosos, íngremes e intrincados desfiladeiros da ignorância. Graças a Deus.
(Continua na Série II)

(Texto de Humberto de Campos- Espírito

         Recebido em reuniões reservadas, pelo médium Arael Magnus, no Celest- Castanheiras- Sabará, nos dias 7, 9, 10 , 11 e 13 de Dezembro de 2009)

• *A Lágrima de Chico-
ver em http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/2009/07/lagrima-de-chico.html



• ** Uma Grande Lição de Kardec –
ver em http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/2009/07/e-ele-esteve-entre-vos-e-nao-o.html


NA PRÓXIMA SÉRIE- II- Entrevista com Chico Xavier- (continuação)
- Os caminhos do Espiritismo Nascente
- A encarnação dos luminares no Brasil
- Os trabalhos em Pedro Leopoldo e Uberaba
- As reencarnações imaginadas, desejadas, e as reais.
- O trabalho de psicografia na consolidação doutrinária.
- O risco da discriminação e da diáspora espírita.
- “ Jesus não se intitula cristão!”
- As Psicografias Adulteradas por Chico Xavier, segundo ele.


*OBS- Devido à interpelação judicial por livraria espírita, ainda não nos foi liberado o direito de publicação das mensagens citadas, o que o será, quando a permissão for dada. (a direção)
         Para correspondência, contatos com Arael Magnus, use o e-mail fundoamor@gmail.com



      Assista clipes de 400 músicas mediúnicas das mais de 1700 recebidas por Arael Magnus em
 www.youtube.com/user/TVINTERMEDIUM/videos?view=0&shelf_id=1&sort=dd

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Poesia e a Prosa de Humberto de Campos - Espírito



Quatro Sonetos
de Cena Comum

Só semeou em vida oca, fulgurante
O orgulho, a ambição, e o desatino
Dizia-se o monitor de seu Destino
Seu argumento era duro, arrogante

Não se detinha a um ato caridoso
Pisava seco a cabeça de infelizes
Pelo ganhar superava meretrizes
Tonitruante se adornava, vaidoso

Maior se via imune, sem reproche
Não o tocava a mais pura verdade
Das leis do Céu ironia, e deboche

Nem mesmo o tempo, a realidade
Far-lhe-iam face na tola majestade.
Do mal era o criado, um fantoche

................

Incerto dia a morte leva-o dormindo
Hirto o pôe, bem diante de algozes
Entre monstros, vingativos, ferozes
Cobrando, em altos berros exigindo.

As agruras são agora bem terríveis
A colheita veio em farta quantidade
A dor, sem freio, atinge altos níveis
Ao seu redor só desperta piedade

Sozinho às feras enfrenta a procela
Estropiado no remorso, rastejante
Quedo, podre, estado humilhante

Sempre mais afundado na barrela
Chaga viva, horrorosa pustulência
Gerada de sua negra consciência

................

Grande sofrer deflagra imo inverno
Os grilhões ferreteantes insistentes
Uivos, gemidos, ranger de dentes
Escuridão, na borra fétida, inferno!

Fantasmas de origens umbralinas
Figuras torpes idéias deformadas
Escorrem pelas furnas enlamadas
A devorar esperanças pequeninas

Severo esgoto do juiz da imundícia
Depura erros, livrando-o da malícia
Em tempo lerdo, intenso sofrimento

Purgar de velha culpa, paga contas
A memória a lança eriça as pontas
Aumentando a prova, seu tormento
................

Mas eis que, um dia, entre luzes, vê
O anjo de bondade a revelar porquê
E abre o coração ao arrependimento
Encerrando tenébreo rito de tristeza

Conhece ali, plena, oração fortaleza
E envolto em paz, pulsante alegria
Transborda liberto, o ser em euforia
Sentindo bênção pura, ignota Beleza.

Em novo caminhar aponta para cima
Poder o Bem criar, causa que anima
Vergôntea, fruto novo nele então reluz

E pronto à jornada do refazer a alma
Escuta, comovido, a canção calma
Que fala as histórias de um tal Jesus.

Humberto de Campos – Espírito –
Recebida por Arael Magnus em sessão pública no Celest- em 8 de Dezembro de 2009- Castanheiras- Sabará- MG
.......................A PERDA DE UMA CHANCELA
.......Perturbadoras questões afligem a milhões nesse instante, acerca do futuro. A indefinição de horizontes, a incerteza sobre as conseqüências de atitudes destrutivas, e os descaminhos dos que preferiram criar atalhos diante de situações estabelecidas, são aspectos que colocam a Humanidade tal uma casca de noz, à deriva, em oceano revolto. Perigos rondam de todos os lados, com as ameaças acontecendo, repetitivas, partindo ou de nações em conflito, ou de desequilíbrios gerados pelo arrasador “modus vivendi” do homem sobre o planeta, na agressão descontrolada ao ambiente inteiro.


.......Aproveitam-se, - porque há oportunidade - os espertos, os dominadores, os fanatizantes para colocar todo um arsenal a serviço do pavor, do medo, do pânico. Há também (e crescem em quantidade e presença), aqueles que, irresponsavelmente, negam de forma peremptória todos os perigos e riscos iminentes, reais, possíveis, prementes. São os falsos pilares da segurança. As grossas e podres vigas de sustentação. Crêem estes últimos que Deus intercederá, caso preciso seja, a fim de salvar o planeta de uma derrocada, do cataclismo apocalíptico. Ambos os pólos estão cobertos de enganos, de erros, de perigosos e comprometedores equívocos. Conduzem os ingênuos e pacatos ao desespero ou à invigilância. Óbvio, responderão a seu tempo também por isso. É a lei,

.......Nesses seis bilhões de anos de existência, desde quando desgarrada de seu núcleo original, e começou a se compactar, passando de mera amálgama ígnea para bloco mineral, resfriando-se, solidificando-se, nunca o planeta Terra esteve tão ameaçado quanto agora. O risco de uma hecatombe global, capaz de eliminar toda a vida material deste nosso pequeno grão de areia cósmica, - abrigo eficiente para trilhões de seres de todas as espécies em sua marcha evolutiva - é muito grande, exige reflexão, por ser fator resultante, mero efeito de origens assaz conhecidas.

.......E é nesse ponto que se torna necessária uma atitude realista, sincera, inteligente e acima de tudo, protetora para com todos os seres que aqui habitam. Sobretudo com os classificados de raça humana, na matéria (ainda) os mais evoluídos, a fim de que, em ato eficaz, possam se preparar para transformações, de situação ou de planos. A estruturação precisa envolver, de modo claro, ostensivo, incisivo, contundente mesmo, a eternidade do espírito, a conscientização do prosseguimento da jornada, inclusive em outros sistemas, em outros ambientes, até mesmo na carne. Nosso amado planeta é uma estação de passagem, não o pouso final, sabemos.

.......Por sua natureza essencialmente racional, de origem divina, a Doutrina Espírita poderia contribuir muito para essa missão de esclarecimento, de educação tanatológica, transformadora. Poderia, porque não tem se prestado a isso, o que é lamentável, visto que, apesar de esforços ingentes e gigantescos de luminares e espíritos de grande bagagem de evolução e sabedoria, os desvios na aplicação da codificação extraordinária encetada sob a coordenação do professor lionês, para quadros de deplorável estagnação, retrocesso, na repetição de surrados erros, cometidos pelas corporações religiosas desde deploráveis eras.

.......Podemos, na mesma linha, infelizmente repisando o atoleiro, verificar que, acerta aquele que afirma que, se Jesus reencarnasse, seria de novo glorificado no Gólgota, com os dedinhos da omissão levantados a favor dos novos Barrabás, com os mesmos Pilatos de mãos limpas e consciências pesadas, sob os olhares cumpliciados da turba para as benesses temporais. E dentre estes, (é lamentável!), estariam alinhados muitos dos qualificados próceres espiritistas, principalmente do Brasil, com certeza a grande base dessa religião, ciência e filosofia, sendo os dois últimos quase relegados ao ostracismo.


.......A postura de grande parte dos que se colocam como dirigentes espíritas tem desviado a Doutrina Reveladora e Libertadora para os intramuros das organizações ascéticas, excludentes e elitistas, já o disseram muitos, o que reiteramos. A instituição de uma messiânica “pureza doutrinária”, grassando de modo avassalador sob a coordenação de revoltada falange vaticanal, distanciou a grande massa, a gente do povo, impedindo o aprendizado e vivência dos preceitos explicados à Luz da Razão, do cristianismo original. Impuseram grades e algemas, freios e barreiras; criaram dogmas disfarçados em regras de organização, a fazer inveja a qualquer mosteiro medieval. Troca-se a prática e o exemplo da fraternidade pura pela habilidade em se vender livros, mensagens, congressos, em “know how” apropriado aos fariseus de antanho. As reuniões passaram a ser de secundária importância, pachorrentas, bajuladoras, com exposição empetecada de temas que fogem do cerne, do foco, do centro da orientação. Os desencarnados não podem falar, não podem escrever, a não ser para os luxuosos congressos internacionais, para onde são convocados e anunciados antecipadamente, como “astros” de shows programados! E que falem bem, que aplaudam e baloicem os sinos e badalos a seus contratantes... senão ....

......Isso acontece de ponta a ponta, sob a orientação eclesiástica dos donos do loteamento espírita.
......Criou-se um “mundo interno” no meio destes quartéis generais, com a discriminação, e exclusão de tudo o que estiver contra, na abolição sumária de toda e qualquer controvérsia, sobretudo no que tange aos vultosos e “necessários” lucros absurdos, auferidos nas publicações e nos shows congressuais, onde Zaqueu supera Jesus. Mediunidade ali, só com médiuns “prêt-à-porter”, que recebem mensagens de lindos rótulos, Chico, Emmanuel, Bezerra, e tantos outros, mas... de conteúdo plástico, artificial, insosso, inócuo, que faria colorir obsessores mais desavisados. Ladainhosas e cantilenistas, travestidas de cristãs e doutrinárias, se prestando àquele dourar de pílulas frenético, histérico, histriônico. E tome plágios e repetições, cópias mal feitas, principalmente das recebidas pelo luminoso mineiro Xavier.

.......A mediunidade educada é seguramente o melhor caminho para a conscientização da realidade do espírito eterno, imortal. É o meio mais eficaz de se combater a descrença, os dogmas, de se revelar a riqueza e a importância dos valores perenes, da riqueza da alma. Mas, hoje no centro purista, sob a coordenação de concílios e papados de moldes conhecidos, ela é condenada, abolida, vigiada, massacrada, de preferência excluída. Cultuam a vestimenta de carne e ab-rogam a essência eterna, o espírito.

.......E dali foge a massa de necessitados, por não encontrar abrigo, apoio, compreensão, orientação. O médium não enquadrado na cartilha dos livreiros, que se contenha, que se segure, porque terá todos os seus passos medidos e vigiados, e atrás de si os novos inquisidores, a espelhar com requinte, aberrações torquemadianas. Ao lado, como guardiãs dessa turba, presunçosas gralhas arreganham verborréias falsas e caluniosas, dando azo a seus intoxicados destilados mentais.

.......Assim, e por isso, o espiritismo perde sua característica inovadora, revelacionista e se aninha aos adeptos do mercado sistêmico, lucrativo e controlado, com o abandono das prerrogativas de intercâmbio entre os ambientes espírito-carnais, eliminando a fraternidade ampla, contagiante, agregadora. Assiste-se então o desconsolo, e cada vez mais se nota a excludência, e, por conseguinte, o esvaziamento das casas de fachada kardecianas.

.......Esperava-se muito mais que uma mera fatia do bolo. Desejava-se que fosse o fermento a levedar toda a massa, a rechear com ensinamentos vigorosos, substanciais, a estruturar com solidez conceitos e verdades até então desconhecidos ou não entendidos pela Humanidade. Esperava-se melhor comportamento numa Doutrina que tem as respostas, que devassou os antes imperscrutáveis segredos e dogmas da existência. Mas as ancestrais vaidade, ambição, e prepotência verificadas nas direções dos “novos salvos” estão entulhando o novo Código Divino na vala comum das grandes decepções humanas, confinando-o a um papel de mais uma religiãozinha, uma seita como preferem muitos, mais um clube de especiais, escolhidos e ungidos. Igrejeiro, como já existem aos milhares.

.......Necessária é a lembrança de que mediunidade não é faculdade restrita, sendo inerente à própria situação da vida, onde ela existir, e sabemos, liga-se, de modo original ao próprio instinto, que em essência é a manifestação da centelha de Deus, em todas as formas do existir, conhecidas ou não. Destarte, não se constitui em propriedade ou atributo exclusivo de quaisquer credos ou segmentos, por mais rudes ou aprimorados que possam ser. A monocelular ameba traz em si os elementos para se comunicar com os de sua espécie, constante em seu espiral genético, e assim se permite atrair e reproduzir-se com sua biocultura, estando ou não em vida ativa, material, ligada por uma energia especial (animus), apenas para situar um exemplo que se repete entre todas as estirpes e dimensões.

.......Desta maneira, os espíritos se comunicam, estando encarnados, ou não, em prisão de corpos ou volatilizados, independente de terem ou não as suas convicções religiosas ou místicas. Em todas as partes do mundo temos os exemplos desde milhares de anos. Daí, o espírito para se comunicar, para mandar seus recados não precisa ser espírita. Deveria sê-lo, pois o que o é tem a consciência mais aberta a todos os questionamentos e, repetimos, tem as chaves e respostas. Mas, não o sendo também lhe é permitida a comunicação, que sempre aconteceu e continuará acontecendo, independente dos ameaçadores “fiscais de deus”.

.......Em todos os cantos, emissários descorporificados também estão alertando, advertindo, orientando, e de certa forma, preparando aos que lhes derem ouvidos, para as grandes e graves transformações que, de modo inevitável estão para acontecer com a relação à vida material neste plano chamado Terra, neste curto espaço que não supera uma década.

.......Esclarecer sobre a eternidade do espírito, sobre a manutenção da jornada, da necessidade em acumular os valores da virtude, enriquecendo-se com os tesouros do Céu é função e obrigação inalienáveis dos que esse trajeto conhecem, consoante aos que se albergam sob o translúcido pálio do Consolador. Expungir a ignorância, levando o alimento da sabedoria e a substância da Verdade, assinalando as palavras com o vivenciar é a melhor maneira de mostrar-se a importância daquilo que nos foi, privilegiada, mas não exclusivamente, revelado.

.......Transformar a Casa doutrinária em nobre feudo separado da realidade de todos, criando distinções e exalçando as posições de diferentes e pseudo-superioridades é fruto de perversa prepotência. Bater no peito “sou espírita”, para agredir aos que ainda não descortinaram os horizontes que a Doutrina do Paráclito clareou, não é fraterno, não é correto. É desinente de atraso.
.......Empolados em seus bergantins enfunados nas velas da jactância, alimentados no combustível das esmolas, do dinheiro que deveria ser destinado à caridade, embriagam-se no mercado aviltante das coisas sagradas (a mediunidade em Jesus o é!), se posicionando em realeza, do alto de ridícula mesquinhez, com o borbulhar gosmento de artificial postura rotulada de espírito-cristã.

.......Repetem aos milhões as magníficas mensagens de Chico Xavier. Pouquíssimo se copia, no entanto, de seu santificante exemplo de vida.

.......Despejam-se sobre mim, agora, agudas e penosas saraivadas de uma realidade pessimista, pois no Brasil, estamos perdendo a chance de direcionar pela clarividência e fraternidade, os destinos de todos os seres. Forçando a sensibilidade para tentar, como prometido, escrever com proveito, assalta-me, porém, a indesejável, mas concreta realidade do vaticínio do cronista em espírito, que parafraseando meu antigo ufanismo e esperança, alardeou irreverente: Bramiu, carroção imundo, de párias e “evangélicos”

............................Humberto de Campos – Espírito -

(Mensagem recebida pelo médium Arael Magnus em reunião pública, no dia 6 de Dezembro de 2009, no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada – Castanheiras - Sabará – MG)

Leia mais mensagens de Humberto de Campos através de Arael Magnus em
-O Martírio do Apóstolo-
http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/2009/07/o-martirio-do-apostolo.html
- Presença de Mãe - em
http://intermedium.spaceblog.com.br/5/
-A Lágrima de Chico - em




Apólogos - I -
.....................SEMELHANÇA DE JUSTIFICATIVAS


.......No cumprimento de sua costumeira obrigação, o agente policial inquire o traficante de drogas, acerca dos motivos que o levam a agir daquela forma, destruindo jovens, viciando glebas, desmoronando a sociedade.
-Doutor, compreenda- (explicava ele, com ar implorante, em emocionada interpretação, deixando grossas e sentidas lágrimas escorrerem sobre as macilentas faces): -- Sou um pobre coitado doente. Em minha casa duas meninas e mais a mãe, minha esposa, esperam ansiosas pelo pão que lhes levo todas as noites - e chora.

.......Uma turma de zombeteiros e orgulhosos se pôe à frente do moderno centro de convenções, para ouvir o famoso palestrante espírita, médium de renome, a principal atração do Congresso, que iria ali acontecer. O preço do ingresso, alto e inacessível à média da população, trazia em si a defesa convencional: “parte da arrecadação irá para o lar dos desabrigados atendidos pela instituição...”. Em meio ao luxo e aos brilhos de letreiros chamativos, destaca-se o que mostra o tema do Congresso: A caridade!

.......Em uma esquina, a mulher ainda jovem, em trajes pequenos, como a propagandear seus atrativos sensuais, explica aos patrulheiros que a abordam:
- Minha mãe está velha, senhores. Tenho um filho pequeno que depende de mim. Preciso ficar nessa lida, pois, do jeito que a coisa anda, esta é a maneira que tenho para que eles não passem fome – completa, lastimando

.......Num canto de rua, espíritos de cor escura, entremeando gargalhadas guturais, esperam que se inicie a sessão de bingo na Fraternidade Espírita, regada a bebidas e outras “delícias”, cujo propósito era o de arrecadar fundos para atender aos necessitados da redondeza, apesar da viciosa prática. Curiosos viram quando o dirigente da Casa estacionou seu brilhante carro novo, e assumiu, com cara de choro, a expressão emocionada de autêntico mendigo.

.......Pego em flagrante delito, um infeliz meliante arrogava seus direitos:
-A sociedade nunca me deu oportunidade, sempre tentei ser honesto, mas só recebi recusa e desdém. Não me sobra alternativa senão a de roubar. Roubar para comer.

.......O ocupante do cargo político, assustado, ajeitando suas vestes íntimas a fim de esconder os maços da corrupção, ponderava cioso e convicto: - Todos sabem que parte deste dinheiro é entregue às entidades beneficentes! - com semblante de cândida inocência, assustado diante dos flashes.

.......A música alegre saudava o natal próximo, enquanto nas bancas repletas, livros multicoloridos, de preços elevados, concitavam o serviço da solidariedade, do amor, do Evangelho do Mestre. Nos balanços de anotações os altos lucros registram o progresso da livreira. Mas, com certeza o percentual estava ali, reservado às cestas de atendimento fraterno, em nome da caridade, da benemerência, de Jesus, do Amor, de Chico Xavier, da virtude... E daí por diante.

.......“Ai de vocês, mestres da lei, fariseus, hipócritas, que fecham o Reino dos céus aos homens! Vocês mesmos nem entram, nem deixam entrar aqueles que o querem”. Mt 23.13”

..........................................- Humberto de Campos – Espírito –

Mensagem recebida em sessão pública pelo canal Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada – Castanheiras- Sabará – MG, em 6 de Dezembro de 2009
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A POESIA DE GUILHERME DE ALMEIDA




CARIDADE ATIVA
Poderia ser suave, feliz, bem mais doce
Na experiência da romagem desta vida
Houvesse, de verdade, em nós a posse
Da bondade praticada, real, estendida.

A mão que doa e ampara sempre é ponte
O amor que na luz do céo exultante desce
A alegria que daquele lindo ato acontece
Tem Deus na origem, a razão, sua fonte

Caridade pede atitude, ação pronta, de fato
Mesmo havendo jeito, cuidado e lhano trato
Não pode se limitar à simples peça de teoria

Ao mendigo implorante a ruminar sua fome
O pão duro, seco, puro, dado, ávido come
É seu Deus e bênção; é sua Fé, sua alegria

Guilherme de Almeida- Espírito
Recebida em sessão reservada pelo médium Arael Magnus no Celest-
Sabará- MG, em 29 de Novembro de 2009


EM AUXÍLIO
Dizem que a rosa assume
Seu destino com o espinho
Que nós sejamos perfume
Não os pregos do caminho.


JUÍZES
Pra mim é fácil apontar
Do outro todo defeito
Bem difícil é enxergar
Se estou agindo direito
.

A LUZ MAIOR
Há vultos que descem à terra
Para engrandecer a raça
São seres em que se encerra
De Deus a sublime Graça

Trazem todos uma história
De amor doado em martírio
No bem servir fazem Glória

Da alvura intensa do lírio
Gravada em boa memória
Esparramam áureo delírio
Amor que a todos abraça

A luz que aos ímpios aterra
Mostra Verdade e a vitória
Que a bondade pura enlaça

Exemplo que nunca passa
De luzes, o que mais reluz
Depurando nossa escória
Destacando-se o de Jesus

Guilherme de Almeida- Espírito
Recebida em sessão reservada pelo médium Arael Magnus no Celest-
Sabará- MG, em 29 de Novembro de 2009


PROVAÇÃO
Bate contínua no peito
Latejante, permanente
Acusando
Pede silêncio e respeito
Suplica, chora, a mente
Só cobrando
Dor que derruba ao leito
Devorante e inclemente
Devassando
Crivo de horrores, feito
Escravizante, renitente
Consertando
Lição em filtro perfeito
Purgante do penitente
Vai limpando
Cada um tem o direito
A espernear resistente
Reclamando
Enxergar ali um preito
É de gente inteligente
Resignando
Por converter o defeito
Em virtude consciente
Burilando
No vernáculo escorreito
É a docente competente
Ensinando
Leva a caminho perfeito
E o Mestre feliz à frente
Esperando.

Guilherme de Almeida- Espírito
Recebida em sessão reservada pelo médium Arael Magnus no Celest-
Sabará- MG, em 29 de Novembro de 2009


QUANDO EU FALAR COM JESUS
Eu quero estender minha oração aos que não conhecem Deus
Quero andar junto ao irmão que se enfileira à trilha dos ateus
Pois não existe no mundo miséria, pobreza maior do que esta
Quem o Pai nega, na matéria, seu Criador”consciente”contesta

Quero estender essa oração aos que fazem da Fé um mercado
Pelo mal que nesta ação fazem ao mundo e a si em redobrado
Atolados em negras dores ficarão longo tempo sem clemência
Sofrendo gigantescos estertores pelos efeitos dessa demência

Eu quero estender essa oração àqueles que por meios nefários
Matam anjos, crianças indefesas, em abortos vis, sanguinários
Pois pagarão altos preços pelos crimes hediondos, perpetrados
Os piores pavilhões de dores e sofrer estão a estes reservados

Que esta oração se estenda a todos que ficam no erro atolados
Que implorem o perdão, se revisem, modifiquem seus trilhados
Que sejam prestos, pois não se sabe quando serão convocados
A prestar contas justas, da consciência à qual são endividados.

Quero estender minha mão aos que se arrependerem sinceros
Vou advogar nos céos, em preces, que castigos mais austeros
Lhes sejam minimizados, e que lhes venha plena compreensão
Pois ao que se rende, e se arrepende, Deus não nega o perdão


Guilherme de Almeida- Espírito
Recebida em sessão reservada pelo médium Arael Magnus no Celest-
Sabará- MG, em 29 de Novembro de 2009




OS HAICAI'S


VERDADES

Vir, viver, renascer
Lema da vida, um poema
Inexistir do morrer


SAUDADE
Amor... Distância
Sustento em pensamento
Só, vivo-lhe a ânsia


MONSTROS
Usura, fama, poder
Figuras de mil amarguras
anulando o crescer


VERDADE
Noite de lua cheia
É ao pobre que não se cobre
do frio, noite feia
!

CALEIDOSCÓPIO
No mundo do olhar
A paisagem se faz miragem
Do limite de sonhar


VISÕES
Madeixas dos teus
cabelos, posso assim vê-los
Reais fios de Deus


METAMORFOSE
Pessoa com fome
É fera que se desespera
Humana? Só nome.


DESVIOS
Queda no abismo
Escolhe quem se recolhe
A si, no egoísmo.


NATAL
No palco em luz
Anjos em belos arranjos
No coro a Jesus


PRECIOSIDADE
Lágrima ao chão
Brilhante qual diamante
Luz do coração

VITÓRIA
Ilusória despedida
Da morte, que parece forte.
A Vitória é da Vida


ESTRELAS
Enorme o valor
Felicidade na Caridade
Feita com amor


CONSEQUÊNCIA
Vacilei no erro
Reconheço que mereço
Dor e desterro


ILUMINAÇÃO
Sofreu, suportou
Dura Vida, azeda, sofrida.
Anjo de luz virou.


Guilherme de Almeida- Espírito
Recebidos em sessão reservada pelo canal Arael Magnus no Celest-
Sabará- MG, em 29 de Novembro de 2009



Assista clipes de 400 músicas mediúnicas das mais de 1700 recebidas por Arael Magnus em
 www.youtube.com/user/TVINTERMEDIUM/videos?view=0&shelf_id=1&sort=dd

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Poesia de Henriqueta Lisboa - Espírito








TESOUROS

Quero ser fruta macia
Doce, amarela, madura
Para saciar a fome
Dos passarinhos
Que ficam
Famintos
Sem ter um ninho.

Quero ser fonte fresquinha,
Descendo a pé da montanha
Sarando a sede
Com beijos
Aos litros,
E com fartura
Toda secura das almas.

Quero ser chuva fininha
Caindo mansa
Na horta
Fazer crescer,
Bem viçosa,
O rabanete, agrião,
Cenoura, batata doce.
Cebolinha, caridade,
Chocolate no bombom.

Quero ser sol de tardinha
Crepusculando
A toada
Com café quente na trempe
Cheiro de biscoito frito
E conversa
Na soleira.
Até dar sono
Na gente.

Quero ser plena portante
Dessa riqueza imensa
Chamada
Simplicidade.


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


PREÇOS DE OCASIÃO
Toda dignidade
Pode ser vendida
Numa gota de sicuta.

Toda indignidade
Pode ser comprada
Num tiquitim de perdão.

O mercado tem prateleiras
Arrumadas
Na inversa ordem
De dar a quem tudo tira
Tirar de quem tudo deu
As coordenadas se encontram
E prosseguem,
Cruzadas
No gestatório
Destino.



Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


ASSIM NO CÉU COMO NA TERRA
Perplexas verdades
São caramujos
Dissolvendo-se
Na pedra, úmidos.
Formados rastros
De brilhos duros
Como diamantes

De verdades derramadas.
Ditas assim, na cara
Sem meias palavras
Alguéns até dão a elas
O nome de Pater Noster,
Qui es in caelis,
Fiat voluntas tua....


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


CICLOS
Os olhos aboticados
Do sapo
São maiores que
A língua.
Espadachins
De desejos
Sonhando
O desequilíbrio
Da mariposa
Que dança
Na flor
Que cospe a semente
Enchendo a boca
Da flauta
Que já flecheia
Os olhos
Aboticados do sapo.

Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


SENTINELAS
Vela
Vela
Vale
Vale
Veio
Veio
Velo
Vê-lo
Vês
Pensar
Em linha
De fogo
Revôo
Estilhaços
A usina
Pulsar.


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)

- É urgente promulgar a Declaração Universal dos Deveres dos Vermes -


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


BIS

Triste piano
Chorando Chopin
Acordando lamentos
Noturnos,
Gritantes
Dobrados
Nos lenços
Molhados
De sangue,
Cor de Amora.

Hoje o marfim
Amarelecido
Esconde
Seu timbre
Não chora,
Não canta
Só lembra
Se lembra
Do tempo
Que viva
A flor
Recendia
Perfume
Jambeiro
Em flor

Desce ao caminho...
E ao caminho sobe.
Retine.

Passado feliz
Presente
Assustado
A luz se apagou
Na Ária de Bach
Estupefação!
Os dedos nervosos
Nas teclas pousados
Tocam novamente
Sonatas tristonhas
Que felicidade!
Voltaram os prantos
Dos sons libertados
E a flor de perfume
Espalha nos ares
Cheiro de jasmins
A festa prossegue,
Feliz Imortal
Mozart, Debussy ...
Avencas, acácias
Vivaldi, Strauss...


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


UM SORRISO DE POETAReinava
Rei navegante
O sol desliza nas nuvens
Lentamente,
Zeloso de não ferir
Os silêncios do poeta.

A tristeza não é má,
O ruído sim.
Barulhos são invasores
Dos aposentos
Fantasmas.
Lança de varar céus.
Decidido caiu no mar, o sol.
Há em volta vultos
De volta
Que espreitam,
Espremem,
Sinistros gargalham
Por não saberem a Graça
De um sorriso de poeta.

Existe a cada verso,
Na elegia
Um núcleo de ressurreição
U’a mista divindade
Tanto bom que sobrevoa
E faz fugir, rugibundos
Os fantasmas
A realidade
Até a vida.

Mas os dedos e os medos
Caem
Sobre o pano xadrez
Da melancolia.
Profundo despetalar
Sonhos impróprios
Dores contadas
Choro dorido
Flor
Da Lágrima.

A coragem de viver...
-“Porque vida é um ato de loucura.
Andar farpado de arame bambo”.
Balouça no cenário violáceo
De sua amargosa
Insistência
Pétrea
Pedregosa
Petrificada..

Sob manto negro
Escura companhia
O rei mergulha no mar
Sucumbente
De negra escuma
Da culpa
Sem culpa, sem lama,
Só alma...

Remorsos
Vagidos rasgam o peito
Gritando
Juramento catedrático,
Da última etapa
Do primeiro mandamento.
A Parca é enganosa
Por não cobrir
A multidão de pecados
Que o Amor cobre.

A Fonte de Amor, ouvindo
Os cantos,
A consciência
Encerra a noite,
Acende a aurora
Num casebre ocre
De papelã janela.

Nasce outro dia,
No colo de mãe
Acolchoado em fadas,
Especial criança,
De especial sorriso
Feliz de poeta,
Dos brinquedos de poeta.
Novamente
O sorriso e o poeta
Em síndrome rubescente,
Reinam...



Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


O PRESÉPIO
Eu inda quero sentir
O branco olor d’açucena
Passar os olhos espertos
Sobre o manto de flanela
Azul, mesclado de tons
De um berço
Com criança.

Eu inda quero escutar
O cantoninar sereno
De uma Callas esquecida
Em bairro de classe média
Esquentando a mamadeira
Nanar o neném
Dormir.

Quero tecer sapatinho
De tricô em ponto-cruz
Casaco, meia, futuro
Enxoval de esperança
Rosa, azul e amarelo.
Sete dias
Cai o umbigo.

Por quê?

Porque há ais...
Há sim longa fila
De espera.
E nela
Serpenteante
De tão longa
Está um rapaz formoso,
A bela moça prendada,
No velho brota bondade,
Uma menininha linda
Com vestidinho engomado,

Seres querendo ser.
Que não conseguem nem ser
Já que ninguém mais quer ser
Josés e Marias ou Marias
A montar rudes presépios
De deixar vir para o mundo
O Menino de Amor
Um pouco viver
Mesmo que um dia
Morrer
Crucificado...


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


HORA DO RECREIO

Aos braços me traz Cecília
Doce ternura...
Ampara-me qual escudeiro
Bandeira. É muita honra.
Ao som do riso pequeno
Do enormesco Drummond
Fazendo graça, menino
Tri-Quintana, em altos pulos
Conta a última anedota,
- Nada, nada pessoal-,
Diz ao Fernando,
Aos papos bons com Florbela.
Sem poder estoirar
Tambáim rrrio...
Do sotaque Ceará.
Do guilhermante hai-kai
Tudo isso acontece
Na hora do bom recreio
Sob olhar sereno e amigo
Do professor Romanelli.
Não quero dizer mais nomes
Mas são muitos, aos milhares
Uniforme azul e branco,
Somos só colegiais,
Ainda primeiro grau.
Do Instituto Educacéu
Tocou a sirene,
Voltemos à aula.
Viva a hora do recreio!



Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


AMANHECERES

Os jardins de memória
Mostram vasos
Órfãos de suas flores.
O diabo vestido de velha
Rega terra seca.
Rega
Passado, espelho que olho.
No regador esperança,
Verde asa de Louva-a-Deus.
Das estrelas o piscar carrega
Luminíscia madrugada
O anjo vestido de moça
Seca toda terra cega.
Seca.

Olho pela fresta da janela
E concluo que não tem lua
Nem janela,
Nem fresta,
Nem olho
Nem velha,
Nem moça.
Cartesianamente concluo,
Logo...
Há o anjo vestido de
Anjo,
Que não rega mais suas
Rugas,
Que não rasga mais as
Regras,
Que enruga as rusgas
Cegas.

Num regador esperança
Os arqui-suspensos
Jardins de memória
Mostram vasos exibidos
Exibindo novas flores.
São girassóis
Que incendeiam
A alvorada
Do Louva-a-Deus.



Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


NATIVISTAS
Escutai...
Não doem minhas feridas,
Cicatrizes
De mim fugiram como
Lambaris doirados
Adorados
Levaram na mala
Maldade e rancores
Na densa fumaça adernou
Aquela vontade louca
Fiquei no meio frio da estrada
Despertando
Graminhas
Que dormiam sob
O orvalho.
A graminha chamei-a
Vida,
E o orvalho,
Saudade.



Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)


A UM MÉDIUM
Colho teus suores
Que enchem de
ansiedade
As sombras de redor
Balsâmicas gotinhas
Inundando de amor
Corações vazios.
Ciciar do grafite percorre
Papel inquieto, molhado,
Minar.
Dando de ti
Humilde,
Pontos de seiva
Imortalidade
Alma, das almas.

És de um rio
Atraque singelo
Amarrado, mambembe
Às beiras lodosas,
Derramas certeza
Variados matizes.
Ânsias e
Holofotes
Marginando
Fecunda
Tempestade
Aos estéreis reinos
Da descrença
Lanças dúvida
Devolvem ironia
O fruto é bom
Vê-se, teu não é
Ruim, quanto pior
Óbvio, mistificas .

Sofro a angústia
Tua angústia
Pela obscenidade
Da ingratidão,
Desconfiança ferina,
Maldade.
Passo cambaleante
Sob peso de cruz aceita
Abandono,
Solidão, exílio.
Dessocialização completa
Incompreensão
Bailando ao som de réquiem

Vigiam-te, títeres
Enlameados,
Vasculhadores
Vampirizados,
Insulam-te
Minudências da hiena
Espreitando carcaças
Por não achá-las
Babuja a calúnia, injúria
Barrelas que dela trazem.

Vejo-te o infranzido perdão
Na pertinácia
Da sequência disforme.
E,
Pelos que vem, vieram
Virão
Te beijo agradecida,
Retribuo-te o ombro
Meu apoio e braço
Coração insuspeito.

Canal, afluente ligante!
Ponte, travessa peroba
Podia mais enxergar
Ainda muito,
Bem mais.
Porém nada mais vejo,
Nem quero
Porque a luz tonteante
Que vem
De quem, nesta
Homenagem
Te abraça
Cega-me toda,
A mim,
Ao mundo. .
Ao te abençoar.


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará


O PEIXE
Poesia é igual a peixe
Comprado no mercado
Pescado nos arroios
Grandes mares
Ou no poço.
Primeiro olha-se o olho
Olha-se o olho primeiro
Em seguida sinta o cheiro
O cheiro dá procedência
Depois apalpe a cor.
Verdadeira ela tem cor.
Fa-la-á picada, em postas
Temperada ao violino
Refogada
Em sentimento.


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)
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Nota da Presidente- Nesta reunião estiveram também presentes os espíritos dos poetas Guilherme de Almeida e Paulo Menotti Del Picchia, que deixaram, respectivamente, 21 e 8 poesias, poemas, sonetos, e o primeiro lindos “hai-kais”. Além das 15 mensagens acima, o espírito da inspirada poetisa Henriqueta Lisboa marcou sua presença com mais 37 poemas, poesias e pensamentos, que serão em breve colocadas à disposição dos interessados. Devido ao espaço, muitos estão sendo colocados diretamente no blog da TV Intermedium, ou seja, http://intermedium.spaceblog.com.br/
e em http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/
Ou no You Tube em http://www.youtube.com/tvintermedium?gl=BR&hl=pt#p/u/0/5TvKGGE4MRw