sexta-feira, 20 de junho de 2014

Carequinha - Os Mundos do Palhaço

Os Mundos do Palhaço  Blog de intermedium :INTERMÉDIUM, Os Mundos do Palhaço


       Respeitável público... Hoje tem espetáculo?...Tem sim senhor!
      O som possante da bandinha da ventura anuncia em acordes de bondade que a alegria chegou. Verdade..
      Abre-se a porta de lona, do belo mundo infantil. Pureza.
      Quais aves inquietas em revoada de luzes, crianças ocupam a bancada multicolor do circo simples da vida. Nobreza.
      Ansiosa algazarra estampa um fundo pleno, sereno. Inocência.
      Pulando, peraltas, os malabares da dificuldade, sobem até o topo, nos oníricos monociclos, como gente curiosaEsperança. 
     A mão sagrada, na cartola invisível, desfralda a cortina da realidade. Vitória.
       Surge o palhaço, com sua roupa de estrelas, nariz vermelho de bola, coração iluminado. Candura.
      Distraído pela dança da borboleta de papel, tropeça na geringonça, e a platéia explode em graça. Presença. 
      Platéia?- espirra com bom humor, em piruetas seguidas - Alguém disse platéia? E rola no chão de pérolas do confete solidário. Vontade.
      Ali, um menino branco, esparramando amizade, em confortável lufada de irrefreável risada. Respeito.
      Do lado, a boneca loira, comendo a verde pipoca do futuro, força a passagem no furo dos dentes, ausentes, com expressão de delícia.Sentimento.
      Em cima, grudado ao balão do entendimento, o garoto negro, atento, ilumina o seu redor com voz dourada, devorando o suspiro sobrante na boca branca. Harmonia.
      A indiana, da roupa bordada em seda, equilibra no abraço o pirulito gigante, com doce som de carinho. Cuidado de acrobata pra não sujar a roupinhaCapricho.
     O moleque de olhos puxados estende mãos generosas para a princesa africana, com a perna arranhada na escada da tolerância. E ela nem soluça maisCompanhia.
     calda da maçã do amor com cheiro bom de baunilha devolve o brilho, o fulgor do iluminado sorriso de compreensão estendida. Cordial.
      A lantejoula alcaçuz, na beira de forte teia, cintila o riso feliz do indiozinho marrom, com seus olhos de açaí. Oferta compartilhada na louvação irmanada. Fraterno.
     Prossegue a apresentação no picadeiro do Bem, esparramando a poção da fantasia, imaginação e liberdade... Alegria...
     O sapato folgado da proteção faz ploft... ploft... Ao som da marchinha que fala de pássaros, de flores e cores. “Desata o nó, amarra o ioiô, no beijo da vó, no abraço do vô”. Dignidade.
      De repente, tudo cessa. Silêncio.
      O repicar do tarol da paz estrila, insistente: vai começar a grande roda de gente. Família!
       Todos são saltimbancos no atraente vitral de mosaicos violetas. De mãos dadas, perfumadas, se abrem num lindo sol. Radiante.
        No meio, o palhaço, atrapalhado na bola gigante, enrola o novelo na calça de mola, que não fica no lugar. Dedicação.
       Dá saltos de entusiasmo, com o apoio da fivela, branca, verde e amarela. Perseverança.
       Sublime momento. Apoio.
       Um lenço que não se finda, saído de um dedal, enxuga suor de mil perfumes, mistura do diamante, vibrante lágrima da caridade.Felicidade,
      Desce do céu, no trapézio da virtude, um hino de união, a exaltar que todos são um, iguais, perante o Criador, Pai de tantas diferenças.Excelência.
      Escondido no algodão-doce da coragem, emocionado o arlequim chora. Seguro nas argolas do ensino que vem do além, confia. Humildade.
       No redemoinho da gratidão vê meninos como seus e sente-se luz. Vida. 
     Assim um circo é o céu.
       Assim um palhaço é Deus.
     ...........................................................
     Encerra-se a função. Saem todos, e crescem.
     Crescem?
    Vem a noite que gera sombra. Retalha, divide, fatia, separa.
    Aqueles não são mais gente. Encerram-se em jaulas.
    São daqui, ou hindus, europeus, africanos, judeus, cristãos e ateus, feras, e fúrias, calúnias, injúrias, em constante desavença.
    Monstrengos dominantes de cruel sociedade, ilimitada maldade.
    Chicotes, ferrolhos, látegos da indiferença. Descrença.
    Luxúria, ganância, fanatismo, domínio, poder, racismo, credos, medos, crises, bombas, forja de infelizes, falsidade, traições, brutalidade, desrespeito, preconceito...
     É a miséria desfiando as infindas levas, nas trevas, a rolar em ribanceiras de ódio, dor e mentira. O Bem expira. O mal impera.
     E o ser insano apodrece inumano, sem clemência,
perdido na vala espúria do terror, indecência!.
     Vale de dores, estertores e ranger de dentes, dementes.
     Amarga expressão embola o grunhido som materno, desespero
     Na oração se imola, no praguejar se consola, destempero.
     Olhando o filho morto, mártir inútil de vulgar violência, bagaço.
     Assim o circo é um inferno.
     Assim, Deus é um palhaço.

            George Savalla Gomes- espírito-

(Mensagem recebida em reunião pública em 4 de Outubro de 2009, pelo canal Arael Magnus, no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras –Sabará-MG) 
Obs. George Savalla Gomes é o nome do palhaço Carequinha, nascido em 1915 e desencarnado em 2006.

Assista os clipes de cerca de 400 músicas mediúnicas gravadas por Arael Magnus, das mais de 1700 recebidas em www.youtube.com/user/TVINTERMEDIUM/videos?view=0&shelf_id=1&sort=dd

Gilberto Freyre - espírito- A Quotização Educacional Brasileira

Pré-ensaio Sobre A Quotização Educacional Brasileira à Luz da Insipiência Social na Implementação da Negritude.

De onde estou, e tanto quanto me é permitido me informar, sobre os caminhos adoptados pelos que definem as estratégias de valorização da raça negra no Brasil, tenho a considerar alguns pontos, que, se não evidenciam uma oposição, pelo menos intenta aguçar questionamentos que identifico como oportunos e necessários, mesmo não sendo inéditos. Nem incenso nem apupos, peço apenas reflexões sistêmicas e fundamentadas.
Corre, sob luzes de uma propaganda arquitetada, no meu entender, por movimentos que não se assinalam por prerrogativas socioculturais, mas principalmente por mutáveis identificações de matizes ideológicas, - portanto, moldáveis e movediças-, proposição de quotas destinadas a garantir vagas para negros nas universidades brasileiras.
Os autores desse intento, em sua acepção mais lógica, como força capaz de mudar e redirecionar a realidade, repetido expediente de um "new-black-study" ou um "sudeto à brasileira", caboclo-indo-branco-mestiço-negro, não deixam à mostra, os artifícios e expedientes que deverão utilizar como mensores destas opções imprecisas, quando da definição e preenchimento das matrículas disponibilizadas. Pois, à luz de uma definição científica, a questão se deteriora quando a percebemos enclausurada na impossibilidade de se definir com justiça, ou razoável balizamento e precisão, o que é e como é o "negro brasileiro".
Nessa terra de incontáveis influências multirraciais, -onde num gigantesco e generoso liquidificador etno-socio-cultural, movimentando-se incessantemente há mais de 500 anos, pelo menos - se processam todas as raças e se criam, de modo singular, novas protoformas e incríveis emulações da miscigenação humana, de modo permanente, crescente, suplementar.

(... Como é bela e fagueira, a morena jambo,
de cabelo crespo, com seus dedos longos e
olhar azul...)

E esse complexo estereótipo físico esconde, ocultas em metamorfoses eletivas, individualidades adquiridas de cada região, de classes, e núcleos, diferenças imperceptíveis, inidentificaveis, originadas pelo turbilhão multigenético absorvido pelo ambiente tropical, nas variações incontáveis de influências de todos os pontos do planeta. Diria que aqui no Brasil, no povo, encontramos assinalamentos episódicos de todos os tipos do mundo, mas que, por sua vez, não vamos detectar desse modelo em qualquer parte, alhures.
Reproduzindo-se em amplitude geométrica, essas mutações se encaixam, se acomodam e completam-se, pelas bordas comuns que possuem todas e cada uma das peças, desse continental mosaico, da já rotulada inimaginável e maravilhosa "metarraça brasiliensis".
Assim, a proposição da reserva de vaga nas universidades para os da dita raça negra no Brasil, para ser justa, esbarrará sempre em dois pilares inamovíveis: Ou não se beneficia a ninguém, ou se contempla a todos.
Porquê, ao contrário de outras nações, aqui o negro é ingrediente do bolo, não deslocado como base, recheio ou cobertura. Está implícito, incluso, agregado, impregnante e impregnado. Obviamente essa assertiva se aplica à formulação cromossômica, genética, numa visão bio-social, antropológica, pois não é segredo a existência no país as deformações latentes, a distância entre ricos e pobres, a miséria de milhões e a pujança de uns poucos, que saltam aos olhos, se agigantam, independente da tonalidade da pele.
Já o fizemos, mas para relembrar, sugerimos aos norteadores das premissas políticas, que assestem seus calibres para focos mais importantes, mais incidentes e muito mais carentes de implementos, em nossa realidade, como o são o ensino fundamental e a o saneamento "in lato sensu".
Não adianta, de modo a parecer "urbi et orbi" moderno e inovador, impingir adoção de qualquer critério, não alicerçando a preparação do indivíduo em moldes sólidos, de conhecimentos e substância, que o permitam se livrar do apedeutismo e ignorância primitiva.
Em decurso da desestruturação e desvios, o ensino público fundamental no país, padece de qualidade e consistência e atenção oficial, não oferecendo aos degraus superiores do saber, um ser moldável e útil. Assim, a iniciativa que se nos apresenta afro-ufanística, redundaria na automatização do "despreparo diplomado", pois o ocupante das cadeiras universitárias reservadas estará ali como um privilegiado, graduado, não tendo, porém, a ampará-lo, um embasamento que o torne e o faça se sentir capaz, "in efectivus modo". É a enganosa suposição de que um pico dourado da pirâmide garanta a sustentação do edifício!
Visitem as escolas das periferias, das regiões mais pobres e lá serão encontrados muitos "arianos", amarelos, indo-europeus, ao passo que em institutos particulares, com elevada mensalidade, também se matriculam, já em franco crescimento, os negros, mestiços, caboclos, dourados, morenos enfim. Estes últimos estarão em grande vantagem com aqueles considerados "da sua cor" quando disputarem as vagas do nível superior. Pelos critérios propostos, deverão estar em melhor preparo quanto aos provindos das áreas pobres. Ou seja, o problema não só continuará, mas se consolidará, com a exclusão impiedosa, exatamente dos que pretendem agora proteger. Isso nada tem a ver com justiça sociológica ou reparo de punições étnicas históricas, pretendidas no cabeçalho da proposta.
Sendo o Brasil a mais multirracial e multicultural das nações do mundo, se impermeabiliza, tornando-se infértil para as vocações discricionárias, "apartheidistas", seletivas ou fracionantes, venham de onde vierem. Aqui, sem que se defina por isso no caminho político ou social, somos síntese evolutiva, longe da análise desagregadora. Forçar a mudança por caminhos indevidos é arriscado.
A "raça brasileira", distinguindo-se de todas as outras, se diferencia não pelas minudências da quantidade melanínica em seus perfunctórios revestimentos cutâneos, mas pela inconfundível característica de seu jeito de ser. Nas outras partes não se conhece pela aparência quem vem deste país, mas identifica-os pela espontaneidade, pela alegria, pela postura extrovertida, ambientada em si mesmo. Na Amazônia, a pele índia bronze-vermelha, no centro-oeste a arredondada expressão do aboio pantaneiro, no nordeste a vertente sino-eslava-saxônica, no sul a alvura indo-européia, e no centro e sudeste a reunião de tudo, de todos os pontos, quadrantes e lugares. Mas há em comum, um "animus", o registo qualificador, que não aparece nos microscópios dos laboratórios, mas se multiplica em cada olhar, no sorriso, na palavra, no "modus". Porque este povo é, fundamentalmente multirracial também, na consciência e na índole!
Que estes apologistas da valorização racial diferenciem entre reintegração e dissociação, na vigilância imperiosa e permanente do crivo científico, sócio, cultural, antropológico, e porque não, dinâmico-espiritual do gênio étnico-vivencial que aqui vigora e reina.
Debruçar-se sobre questões de inclusão verdadeira, de correição integral das flagrantes gradações entre as classes, deve ir muito além dos efeitos que podem ser obtidos com uma diminuta exposição de bronzeamento, sob nosso imponente sol tropical, ou a de perder a condição primacial no vulgar acometimento patológico de um vitiligo.
Como no sínolo aristotélico, a harmonia entre a forma e a matéria aqui se desenha na essência e na aparência, sendo a segunda suplantada pela primeira. Que não se apartem esses meios, sob o risco perigoso e inútil de se comprometer o todo e os fins.
-----------------------------Gilberto Freyre - espírito-
(Mensagem recebida no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará-MG, pelo canal Arael Magnus em 5 de Julho de 2009)

                         18 de Julho- Gratidão  

Aqui, sobre as pedras do ilusório caminho findo, 
     Livro-me das jaças e dos percalços.
Nas lembranças, os desejos,
Em ideais luminosos
compreendidos "per turbas".
"Cor Iesu, salus in te sperantium, miserere nobis."
Habitando lindo plano dos estranhos,
Vigorosos seguem sendo etéreos,
Mistérios Imortais, (e)ternos.
Não vasculho quintessências.
Nos varais, idéias. Resoo, rumino o entulho.
No morno leito, calcinado, branco,
Do brumado da Holanda "Gratias ago vobis"
como (e)terno trovador.
Gilberto M Freyre - Espírito-
(Página recebida em 5 de Julho de 2009 no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada, Sabará-MG, pelo canal Arael Magnus.
fundoamor@gmail.com )


terça-feira, 17 de junho de 2014

O SEBO DO EGOÍSMO- Martins Peralva- espírito

     O espírito de Martins Peralva traz, nessa mensagem, uma alentada sugestão que visa à difusão dos ideais da Doutrina que traz respostas e consolação, mas que experimenta desvios pelo mercado livreiro. Ainda em vida, segundo o próprio espírito comunicante, tentou colocar em prática sua sugestão, sendo no entanto impedido por dirigentes da entidade na qual participava.




O SEBO DO EGOÍSMO


                    “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama. Ele a coloca no candeeiro, a fim de que todos os que entram, vejam a luz.” 
 Lc, 8:16

     O egoísmo está na origem, no miolo, de quase todos os males do mundo. Entretanto nem sempre é detectado, percebido, pela sutileza com que se apresenta, residindo aí um de seus grandes e tenebrosos perigos.
     E esse monstro feroz que habita nosso interior, se manifesta e se insinua de maneiras mais diversas, mais complexas, sendo refolhado- para ser confundido- com virtudes como o zelo, a proteção, o amor. É o egoísmo um destruidor voraz de valores e princípios, e que merece de cada um, acurada atenção, por seu permanente efeito em nossas instâncias mais íntimas. E no espírita, certificado de sua enorme responsabilidade em poder carregar esse distintivo, avulta-se a vigilância ainda mais profunda, para que, perdidas as chances, não sobrevenham à consciência, as sombras do remorso, do arrependimento.
    Narro-lhes o fato que se passou comigo, ainda recentemente.
    Após concluir empreitada de visita a hospital em Belo Horizonte, onde, junto a dois luminares de elevada compleição moral, realizou-se o apoio ao retorno ao mundo etéreo de determinado amigo em Belo Horizonte, decidi, para matar a saudade, andar pelas ruas e avenidas de particular afeição, na capital mineira. Dispunha ainda de algum tempo, enquanto meus dois acompanhantes cumpriam outros afazeres, onde minha presença não era necessária. Desci, com a alegria do reencontro, a avenida do hospital, em direção ao centro, parando um pouco no grande cenário verde, do parque onde andei tantas vezes, com alegria. Observei pessoas e lojas, marcas do progresso, e estendi olhar carinhoso ao prédio da antiga redação, ainda ali, renovando-lhe no sentimento, as luzes da gratidão e da alegria por serem capítulo especial na romagem carnal recém completada.
    Na esquina da Escola de Direito, ainda absorvendo os ares de uma saudade singela e agradável, meus sentidos se voltaram para um carrinho, rangente de pesado, puxado por um rapaz forte, moreno, suado, a subir em direção ao sindicato. O rude veículo estava atulhado de livros. Algumas abas de papelão em tiras mal postas faziam a carroça balançar, contrariando as leis do equilíbrio, permitindo aos transeuntes uma interior torcida para que não caíssem.
    O sinal fechou, e a contragosto, o rapaz, fincando os suportes traseiros do carrinho no asfalto, resfolegante, parou. Com o impacto, parte da carga se espalhou pelo chão. Solidários, alguns passantes se apressaram em ajudar o moço. Foi aí que distingui no chão, um dos livros e consegui identificá-lo. Tratava-se de “O Verbo e a Carne”, escrito brilhante de Júlio Abreu e Herculano Pires. Aproximei-me mais e constatei que toda aquela pilha era de livros espíritas. Antigos, porém bem conservados, alguns com capas de papel de presente, dando a perceber o carinho de seu ex-dono. Caminhei na leitura de títulos imponentes, obras doutrinárias, opúsculos valorosos, esparramados ali no asfalto e amontoados no improvisado transporte. Meus olhos perpassaram por autênticas jóias da literatura espírita, com obras conhecidas, algumas raras, provavelmente a maioria já fora de catálogo, não mais encontradiços, suplantados hoje pelo modismo dos romances ocos e das obras de perquirições fracionárias, seccionistas. Ali, jogados ao léu, senti-os humilhados, a caminho de algum sebo, dos lixões, na reciclagem da celulose. Tesouro perdido, agora sem valor pelo não uso.
     E, não podem imaginar quanto, isso se repete de modo contumaz, intermitente, recidivante. Um amigo já me dissera: “as traças brasileiras são as mais espiritualizadas do planeta!”.
     É uma mania comum entre os espíritas esse apego, essa veneração aos livros, sendo muito constantes autênticas disputas domésticas pelo espaço reservado a eles, mesmo com o mofo e bolor, além dos cupins e as reclamações pertinazes e imperativas de esposas e filhos, quanto ao que normalmente rotulam de amontoado.
     Posso, de cadeira, afiançar que esta é uma perversa forma de escravidão a um dos pelourinhos do egoísmo, cujos agentes, ágeis, se apresentam como inclementes credores logo após nosso desligamento. O destino dos livros que lemos e temos deve ser as mãos e consciências de outros. E nesse universo devem estar, exatamente, aqueles que mais nos são agradáveis, úteis e caros. Tenho falado com amigos espíritas, agora e antes, de um propósito antigo, de se fazer uma grande feira, para que se esvaziem as prateleiras, os armários, e assim, muitos se livrem desses futuros dolorosos pesos, que se tornarão dívidas amargas, através de doações, trocas, intercâmbios, com preocupação doutrinária, não comercial. Não apologizo mais a formação das úteis, mas solitárias bibliotecas de empréstimos, visto que têm trazido, às casas, mais preocupação que benefícios. Exorto e conclamo sim, à cessão, à distribuição, a entrega fraterna, como a transferência de um bem precioso, como o são, para que possamos dessedentar nossos irmãos ávidos do saber elevado, colocando-os em contato com aquilo que nos ajudou a ser melhores, procedendo às corrigendas, evoluir.
    De certa feita em meu querido “Célia” fui presenteado por um querido irmão, de um exemplar de uma das mais recentes, à época, obras de Emmanuel, colhida por nosso amado Chico Xavier, -Palavras de Vida Eterna-. A dedicatória era efusiva e carinhosa.
   Após a reunião, abordado por um assistente vindo de área suburbana, foi-me solicitada uma ajuda a um núcleo espírita, que engatinhava em sua formação. Juntei mensagens, velhas publicações do Reformador, quatro das principais obras da Codificação de Kardec, e num impulso, retirando a amável mensagem do ofertante, coloquei o livro, presenteado pouco antes. A alegria do que recebia foi pronta, vivaz. Seu entusiasmo e gratidão só não foram superiores à grande surpresa que tive ao voltar de minha jornada terrena, quando, apresentados a mim os resultados de minha longeva permanência, pude constatar, na limitada faixa do saldo positivo, uma seqüência volumosa de créditos e comendas espirituais, vindos de pessoas desconhecidas, com quem, de memória, jamais contatei. Fui informado de que eram, na maioria, seres que tiveram a vida transformada, substancialmente mudada, numa casa espírita de uma comunidade de tugúrios, nascida sob a semente de livros que eu doei, dentre os quais aquele “livro novo”.
     O bom livro é uma lâmpada, e tê-lo, um compromisso. Retê-lo, uma falha. Compromissos têm duas conseqüências: dívidas ou créditos. 
     Tenho assistido pesaroso, a muitos irmãos queridos, mesmo pródigos em conquistas, experimentando sofrimentos atrozes, por não terem compartilhado a contento, seus conhecimentos e aprendizado. Muitos ainda percorrem os úmidos e escuros corredores e estantes, em busca de livros, lições não apreendidas. Não os encontram nas mãos dos que lendo-os, doutrinam (-se), mas nos monturos dos inservíveis, no lixo, nos sebos. São os que não entenderam que o melhor destino do livro é o de se dissolver de tanto ser compulsado, como o da vela, que se consome, iluminando.

José Martins Peralva – espírito-

(Mensagem recebida, em sessão pública no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará, pelo canal Arael Magnus, em 27 de Setembro de 2009)
Assista clipes de 400 músicas mediúnicas das mais de 1700 recebidas por Arael Magnus em
 www.youtube.com/user/TVINTERMEDIUM/videos?view=0&shelf_id=1&sort=dd
 e leia mais mensagens de  Arael Magnus emhttp://intermedium.spaceblog.com.br/

sábado, 7 de junho de 2014



A POESIA DE FLORBELA ESPANCA - espírito


            Florbela Espanca, na última romagem, foi notável poetisa portuguesa. Nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894 — e desencarnou em Matosinhos, a 8 de Dezembro de 1930, vítima de auto-morte, pela ingestão de barbitúricos.  O nome de registo era Flor Bela de Alma da Conceição Espanca. A sua vida terrena de trinta e seis anos foi marcante, embora tumultuosa, inquieta e cheia de questionamentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de sentimentos. 
           Hoje, após longo período em regiões tenebrosas, cuida de espíritos de crianças abortadas e está parcialmente integrada ao Projeto Alfa, coordenado pelo espírito de Padre Aldo. Sua poesia do além túmulo, ainda que melancólica e triste, é carregada de advertências, de didatismo espiritual, e revela a inutilidade da morte auto-provocada, bem como mostra os sofrimentos terríveis como consequência desse trágico expediente. 
           Compareceu o espírito da comunicante no dia 25 de Maio de 2014, onde seus versos foram colhidos em reunião pública no CEFEC, em Valparaíso de Goiás, pelo canal Arael Magnus.

SEM NOVA VIDA 

Devagarinho choro na escuridão da noite
Ao ver sumir na bruma o último navio
O vento toca-me o rosto como um açoite
Tal vela louca a baloiçar descendo o rio

Lá se vai agora mais uma triste esperança
Como muitas outras que ficaram perdidas
É mais um adeus que meu coração alcança
É uma nova morte de tantas loucas vidas

E o esforço é vão em descobrir caminhos
Faz-me delirar na beira, olhando ao céu
A descobrir na estrela as asas de anjinhos

E aquela lágrima solta traz-me à realidade
De nada adiantam gritos, o imo fogaréu.
Retorna meu lamento, envolto na saudade.

                                                     Florbela Espanca- espírito


ESTUPIDEZ

Achei fantasmas entre meus anelos
Depreendi graves erros em termos fúteis
os sonhos infantis não eram tão belos
por eles de mim perdi. São tolos e inúteis.

Ganhei da fantasia fuginte densidade.
Não soube assumir o compromisso tardo.
Preteri, pela mentira, a força da verdade.
Eu que era flor, verti-me em seco cardo.

Perdi na ocasião, bela oportunidade
de revelar ao mundo a fé, a humildade
a resignação divina diante do sofrer

E vi despedaçada a vida que sonhara
na saga criminosa, estúpida, ignara!
De anistiar a conta apenas  por morrer.

                                                  Florbela Espanca- espírito

OS MENEIOS DA DOR

Ao ressurgir a aurora de minha existência
Percebo que ao meu lado permanece viva
A cobrar a todo instante u’a postura ativa
A ansiedade plena de eterna consciência.

Fogem de mim os sentidos de excelência
Desejos que dormitam, numa alma esquiva
Os velhos fardos bóiam perdidos, à deriva
Palpitam antigas falhas em falsa anuência

Desperto a sombra então, pois inda vejo a lua
Abro-me o coração a esse amor belo, infinito
E saio a procurar por ti meu par em toda a rua

Percebo, entretanto que agora estou sozinha
Ainda que eu queira ninguém ouve meu grito
Remoo incessante. Triste é esta rotina minha.

                                                   Florbela Espanca- espírito

DAS PROFUNDEZAS

Encaro monstros que vociferam
Insultos, vis agressões...
E me esperam.
Vejo a lama que se espalha
Aos pés, tal correntes...
Oiço-" Delinqüente!"
E o resto de
misericórdia
Esmigalha.
Espreitam-me medusas!
confusas... lanças 
pontudas
Em feridas abertas, agudas.
Latejantes...oh! de mim suspeitam.
Nem minha miséria moral
respeitam!
A cabeça é um forno,
e o olhar feio, fosco, morno
Estraçalha
Débeis esperanças.
Uma paisagem de medo
esconde
em inconciso segredo.
o quase eterno exílio.
No vale perdido
se afundam
no enxofre e fumos que inundam
os que purgam
como eu 
tresloucados
atos.
Aprendo a rogar contrita e a
Pedir perdão,
Orar.
Oro. Choro, clamo...
lágrimas quentes derramo
Imploro, aflita.
São oito...
séculos ou anos?
Sequência de desenganos.
Os fatos
estão expostos em rasgados relatos
Como réstias debulhadas,
documentadas em testamento
Cobrando tudo, a todo
momento,
a justificativa
de que me esquivo
furtiva.
Nego,
mas logo depois ...
na desculpa vazia, escorrego.
Não se pode mentir a si!
Mas a isso nem me esforço.
E do que posso?
Já vomitei os venenos!
Ainda sinto que a injúria
Essa víbora traiçoeira,
causa de horrenda penúria
acusa-me
de torpe assassinato!
O libelo sustentado com ira
bem urdido mau senso.
E no cadafalso,
suspenso de novo,
meu crivo de covardia.
-"Estúpida!"- Grita o verme.
Prostro-me, em agonia,
inerme.
É muito alto o preço
De valor multiplicado.
A dor no remoer ... o pior presídio
a quem, 
mesmo loucamente
pratica o insano, pecado odioso 
tolo, Indecente,
do suicídio.

                                                  Florbela Espanca- espírito
BUSCAS

Todas as manhãs com o lirismo
Que tem o dealbar cheio de espera
Declamo versinho meu, quimera!
Tentando enxergar o pós abismo

Bem sei que a mim não oiço.Pusera
uma dose de humor, ou é cinismo?
Tentando abafar meu pessimismo
Ao colorir de rosa um olhar de fera

E nesse vai e vem, que é  exorcismo,
de compreender melhor o cataclismo
Da falha assim dantesca, medonha

Na ação intempestiva, cruel, estranha
Aceito a sentença que a mim se  imponha
Sou eu uma ré fiel do indeterminismo.

                                                Florbela Espanca- espírito 


MALDADE

Escuto gritos, que a mim rogam o socorro
São de crianças no estertor, gemidos
que invadem o ser assim pelos ouvidos
Eu, pouco viva, nesse tom, mais morro.

Faço u'a prece, elevado o pensamento
Pedindo a Deus que d'esses sofredores
Extinga o mal, que minimize as dores
E noto o silêncio com'um atendimento

Pergunto então, a alguém que me assiste:
Essa atroz angústia, por que o Céu permite?
A voz responde triste, tom frio, absorto:

"São vítimas de crimes cruéis, massacrados!
E sofrem a dor gigante, a dor dos rejeitados
São inocentes anjos. São vítimas do aborto."

                                          Florbela Espanca- espírito 

DANOS À ALMA

Eu era dona de mim, velejava
Sem rumo ou rota, sem destino
Assim velejava mar assassino
Sem regra, sem lei, e afundava.

Em todos coloquei culpa de atos,
justificante de conduta reprovável
Leviana, tal qual u'a irresponsável
Gurua mentirosa a camuflar fatos

Reclamante da vida, maldisse a sorte
Como se o mundo a mim tivera dívida
E fiz de minhas mãos a própria morte

A carregar pesada conta de remorso
Acordo presa ao medo, roxa, tesa, lívida.
E o reparar agora quero ver se posso!

                                           Florbela Espanca- espírito

A CAMINHO DA LIBERTAÇÃO

Estou tonta... não tenho o endereço
Tateio ensombrada os rasos do escuro
Busco  os caminhos no pisar inseguro
bem difícil, sei, mas não me esmoreço.

Semicega, fraca, mesmo assim prossigo
Quero a liberdade desse sofrer infame
Ouçam meu clamor, alguém a mim chame. 
E sinto a mão bondosa de um anjo amigo

Estremece o peito num antigo sentimento
Este é um resgate... É o meu renascimento,  
Nas trevas de minh'alma acende-se uma luz!

E saio conduzida, feliz,  no apoio, abençoada
Uma prece recito, grata, plena, renovada
incrustrada à chance que me dás, Jesus!

                                                  Florbela Espanca- espírito

VISITAS BALSÂMICAS

Torno ao túmulo, cumprindo um desejo
A terra mo é cara, sinto-me no lar, abrigo
Escuto ao longe o cantar,  um fado amigo
no mausoléu, pequeno céu, no Alentejo.

As árvores saúdam a invulgar figura
Mui diferente do que fora eu outrora
A abençoar como se pudessem, agora,
amenizar a dor que tanto a mim tortura.

E a brisa vespertina abraça  carinhosa
a soprar o meu rosto com suave olor
De perfume saído de uma flor- Viçosa

Ao ler a homenagem de quem bem me quer
Aceito desabrida essa expressão de amor
No carinho de tantos a tão frágil mulher.

                                                        Florbela Espanca- espírito


RENASCIMENTO

Por que não mo disseram os sábios
Nos momentos de grande aflição
Que se eu pusesse u'a fé nos lábios
Seria ouvida por Deus, em oração?

Deviam avisar-me um tempo antes
do grave erro que agora a mim corrói
Na certa, livre estaria, por instantes
d'essa intensa dor que a mim destrói.

Eu ouvira sim, falar de um Nazareno
que suportara a ingratidão do mundo
a manter a si sublime, altivo, sereno

Se hoje O descubro neste vale imundo
O faço no amor que dEle é todo pleno
A reviver em mim o novo ser, fecundo.

                                                        Florbela Espanca- espírito


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