quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A Poesia de Fernando Pessoa - Espírito -



Sou Eu, Mãe...


I

Cerrados os olhos ainda assim também enxergam
Entre escolhos dos escombros agros idos, exíguos.
Que neste infindo turbilhonar do éter a ti segregam
Criando interno hino lúdico, dos conceitos ambíguos.

Reminiscentes luzes, plangentes virtudes, te ergam,
No escoimar de jaças que te sucumbem aos perigos
Realinhar de forças das naturais feições que vergam
A descompromissar leis de incréus, retardos jazigos.

E como ao feito, do morto revivente da Betânia
Soluçante emoção, dissolvida em mirífico desvelo,
Estancados, loucos sentimentos, de agra cizânia
Gritantes, que prossegue a vida, e é em teu zelo,
Que osculo a cada um dos teus, Ó Lusitânia.
II
Doutro, onde destilo os mares do veneno, pregam
Que as pagas não bem pagas te sejam esquecidas
Em pleno exílio, doze mil velhos pecados renegam
as homenagens vãs, que do além foram rendidas.

Alhures espreitam apensos, qu´em laivos s´esfregam
No incorruptível tribunal avesso de tuas várias vidas
Louvando os insultos que nas dores a ti te entregam
Anatematizando inconsciências frias, ressequidas.

Tal como nau tornante deslizo olhar ébrio à linha litorânea
Encharcada de alegria, exulta, brilha, salta, aira, festejante
A assemelhar-me tresloucada alma, em incurável insânia
Gritando que prossigo redivivo, ativo, em ardor retumbante!
Neste apertar ao peito a cada um dos teus, Ó Lusitânia!
III
Vertigens de rolar despenhadeiros, dos quem navegam,
Na certidão ignota de bardos aventureiros sós, tardios
Impossivelmente circunscritas paragens que refregam
Com sonhos irreais dos sepulcros, a contemplar, vazios.

Sou eu mesmo, o que volta rogativo, aos que me negam,
Nenhuma tolerância aos imperceptos triunfos, nós vadios
Mas, toda bondade aviltada em amor que os ódios cegam
A este amor tão grande que no eu de mim derrota os brios

Sou eu mesmo, Mãe amada, semente torna extemporânea
Por nada ter de si, a ode te exorna em puro áureo acalanto
Querendo de ti sentir Olísipo, a grita, a paixão insucedânea
E repetir de inspirada harpa, bel fremir de eivado encanto
Amo-te, amo-te muito, amo-te sempre, ó minha Lusitânia!

Mas, como deplorei, tal que eu vejo- Milagre- não possam vê-las,
Lágrimas, de ao despejar brilhantes, mais que sóis, nem retê-las.

Fernando Pessoa- espírito
(Recebido pelo canal Arael Magnus, em sessão pública no
Celest- Castanheiras- Sabará, em 25 de outubro de 2009)



AMOR


Tomei, como de assalto, a mente a passar, alto, pela iluminada senda.
Roubei, com doces fluidos, os pensamentos e ruídos. Ceguei-os, sem venda.
É bem mais natural do que nos contam, e apontam. Nada místico. Só holístico.
Porque a sê-lo precisaria cotejar a religião do franco lionense, e então faria,
Habilitação em espiritualidade, com conceitos inamovíveis, de igrejas estanques.
Ou então me entronizar nos ritos esotéricos, misteriosos channelings ianques.
Ou (pior ainda!) me converter aos famélicos exércitos das ganãncias, histéricos.
Quem sabe me adestrasse na iniciática dos vedas, budistas, feiticeiros, alquimistas.
Mas disso não tive falta, de mim não se cogitou, ao menos, se crença eu tinha.
Talvez soubessem que não a tenho (nem ainda), a não ser a profissão da língua.
(Essa sim é minha religião, de humanas felicidades, meu Nirvana e meu Hades)
Se bem que, ando a desconfiar (desconfio), que, dentro, estou a promover desvio.

Hoje é mais incomum de vê-la, mas a mediunidade, por sê-la, veio antes de nós.
O sopro é superior à carne. No princípio, no meio e no fim, é o Verbo, é a Voz.
Eu mesmo, em pessoa (?), na última parada o fui, mediano “médium”, inconsciente.
Ou melhor, talvez fingida (?) inconsciência, porque eu sabia que o era, certamente.
Mas, sejamos justos comigo; Nem sempre eu o sabia. Só quase sempre, (de viés).
Psicografei de mim mesmo e admirava ler-me como a revelar-se um novo Moisés.
No fundo de meu baú garatujei mil reformas, em formas que nem Lutero sonhara.
Muito mais que Homero, fiz Ilíadas e Odisséias. De Camões, novo Lusíadas.
Até de Eça, Camilo, Antônio, Junqueiro, Vieira, recebi em inconsciente transe.
De Lacerda, alternei, ora ele, ora eu. Hoje recebo Saramago (... o cenho franze).
Vi, de Ulisses, os trabalhos em sua pole, e carreguei a flor, que fiz na via feliz.
De Tagore os meus versos vicejaram, copiados, copiosos, opiosos. Foi de mim,
“-Não podes ver o que és. O que vês é a tua sombra.” - Eu quem disse isso, sim.

Mediunidade, ponte, travessa, dupla pendência, canal de força, divina demência.
Well, I can almost see the end of the tunnel. After all...

Só me enxerguei por normal quando heteronimicamente escrevia. Fingia.
Nunca aceitei “por quê?” isso não seja pasta obrigatória, de ensino elementar.
Sou a um só tempo “médium” e mentor, canal e avatar, e penso, apesar de...
Bernardo, Caeiro, deles era fonte, passagem interferente, canal, primamente.
Com o Álvaro difere, porque era ele quem o era, eu pensava, ele não. Então...
Talvez por isto não o tenha mais visto, nem a Crowley na imensa sala de estar.
Se bem que de muitos nem notícias tenho. Tantas que, sem graça, perguntas faça.
É como na coxia dos teatros: palavras doces se azedam e as máscaras se quedam.
Eu mesmo ficava a pensar que era bem pior do que o sou, estaquei na tangente.

Ninguém pode imaginar quanta decepção espera belos “santos” graúdos, sisudos... Ah...
Recheados em galardões e ungidos em cantochões, de auréolas postiças, clamam.
Ficam na fila, regurgitantes, a exigir, dedo em riste, um “pouco mais de respeito”. Triste.
Muitos até se nomeiam credores, mas trazem marcadas na testa, por falhas, a besta.
Quanto mais argumentam a se justificar, mais o lodo revolvem, e os pesos os envolvem.
Outros, surpresos, extáticos, aturdidos ficam. Nem crêem, quando ao pódio são trazidos.
São os melhores, são muitos, que por santa humildade pedem nova conferência. Mudos.
Remoem a duvidar que fizessem tanto bem. Não crêem, mas são os melhores. Em tudo.
Invariavelmente, rogam retorno à lida. Não à vida, mas ao trabalho, e na faina se doam.
E são, estes, a salvação, os anjos de guarda, a proteção na crosta. Inteiros se doam...
Claro, os invejo, porque sempre representam o desejo do que se quer ser. Entoam,
Que a religião deles é Amor, a única, verdadeira, que Deus Criador, se a tiver, deve ter.

Fernando Pessoa (by Richard Kings)– espírito –
(Recebido pelo canal Arael Magnus, em sessão pública
 no Celest- Castanheiras- Sabará, em 25 de outubro de 2009)


CHIADO

Ainda me calavam fundo as emoções no peito
Setenta e dois dias depois de receber o preito:
Homenagens pelo meu inacreditável centenário.
Ali, naquela praça, feliz sorvi o amor, o respeito
De amigos de hoje e d`antes, meio sem jeito
Cantei, dancei, chorei, no meu aniversário.

Mas aí... sereias latejaram sentidos a-dor-mecidos.

Percebi meu coração arder, como infinita brasa
A consumir-se inteiro em dor ímpar, profunda
Não é dor comum, porque aquela a tudo arrasa
É sem limite ou termo. De fogo o mundo inunda.

Sinistra coluna espessa de malcheiroso fumo
Subia a afrontar o céu, mudando o tom e o rumo
A rodo destruindo de modo grosseiro, pavoroso.
Avermelhando os ares, labaredas desafiantes
Faziam aparecer num amado cenário de antes
Um gigantesco inferno, mais quente, tenebroso.

A média pombalina ardeu, em feérico fogo e pranto
No incêndio o coração a derreter saudoso encanto
Marca de dor dantesca, apreendida, em cada rosto
Descomunal miséria moral, caindo sobre escórias
Calcinando os fatos, abraços, imortais memórias
Lágrimas sem fim de um vinte e cinco de agosto

Vi anjos, chamuscados, segurar, de águas, ponteiras
Co’s heróis de Cacilhas, sem nome e lugar, maneiras
de abafar devorador monstro, vertedoiro de tudo em tição.
Horrendo demônio a estrangular a aura, a alma, o coração.
E agora, revivendo, amargado, petrificado espectro vejo
O chorar incontido, tão dorido, inda a transbordar do Tejo.

Fernando Pessoa via Bernardo Caeiro - espírito
(Recebido pelo canal Arael Magnus, em sessão pública no Celest- Castanheiras- Sabará, em 25 de outubro de 2009)



Pedido

Olhando pelo fixo monóculo de minhas imagens fátuas
Reivindico aos pombos mais respeito com as estátuas.
                                                                                            (Fernando Pessoa)- espírito


Poesia Brasiliensis

Versejar desta maneira, em modos de verbos novos
É em rua de cascalho, descer u’a carroça com ovos.
                                                                                             (Fernando Pessoa)- espírito

(Recebidos pelo canal Arael Magnus, em sessão pública no Celest- Castanheiras- Sabará, em 25 de outubro de 2009)

assista o vídeo psicofônico em http://www.youtube.com/watch?v=iwk1OONse4I

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Poesia de Manuel Bandeira - Espírito -




Alegre Saudade


Sou seca flor de abril, ralada, triste e morta
Fundida na calçada do entorpecimento.
Gusano, olor de tépido indene passamento
Pendido caule estanque no peá da Porta.
 

Sou sombra do que fora quimérica imagem
No explodir de sonhos, alma leiga e impura
Tateante rastelo que a murmurar procura
Perdidas existências de invulgar paragem
 

Sou menos, muito menos do que canta a lira,
Perturbador mutismo o anoitecer suspira
Extensa reticência interrompendo a prosa

Agradecido sou por vela, incenso e prece,
Abraço quem comigo no abraço reconhece
O velho peito ardendo a saudade de Rosa.


Manuel Bandeira - (espírito)



(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará)



DESCOBERTAS


Descobri, como Colombo, um novo mundo, conhecido.
A surpresa foi tão fosca que julguei nem ter partido.
Certeza tive, (na mosca!), que não era igual outrora
Por ver que o carteiro nem pôs na caixinha lá de fora
o maço impagável de contas, sempre muito volumoso.
Neste lado o sistema é bem menos tributoso.


Como não, de muito, estou “em dia” com todas.


Manuel Bandeira - (espírito)



(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará




FRANCISCÂNTICO



No estro da ufania recantarei meu canto
róseas esperanças e anelados sonhos
Vivendo na miragem desejos risonhos
Correndo nas pastagens de um salmo santo

 


Se não possuo forma sobrará, no entanto
Em novas alamedas, quedos versos bisonhos
Bordando em mil sorrisos soluços tristonhos,
No festejar do Bem, pelo estancar do pranto




Miríades de estrelas refulgem no horizonte
Espalhando a nobreza num mar de Anacreonte
Crispando a imensidão coberta com seu véu.




E choro de contente, saudante vejo, longe,
Na singela figura, luminescente monge
Que olha para baixo para ver o céu.




Manuel Bandeira - (espírito)




(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará



PROCURA-SE VIVO OU MORTO



Quero saber se alguém sabe
Se oculistas competentes
Costumam vir para cá, d´onde agora isso teço .
O Ovídio não apareceu e meus óculos, de ruins,
Só servem mesmo, de jeito, pra uma lata de lixo.
Preciso com boa urgência, que sejam multifocais.
A consciência humana às vezes fica nos óculos,
Pois impõe a que saiba cada um,
Ao menos, onde está a ponta de seu nariz.
Quero saber se alguém sabe.



Manuel Bandeira - (espírito)



(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará



VAGAS



O mundo inteiro, até o Rio,
Podia fazer jejum,
Demorado, de violência.
Verdadeira abstinência,
Estendida, bem comprida,
De maldade e covardia.
Podia fazer jejum
De malquerência urbana.
Seria muita alegria.
O rio, e o mundo inteiro
Fariam com exagero
Festivais de amizade,
Que tal, solidariedade?!



Aí, (quem me dera! Pudesse...)
O anjinho que olha atento
a porta d´almas defuntas
Podia colar a placa
de que “Há vagas no céu.”
Pro Rio e pro mundo inteiro.



Manuel Bandeira - (espírito)



(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará





Canteiro de Amor


Desvio
O frio,
Vazio
No fio
De lembranças bem curadas.
Espio
Crio
E rio
recrio
embainho libélulas em fadas.
Porfio,
utopio,
afloro o estio,
Do amor, rocio
Espiciforme, das sementes espalhadas.


Manuel Bandeira (espírito)




(Recebido em reunião pública no dia 18 de Outubro de 2009, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará


Ouça músicas mediúnicas recebidas por Arael Magnus clicando no link
http://www.youtube.com/tvintermedium?gl=BR&hl=pt
leia mais mensagens deArael Magnus em http://intermedium.spaceblog.com.br/

terça-feira, 13 de outubro de 2009

À Qui Intéresser Puisse- (A Quem Interessar Possa))




Mais do que diletante intromissão, cumpro um dever, registrando desconfortável ponto de vista, após detectar distância e indiferença, e porque não dizer, grave abandono dos preceitos basilares da Doutrina, por parte de muitos irmãos de jornada, diante de notáveis questões que afligem, atingem e desestruturam no plano terrestre, a Humanidade, como um todo. Rogo antes, o perdão pelo entusiasmo que possa magoar, o entendimento pela indignação que insiste em clamar, e paciência pela ignorância que não se desprendeu deste obtuso aprendiz.

Além de espectador, (eu creio nisso!) o que recebe em seu coração as imperecíveis luzes da sabedoria consoladora da doutrina de Kardec, tem que ser participante, e arauto ativo de verdades às quais teve acesso, independente da reação, das resistências, do atrito que possa advir. (même si répétitifs)

Razões e conceitos precisam ser consolidados, para que integrem o trivial. Mais que isso, disseminados. Entendo que o espírita verdadeiro, que Kardec chama de homem de bem, tem a consciência acerca de seu papel norteador na sociedade em que vive, e menos que seu saber e conhecimento, menos que sua compreensão e abrangência, e muito além de ortodoxia engessante, estão o seu exemplo e a manifestação de seu pensar, de suas certezas, externados de público, ainda que sob o fogo da pressão, dos apupos e da incompreensão do mundo. Constata-se hoje que “muitos jogam para a torcida”, fugindo do embate, “comme un chat échaudé”.

Lamentavelmente, temos assistido às evasivas e fugas de companheiros de propalado quilate, dirigentes de honrosas instituições, que na abordagem de temas cruciais e polêmicos, se contorcem em “excuses lambeaux de raisons étrangères” declinando o salutar confronto, no debulhar das dúvidas, mesmo diante de ostensivas deturpações dos princípios que regulam a conduta cristã, humana e equilibrada.

E “justificando” essa deserção, apelam para a resignação, para a não violência, para abstenção do escândalo, ”un camion rempli de bêtises”, loneado por inaceitável comodismo, falta de compromisso, debilidade e medo. Conclamamos a estes uma retomada de postura, na recuperação da identidade espírita cristã. Porque omissão também é escândalo. Tibieza não é compatível aos ensinamentos colhidos. Si nous ne voulons pas qu'il existe des martyrs, nous rejetons la présence de lâches.

Num momento decisivo, de alteração de rumos, de transformações na vida dos povos, o seguidor espírita, na liberdade que lhe faculta a percepção esclarecida, e na obrigação que lhe impõe a quota de envolvimento com o mundo a seu redor, não pode recuar, nem proteger-se a si, sob qualquer pretexto, precisando externar, revelar a todos, da forma que lhe couber, sua opinião, seu modo de pensar, porque este é o tributo exigido a quem foi facultado subir o degrau do esclarecimento, trazido pelo Paráclito Consolador. “Coûte que coûte.” Ousem, e os anjos pensarão suas feridas.

Entre muitas questões das mais relevantes, podemos citar a epopéia de baluartes diante da eutanásia, do aborto, da pena de morte e do suicídio. E como nos orgulhamos pelo vislumbre de vultos extraordinários, que emergindo de humildade silenciosa, inculcaram sábias lições que perduram. Pelo esclarecimento promoveram a defesa da vida, na revelação das conseqüências pela transgressão da Lei Divina, aos que cometem, estimulam ou permitem as inaceitáveis barbáries. Assim era num passado próximo. E nem de longe podemos avaliar os benefícios que essas démarches trouxeram. Hoje, entretanto, há comprometedora indiferença, distância, cegueira. Aqui e ali se ouvem murmúrios e muxoxos onde se deveria bradar o clamor, ribombando os sons da revelação que preserva, defende e valora a vida.

KARDEC, em sua saga dos 15 anos, abriu o peito, encarou a ignara turba, sem melindres e receios, (Graças a Deus!), para nos herdar a compilação do Grande Código da Vitória, na acepção mais profunda e sublime, que é a do Bem sobre o mal, da sabedoria sobre a ignorância. Aclarou-nos as sendas, explicando e ensinando, convertendo as interrogações em exclamações de júbilo, pela descoberta dos motivos da existência. Ninguém, em nenhum lugar, trouxe aos ensinamentos do Mestre Nazareno tanto descortínio e clareza quanto o lionês abençoado. E cabe aos que se abrigam sob a Verdade Consoladora, apregoar ao mundo esse pavilhão insuperável.

É precioso que as colunas de espíritas que não acordaram para estes alertas, se abalem, se movimentem, se desprendam de seus bordões teóricos, superficiais e inócuos, e personifiquem, em pensamentos, palavras e atos, o grande tesouro de que tomaram posse, conhecimento e ciência. Mas se isso dá os privilégios da sabedoria, decreta a ação eficaz, intimorata e exemplar. Recolhemos aqui o versículo luminoso do apóstolo Thiago em sua carta, 4:17, de que “ aquele que conhece o bem e não o pratica, incorre em grave falta, comete pecado”, complementado por “a quem muito for dado....”

Estamos, no planeta, na iminência de graves e profundas metamorfoses sociais, que já interferem nas estruturas da moral, da família e dos costumes, e na própria viabilidade da existência terrena. “Les temps sont arrivés.”

Mas, o que se assiste é o avanço de institutos que atrasam a evolução da espécie humana, retroagindo a comportamentos atávicos, de nosso instinto mais imperfeito. Recentemente se discutiu a autorização legal do aborto no Brasil, dissimulada sob a lei da anencefalia. O que presenciamos foi um fanfarrear de argumentos falsos para colorir matança hedionda, nos moldes mais repugnantes. Poucas (sábias e corajosas, mas reduzidas) vozes em defesa do direito de viver, se levantaram no meio espírita. Não se trata de ser contra ou a favor, em essência, mas de mostrar o “porquê” se posicionar contra a interrupção voluntária da vida, sob quaisquer álibis. E a Doutrina Espírita, pela planilha lógica e racional tem, sem dogmas, sem preconceitos, sem freios de consciência, condições de expor de modo irrefutável, os motivos, os efeitos, os precedentes para essa postura inflexível e determinada. Mas, além de crer e saber, é preciso “botar a cara”, na ação, na peleja, espalhando a semente.

Muitos confrades, desestimulados até por notáveis das casas e congregações diretivas, preferem as sombras de biombos da letargia e da inércia. À maneira de credos egocentristas, escolhem para ninhos os chamamentos ideológicos, filosóficos, com a salvação de si mesmos, (como se isso fosse possível). A estes concitamos a reação pela régua do Evangelho, no “Segue,me!” exortado por Aquele que trilhou o espinhoso caminho do Gólgota.

Assim como se explicam, pela Doutrina, as causas e as conseqüências das atitudes humanas, é preciso penetrar, se imiscuir, se entranhar em questões cotidianas, de relevância para o espírito. Não é necessário que se faça o proselitismo ou se mobilizem forças para aumentar quadros. O reflexo e o exemplo serão sempre melhores para as adesões espontâneas.

Ninguém se torna espírita por mera “échange de wagons”. Como a um lente de mestrado cabe esclarecer os que ainda estão em níveis inferiores, sobre a importância em estudar, dedicadamente, para aprender, evoluir, e ao mesmo tempo, dirimir dúvidas, apontando melhores caminhos, compete ao profitente kardequiano o deslindar lógico dos intrincados problemas derivados da ignorância, das forças retrógradas, do atraso. Não é querer guindar o outro a níveis para os quais ainda não está pronto, mas estimulá-lo a chegar ao alto. E, creiam, a Lide Cristã, na plataforma proposta, é o doutorado espiritual dos indivíduos. O título e o anel, de per si, porém, nada valem. “Le réglage provient de la pratique”.

Uma Voz da Verdade que se levantar a mais faz enorme diferença. Proclamar que liberdade é conquista que agrega direitos e abriga deveres faz bem à educação de todos. Enfatizar que nossas opções, dentro da faixa de livre arbítrio, correspondem à intransferível colheita de amanhã, é medida de peso. Abordar com judiciosa análise, temas como o aborto, pena de morte, eutanásia, suicídio, fanatismo, drogas, desvios sexuais, perversões morais, ganância, materialismo, tirania, e outras áreas de contundência, onde o balizamento espírita preponderará, - pela lógica, pela racionalidade, pela compreensão da Justiça e da Misericórdia de Deus-, a favor da evolução (et seulement ça!), é o que se postula.

Esta empreitada não se restringe a um “jeu de mots inutile”, mas à vanguardeira tábua de tarefas, colocadas ao mundo, ainda que sob a censura, o escárnio, a descrença, de quem ainda não a alcança. O orbe terreno se aproxima de decisivas transformações. Não tardam as trombetas e clarins ecoarem, nos céus das consciências, o alvorecer da vindima. “Travailleurs à la dernière minute” arregaçai as mangas!. Corre, porém, a recuperar o tempo, porque consta a informação de que, no movimento espiritista da última década, só duas coisas cresceram com destaque : as livrarias e as almofadas das poltronas dos centros. Não deixemos que isso prossiga.

Levantem a bandeira do Mestre Jesus, através da Fé Raciocinada, da Pluralidade das existências, da Comunicação entre os espíritos em quaisquer dimensões e por diversos instrumentos, da Caridade praticada, concreta, substanciosa e efetiva. Mas falem e abordem também, os temas pulsantes, polêmicos, pontificando o testamento deixado por Cristo, desembaciado pelos emissários divinos, revelados ao Codificador. Tudo para que a capa brilhante do trigo não seja enganoso revestimento de envenenado joio.

«... son essence même est la clarté, et c'est ce qui fait sa
puissance, parce qu'elle va droit à l'intelligence.
Elle n'a rien de mystérieux, et ses initiés ne sont en possession d'aucun
secret caché au vulgaire.”- AK

"... Sua essência é a clareza, e é isso que faz com que seja
poder, porque ela vai direto para a inteligência.
Não é misteriosa, e os participantes não estão em posse de qualquer
segredo escondido, para alguns. "- AK

J. Freitas Nobre – espírito -
Mensagem recebida em reunião pública, pelo médium Arael Magnus, no Celest – Centro Espírita Luz na Estrada – Sabará- MG em 11 de Outubro de 2009.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Milagre e o Veneno


Mesmo com o sol alto, o vento frio incomodava o pequeno Jochanam. Protegido por um arbusto, brincava com pedrinhas na areia, levantando-se, de vez em quando para olhar ao longe. Esperava algum sinal da caravana de Jesus e os discípulos.

Estava ali, na estrada do pequeno vilarejo, na Betânia, a pedido de Marta, amiga de Ashira, sua mãe. Ao fundo, no caminho que liga a parte leste de Jericoh, percebeu grande movimentação. Eram muitos. Seguramente só poderia ser o Mestre Galileu e seus seguidores, visto não ser comum tal movimento em plena quinta feira. Ele voltou correndo, e na colina foi ter com Marta, que, avisada por outros, já subia:

- Eles estão chegando, eles estão chegando... - dizia, afobado, Jochanan - até ser amparado por Ashira que também cuidava da irmã de Lázaro, morto desde domingo.

Ao lado, a apoiar-se numa bengala de fina lavra, incrustrada com madrepérolas, Caleb seguia a caravana, enquanto ia conjeturando com Ephraim:
- Pobre mulher - dizia ele em tom diverso - deveria já estar cuidando de suas coisas... O irmão deixou muitas terras, vinhedos e olivais... Ficou sozinha com a outra, Maria. – e com ar interesseiro acrescenta - Vão precisar de alguém como eu para cuidar dos negócios....

O companheiro, notando o olhar cúpido, a ambição voraz do comerciante judeu, adverte:
- Vá devagar Caleb... Lázaro detinha o respeito do Sinédrio... E eles devem proteger as irmãs...

- Claro... Eu sei... Mas não hesitarei em me oferecer para participar... Temo que elas, com a pouca experiência possam deitar fora a herança... - e arrematando com um olhar no futuro - Isso também vai modificar o meu conceito junto a Caifás... e aos sacerdotes...

Já no alto do caminho, Marta e a pequena comitiva enxergam Jesus e os seus que se aproximavam.
- Mestre... Se estivésseis aqui Lázaro não teria morrido... - disse Marta, de joelhos.
Levantando-a e confortando-a nos braços, Jesus falou:
- Marta... Acalme-se... Tenha fé simplesmente... Seu irmão ressuscitará!
- Sim, Senhor, eu sei... Ressuscitará nos últimos dias...

Olhando em derredor Jesus pergunta por Maria, a outra irmã. Informam-no que ela ficara em casa, junto a outros, pois conforme a tradição, aquele era o quarto dia e a pedra do túmulo fora totalmente rolada. Com os olhos fixos na irmã do amigo, Jesus falou, em meio a grande silêncio que se fizera:
- Marta... Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crer em mim ainda que pereça, jamais morrerá!

.......................................
Jesus se dirigiu com os apóstolos ao jardim onde se encontrava a sepultura, uma caverna no sopé da colina. Por sua vez, Marta, pressentindo que algo de extraordinário iria acontecer, foi buscar a irmã.
Caleb e Ephraim acompanhavam tudo, de perto.

- Você viu?!- diz Caleb, cutucando o outro com a bengala - E dizia-se amigo do infeliz morto!... Amigo!...- tartamudeia - enquanto o coitado morria doente, ele estava longe. Dizem que curando os estrangeiros, fazendo as mágicas, bem longe... - e dando de ombros, completa - Esse povo é muito fácil de ser enganado... Ingênuos, deixando-se levar por esse místico, um embusteiro... Também – conclui – o que esperar de quem vem da Galiléia...
Sem objetar, mas sem concordar, Ephraim fez meneio de resignação, e foram para onde Jesus estava com os discípulos e as duas irmãs.

De onde estavam, ouviram quando foi dada a ordem aos ajudantes para retirarem a pesada pedra que vedava o túmulo. Também entenderam - porque grande era o silêncio àquela hora - quando o Rabi, com as mãos aos céus, orou:

- Pai, eu vos dou graças, por atenderes ao meu pedido. Vós que estais em mim e comigo fazeis isto para a para Vossa Glória, para o fortalecimento da Fé...

Com autoridade sublime, olhando para dentro da sepultura, ordena:
- Lázaro... Levanta-te... Vem pra fora!

O Milagre, o maior de todos, se deu. O silêncio foi quebrado por gritos e choros de júbilo e aclamação. Em pouco tempo, Lázaro estava livre das ataduras que o prendiam. Alguns, apavorados fugiam de um lado a outro. Aterrados agradeciam a Deus. Abraçados, Lázaro, Jesus, Maria e Marta, em santa euforia, deitavam lágrimas de gratidão, marcadas em suas faces e panos. Aturdidos, os apóstolos davam Graças aos Céus.

Um pouco afastado, com expressão de assombro, Ephraim, com olhos fixos no amigo, comenta emocionado:
- Acabamos de ver um milagre impressionante, Caleb! Isso só pode ser coisa de Deus... Lázaro ressuscitou!

O negociante sagaz, vendo malogradas suas ponderações preconceituosas, sem disfarçar sua decepção, cofiava a barba rala, deixando à mostra os dentes amarelados. Pensativo, em sorriso irônico, completa

- É... Tudo bem... Ressuscitou sim... Mas observe bem o detalhe: a túnica que cobria Lázaro está toda enlameada... Toda suja... E cheira mal... – e com a mão no nariz, saiu, vociferando - Como fede!

Diz a tradição que Caleb esperou em vão outro Messias até sua morte. Suas gerações posteriores permaneceram nessas convicções e o veneno de suas insinuações se espalhou por todos os cantos da Terra, estando entre nós, nos lábios de muitos, até hoje.

Pe. Aldo – espírito-

(Mensagem recebida por Arael Magnus no Celest - Centro Espírita Luz na Estrada – Sabará - MG, em 3 de Maio de 2009) fundoamor@gmail.com

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Sebo do Egoísmo


O SEBO DO EGOÍSMO

“Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama.
Ele a coloca no candeeiro, a fim de que todos os que entram, vejam a luz.”

Lc, 8:16


O egoísmo está na origem, no miolo, de quase todos os males do mundo, e nem sempre é detectado, percebido, pela sutileza com que se apresenta, residindo aí um de seus grandes e tenebrosos perigos.

E esse monstro feroz que habita nosso interior, se manifesta e se insinua de maneiras mais diversas, mais complexas, sendo refolhado para ser confundido, com virtudes como o zelo, a proteção, o amor. É o egoísmo um destruidor voraz de valores e princípios, e que merece de cada um, acurada atenção, por seu permanente efeito em nossas instâncias mais íntimas.

E no espírita, consciente de sua enorme responsabilidade em poder carregar esse distintivo, avulta-se a vigilância ainda mais profunda, para que, perdidas as chances não sobrevenham à consciência, as sombras do remorso, do arrependimento.
Narro-lhes o fato que se passou comigo, ainda recentemente.

Após concluir empreitada de visita a hospital em Belo Horizonte, onde, junto a dois luminares de elevada compleição moral, realizou-se o apoio ao retorno ao mundo etéreo de determinado amigo, decidi, para matar a saudade, andar pelas ruas e avenidas de particular afeição, na capital mineira. Dispunha ainda de algum tempo, enquanto meus dois acompanhantes cumpriam outros afazeres, onde minha presença não era necessária. Desci, com a alegria do reencontro, a avenida do hospital, em direção ao centro, parando um pouco no grande cenário verde, do parque onde andei tantas vezes, com alegria. Observei pessoas e lojas, marcas do progresso, e estendi olhar carinhoso ao prédio da antiga redação, ainda ali, renovando-lhe no sentimento as luzes da gratidão e da alegria, por serem capítulo especial na romagem carnal recém completada.

Na esquina da Escola de Direito, ainda absorvendo os ares de uma saudade singela e agradável, meus sentidos se voltaram para um carrinho, rangente de pesado, puxado por um rapaz forte, moreno, suado, a subir em direção ao sindicato. O rude veículo estava atulhado de livros. Algumas abas de papelão em tiras mal postas, faziam a carroça balançar, contrariando as leis do equilíbrio, permitindo aos transeuntes uma interior torcida para que não caíssem.

O sinal fechou, e a contragosto, o rapaz, fincando os suportes traseiros do carrinho no asfalto, resfolegante, parou. Com o impacto, parte da carga se espalhou pelo chão. Solidários, alguns passantes se apressaram em ajudar o moço. Foi aí que distingui no chão, um dos livros e consegui identificá-lo. Tratava-se de “O Verbo e a Carne”, escrito brilhante de Júlio Abreu e Herculano Pires. Aproximei-me mais e constatei que toda aquela pilha era de livros espíritas. Antigos, porém bem conservados, alguns com capas de papel de presente, dando a perceber o carinho de seu ex-dono. Caminhei na leitura de títulos imponentes, obras doutrinárias, opúsculos valorosos, esparramados ali no asfalto e amontoados no improvisado transporte. Meus olhos perspassaram por autênticas jóias da literatura espírita, com obras conhecidas, algumas raras, provavelmente a maioria já fora de catálogo, não mais encontradiços, suplantados hoje pelo modismo dos romances ocos e das obras de perquirições fracionárias, seccionistas. Ali, jogados ao léu, senti-os humilhados, a caminho de algum sebo, dos lixões, na reciclagem da celulose. Tesouro perdido, agora sem valor pelo não uso.

E, não podem imaginar quanto, isso ocorre de modo contumaz, repetido. Um amigo já me dissera: “as traças brasileiras são as mais espiritualizadas do planeta!”.

É uma mania comum entre os espíritas esse apego, essa veneração aos livros, sendo muito constantes autênticas disputas domésticas pelo espaço reservado a eles, mesmo com o mofo e bolor, além dos cupins e as reclamações pertinazes e imperativas.

Posso, de cadeira, afiançar que esta é uma perversa forma de escravidão a um dos pelourinhos do egoísmo, cujos agentes, ágeis, se apresentam como inclementes credores logo após nosso desligamento. O destino dos livros que lemos e temos deve ser as mãos e consciências de outros. E nesse universo devem estar, exatamente, aqueles que mais nos são agradáveis, úteis e caros. Tenho falado com amigos espíritas, agora e antes, de um propósito antigo, de se fazer uma grande feira, para que se esvaziem as prateleiras, os armários, e assim, muitos se livrem desses futuros dolorosos pesos, que se tornarão dívidas amargas, através de doações, trocas, intercâmbios. Não apologizo mais a formação das úteis, mas solitárias bibliotecas de empréstimos, visto que têm trazido, às casas, mais preocupação que benefícios. Exorto e conclamo sim, à cessão, à distribuição, a entrega fraterna, como a transferência de um bem precioso, como o são, para que possamos dessedentar nossos irmãos ávidos do saber elevado, colocando-os em contato com aquilo que nos ajudou a ser melhores, procedendo às corrigendas, evoluir.

De certa feita em meu querido “Célia” fui presenteado por um querido irmão, de um exemplar de uma das mais recentes, à época, obras de Emmanuel, colhida por nosso amado Chico Xavier, - Palavras de Vida Eterna-. A dedicatória era efusiva e carinhosa.

Após a reunião, abordado por um assistente vindo de área suburbana, foi-me solicitada uma ajuda a um núcleo espírita, que engatinhava em sua formação. Juntei mensagens, velhas publicações do Reformador, quatro das principais obras da Codificação de Kardec, e num impulso, retirando a amável mensagem do ofertante, coloquei o livro, presenteado pouco antes. A alegria do que recebia foi pronta, vivaz. Seu entusiasmo e gratidão só não foram superiores à grande surpresa que tive ao voltar de minha jornada terrena, quando, apresentados a mim os resultados de minha longeva permanência, pude constatar, na limitada faixa do saldo positivo, uma seqüência volumosa de créditos e comendas espirituais, vindos de pessoas desconhecidas, com quem, de memória, jamais contatei. Fui informado de que eram, na maioria, seres que tiveram a vida transformada, substancialmente mudada, numa casa espírita de uma comunidade de tugúrios, nascida sob a semente de livros que eu doei, dentre os quais aquele “livro novo”.

O bom livro é uma lâmpada, e tê-lo, um compromisso. Retê-lo, uma falha. Compromissos têm duas conseqüências: dívidas ou créditos. Tenho assistido pesaroso, a muitos irmãos queridos, mesmo pródigos em conquistas, experimentando sofrimentos atrozes, por não terem compartilhado a contento, seus conhecimentos e aprendizado. Muitos ainda percorrem os úmidos e escuros corredores e estantes, em busca de livros, lições não apreendidas. Não os encontram nas mãos dos que lendo-os, doutrinam (-se), mas nos monturos dos inservíveis, no lixo. São os que não entenderam que o melhor destino do livro é o de se dissolver de tanto ser compulsado, como o da vela, que se consome, iluminando.


José Martins Peralva – espírito-

(Mensagem recebida, em sessão pública no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada- Castanheiras- Sabará, pelo médium Arael Magnus, em 27 de Setembro de 2009)Ouça músicas mediúnicas clicando no link
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Abertura de Consciências e Horizontes


“O ser Humano não é capaz de imaginar o que não existe”-
Albert Einstein

Esta frase do conceituado físico moderno descortina um parecer que deveria ser analisado pelos que buscam a Verdade com o sincero desejo de encontrá-la, e para tanto, despidos de todo e qualquer preconceito, juízo prévio. A afirmativa consagra a condição do ser atrasado, ainda em evolução, muito distante do Absoluto, falível, carente e semicego, que o são, em síntese os que vêm para a Terra no cumprimento de suas tarefas. Desta feita, uma análise desse intrigante - e desconfortável para muitos-, axioma, nos revela que, de alguma maneira, em algum lugar, de alguma forma, em tempos diversos, tudo aquilo que nosso pensamento, nossa imaginação, nossa intuição puder conceber, existe. Na oportunidade em que nos trazia essa conclusão, o cientista assustava à sociedade intelectual, ao afirmar que a imaginação era sempre melhor, maior e mais importante que o conhecimento.

Não foi exposto, mas sub-apreendeu-se que as obras, os inventos, os feitos consagrados a seus autores, são cópias, lembranças ou frutos de revelações externas, misteriosas, místicas, enfim.

A intuição foi citada como uma das geratrizes desse fenômeno, e justificando sua revolucionária “Teoria da Relatividade”, declina o cientista que obteve estas conclusões, com a frase: “I started to think about what I didn´t know!” - Comecei a pensar sobre o que eu não sabia!

Afinal, estagnados diante das teses cartesianas (Cogito, ergo sum - Penso, logo existo)- “isso se torna Ilógico, inaceitável, incompreensível”, bradaram os adeptos da ortodoxia filosófica. No entanto, quem traz essa prédica não é um qualquer, do vulgo ou do “fanatic team” mas aquele a quem foi atribuído o mais elevado quociente de inteligência (QI) que a sociedade contemporânea pode mensurar. Declarando sua crença em Deus, Einstein também pontificou o seu lado místico. Corroborando uma lei consagrada por Antoine Laurent Lavoisier - (Dans la nature rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme ...) e o ensinamento espiritualista completa...(et évolue), o cientista germano-judeu, que até hoje assombra por conclusões atômicas macro e microcósmicas, consolida para nossa civilização um entendimento novo. Compreensão que ao longo dos séculos vem sendo repetida por luminares, líderes espirituais, cientistas, filósofos, sábios, bíblicos profetas, místicos na essência, mas que encontra resistência na ignorância renitente e limitação reinantes, barreiras intransigentes de incredulidade empedernida, viciosa, dogmática.

A insistência recrudescida em abominar e lançar anátemas contra todos os que se assanham em “perscrutar o insondável”, longe de identificar sabedoria, esconde fraqueza, medo, e entranhado egoísmo, pois os que assim agem se sentem abalados em suas convicções, estremecidos em seus pseudo-fundamentos. Revelam temor, pavor mesmo, aos berros de “Dies der Verdammnis Schreckgebot!” - Este é o mandamento terrível da condenação do diabo!”- no eco da wagneriana saga. E olham para o Céu, assumindo ares de paladinos bastoneados da divindade, como se a eles fosse dada tal autoridade!

Com o advento das portentosas conclusões auferidas na doutrina dos espíritos, codificada e didaticamente encetada pelo professor de Lião, imaginou-se que pelo menos uma boa parcela da falange patrulhesca e inquisitorial fosse se debruçar sobre os PILARES DA REVELAÇÃO, e à luz da razão, consoante à Fé raciocinada, cuidasse dos chamados fenômenos e práticas herméticos, sem o casuístico e ultrapassado preconceito, sob um estrito crivo crítico, analítico e científico, filosófico e religioso, Desejava-se um térmo-choque de tolerância no mínimo e de real fraternidade, ao máximo.

Entretanto não se viraram para a luz, para a decepção de uma espiritualidade Superior, que anseia pelas mentes e corações abertos de uma Humanidade coexistente e operosa no amor, no serviço e no saber. O que se vê é um despejar de velhas cantilenas, surradas acusações, revivescentes práticas dos índex, das heresias, da perseguição às bruxas, aos alquimistas, aos mágicos, aos oráculos, aos esotéricos (também com x) aos ciganos, aos iniciados, aos cultores das tradições africanas. Supõem assim conter, com suas imperecíveis fogueiras, torturas e castigos, um fluxo espiritual incessante, inerente à própria condição do inquieto espírito humano. São os mesmos que esparramaram o sangue e a dor, nos campos da maldade, em nome do Cristo, reprisando o ideal das Cruzadas -(Deus Vult!- Deus quer isso!), agora reencarnados e orgulhosamente albergados no códice kardeciano.

Ao usar de argumentações bolorentas, pobres de essência, detratoras e falsas, tentam não apenas se contrapor, mas debochar de coisas profundas (às quais não conhecem) se utilizando de citações zombeteiras, com o propósito em criar uma pecha de “superstição pueril” sobre assuntos que seus níveis de entendimento ainda não alcançaram. Combatem às práticas dos umbandistas como se estas fossem dilapidárias da exaltação espiritualista, e mesmo cristã, sem reconhecer a excepcional fluência energética que delas se desprendem. Enxergam na simplicidade ingênua dos cultos oriundos das terras dos negros o explorar de crendices, ao invés do admirável nascedouro de mediunidade genuína, a ser lapidado, orientado, nunca (como fazem) agredido com a fúria destruidora, desmesurada. Lembram na crueldade verbal as “divinais justezas” dos protestantes de Fox, no massacre da Escócia, elegendo de modo gratuito, uma legião de inimigos deles e de Deus!

Vislumbram em estudos multimilenares, como os cabalísticos, ameaças à integridade espiritual e moral de seus profitentes, baseando-se em ilações superficiais, impróprias, rasteiras, medíocres.

Esquecem-se de que este “Estudo do Incognoscível” é o berço-matriz de onde surgiram ciências notáveis, como a Astronomia, a Meteorologia, a Química, a Agronomia, alimentando outras como a psiquiatria, a psicologia, ocupando o interesse e a investigação de figuras de elevada estatura no conhecimento, como Platão, Sócrates, Hermes Thot, Pitágoras, Aristóteles, Arquimedes, Johannes Kepler, Galileu, Copérnico, CG Yung, Confúcio, dos oráculos, dos profetas, dos magos de todos os matizes e rincões (dentre os quais Baltazar, Melchior e Gaspar, anunciadores e testemunhas da vinda de Jesus), envolvendo todas as civilizações, dentre as mais desenvolvidas (Caldeus, assírios, mesopotâmios, babilônicos, vedas, coptas, multi-indos, chineses, suevos, escandinavos, orientais, judaicas, gregas, maias, astecas, e outras). Isso tudo, sem citar Kardec, que aí se enquadra, com a Doutrina dos Espíritos.

Para o achincalhe se valem de figuras de retórica ensebadas pelo ranço de uma pseudo pureza doutrinária míope, que em sua intolerância se constitui num igrejístico arcabouço de preconceitos, discriminação, cercear ideológico, tentativa de aniquilamento da liberdade de pensar, de arguir, de vasculhar, de questionar, (processos insubstituíveis para a aquisição do conhecimento e evolução verdadeiros, plenos).

Compete ao espírito buscar o saber em suas várias fontes. Como na ode esperantista “Simile al lá faleno ebria de libereco kaj lumo, flirtanta de floro al floro.”

Tentam qualificar as ciências chamadas de ocultas, tais que a cabala, a numerologia, a astrologia, a tarologia, a quiromancia, a onírica, onomatomancia, e outras, por suas aparições casuais e manifestações mais vulgares, até mesmo mais infantís. Rotulam estudos sérios, superiores, profundos, multisseculares sob a ótica da ação deletéria de insensatos, amadores, curiosos, não poupando aí os qualificativos mais agressivos, mais contundentes, mesmo humilhantes. Isso é tão falso e tão injusto como seria falso e injusto definir o cristianismo pelos desvios dos desequilibrados sexuais que povoam os conventos, ou conceituar o espiritismo a partir das pancadas na parede de Hydesville, ou no amontoar dos códigos de Kardec como frutos das mesas girantes! Seria julgar a Doutrina pelos danos a ela causados por espertalhões que dela se valeram (e se valem) nas inumeráveis fraudes, nas mistificações e desvios (Abusus non tollit usum!)

A evolução dos conhecimentos científicos em todos as épocas, e com predominância para a contemporaneidade, só tem confirmado as idéias defendidas e cultivadas pelos estudos herméticos. Em nosso cotidiano a presença e influência é indisfarçável, desde o calendário, aos dias da semana (lunedi, sábado, sunday, monday, etc.) com aos assuntos da ação da lua sobre o clima, a vegetação, os ventos, as marés, e por sua vez o sol, na fotossíntese, na energia vital e geral, na interferência da absorção das vitaminas, e daí por diante.

Na divisão dodecadenal de casas zodiacais se detectam impressas nos indivíduos as qualidades e tendências elementares, essenciais, não generalidades. São assinaturas que distinguem os seres uns dos outros por qualidades intempestivas, definidoras. Parte-se daí para pesquisas mais profundas, sobre as gradativas mutações dos arcanos, dos momentos, das trilogias (fogo, terra, ar e água!). São assinalamentos que revelam aptidões, adequações, o talento, a vocação, a espécie, a estirpe. A aposição de nomenclatura simbólica não elimina a essência substancial. Como o magnésio tem sua vida química, mesmo sendo antes, o fogo do bruxo.

E o Destino? O que é o Destino? Um enquadramento compulsório da vida, tornando os indivíduos marionetes à mercê dos acontecimentos fatalistas? Claro que não! O Destino é um caminho no qual está determinada a trajetória da missão da existência. A forma, a maneira, a qualidade e a elaboração estão (aí sim!) condicionados ao Livre Arbítrio, à vontade de cada um. Mas, esse caminho tem limites e precondições, sendo consequência, em sua quase totalidade, dos acontecimentos pretéritos, confirmando o dístico cristão- “o plantio é livre, a colheita é obrigatória!”. É a Lei da Justiça e da Misericórdia Divina, na permissão da escolha (antecipada) dos carreiros a trilhar. Lembro aqui a frase zíngara- “Lia strada può variare, ma che è la strada.”- Pode-se variar na estrada, não mudá-la. O Livre Arbítrio estará condicionado àquela escolha. Cumpri-lo ou não depende da disposição, do interesse, do esforço, da boa vontade de cada um. Pode o ser humano conhecer esse caminho com antecedência, se ajudando, se orientando, definindo estratégias de enfrentamentos e evitando os riscos? Certo e justo que pode! É semelhante ao que hoje a ciência faz com o Deoxyribo-Nucleic-Acid -DNA- que determina de forma “ditatorial” os atributos genéticos, as qualidades e compleição física, como as fragilidades e predisposições. É impositiva, e carimba parâmetros, projetando o futuro. Mediante as informações e o conhecimento o indivíduo se cuida ou não, desenvolve-se ou não, dentro de sua liberdade de agir. Mas terá olhos castanhos ou azuis, predisponência ao diabetes ou aptidão ao atletismo, e isso pode ser lastreado mesmo antes que o espírito reencarne! No caso das ciências herméticas, vemos ser possível antever o futuro, ou seja, a estrada, num entendimento do “DNA” espiritual, mental, intelectual, com as tendências e talentos, fraquezas e inclinações.

Estes comentários propedêuticos, ilustrativos, trazem em seu bojo o delinear inteligível do quanto é imperioso um cuidado maior dos que se aventuram a falar do assunto, condenando-o levianamente sem possuírem conhecimento para tanto. São os mesmos, certamente, a repetir o tribunal da igreja de Roma, sentenciando Galileu (“Eppur si muove”).

Voltando ao Codificador, não nos esqueçamos de que ele se mostrou um observador profundo, místico em sua acepção mais acurada, de acentuado quilate e fulgor. Abandonando o ceticismo pragmático e refratário absorvidos em sua vida secular de educador com acentuação luterana, o prof. Denizard Rivail encarna (ou reincorpora) a figura do misterioso e oracular sacerdote druída, Allan Kardec, nome este que lhe foi revelado na mesa da quiromante Mme.Annelise Dorfand, sobrinha da famosa cartomante Mme. Lennormand*, de Alencon. E o próprio LHDR insiste na fixação de seu pseudônimo! Com clareza Kardec deixou gravadas suas impressões, como em “A Tiara Espiritual” - Obras Póstumas-, e outras, em nova consulta, desta vez com Mme.Du Cardonne, em Paris, pois ali enxergava ele uma manifestação da “dupla vista”, qualidade mediúnica própria de alguns sensitivos. Sem o histérico estardalhaço dos presunçosos “juízes desvairados”, adeptos do falar romeno “Nu vazut si nu a placut” - não vi e não gostei!- Kardec regista sua maneira de pensar, deixando entrever nesta, a salutar indagação, a hipótese construtiva, estímulo ao perquiridor. Do mesmo modo aceita e divulga, alardeia sem repulsas e estrebuchos a proteção que lhe é oferecida pelo espírito que se identifica como Zéfiro (um ser mitológico, hermafrodita, chamado “o vento do Oeste”, que fecundava as éguas da Lusitânia). Mesmo que interpretações distorcidas posteriores possam substituir sua evidente valorização do que ele chamou de “ruptura do conceptual”, o mestre lionês não se entrincheirou em muros contentórios, mas construiu pontes e acessos, para o que ele não entendia, não conhecia, não tinha ainda uma explicação lógica. E como fundamento basilar, define como regra - Espíritas, Amai-vos e Instruí-vos! E aditamos o brado croata: ”Nema spasenja pojedinca” -

Que os assacadores de opiniões condenatórias, eternas cassandras de plantão, se repliquem no lema da tese socrática, obtida no portal do Templo de Delphos, e conheçam-se a si mesmos, em sua rasa profundidade e parcos limites, antes de chacoalhar, de modo grosseiro, conceitos e pregações que deixam os menos preparados, distantes das verdades maiores. A herança espiritual deixada por muitos luminares, inclusive por Kardec deve se pontuar, não pela posição excomuniatória que alguns tem adotado, mas pelo sistemático reinado do equilíbrio e verdade. O pseudenominado de Lião recebeu o merecido brasão de “O Bom Senso Encarnado” conferido por ocasião do enterro de seu corpo pelo amigo e confidente Camille Flammarion, que dentre outras virtudes intelectuais extraordinárias gostava sempre de ser identificado como um astrólogo e astrônomo que o era.

Benata estu l’amo... Laüdata stu Dio!- O amor seja bendito, e Deus seja louvado!

Francisco Valdomiro Lorenz - espírito

Mensagem recebida pelo médium Arael Magnus no Celest-Centro Espírita Luz na Estrada em 12 de Julho de 2009- Sabará-MG
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UMA PEQUENA HISTÓRIA-

Pela pertinência ao assunto que cerca o fato, revelo-o, não de modo inédito: Certa feita, em 1946, com alegria, tive o encantado prazer em conversar com o inadjetivável pela grandeza, Francisco C. Xavier, num encontro “casual” na porta de uma livraria, no centro da cidade paulistana. Estando de passagem pelo local e atraído como dezenas de outras pessoas, pelo anúncio da presença do já consagrado psicógrafo, estava ali quando ouvi com indizível surpresa, o chamamento do próprio, em meio a tantos ilustres acompanhantes: -Lorenz... Lorenz... Venha pra cá... - chamava-me ele pelo nome, em calorosa intimidade, estranhável a muitos, pois que nos conhecíamos através de algumas correspondências trocadas, que não passavam de meia dúzia. Mas, abraçando-me com carinho legítimo, pegou-me pelo braço, na porta do estabelecimento. Sob os olhares assustados de alguns dirigentes e outros imponentes representantes da mais acirrada ortodoxia kardecista, apresentou-me: ”-Este irmão aqui é meu xará... Francisco... Lorenz é o maior ocultista que esse país já conheceu...”, exagerava o “Anjo Amor”, para o escândalo e estupefação, e por que não dizer, indignação de muitos que o anfitrionavam. Confidenciou-me então: - Vou enviar a você, em breve, um material mediúnico acerca de informações trazidas por Swami Vivekananda, pois podem interessar ao Círculo Esotérico! ” - Como de fato ocorreu, recebi indicações preciosas vindas do monge, iogue e filósofo hindu, fundador da Missão Ramakrishna, cujo material extremamente útil foi (e é) divulgado, calcado exatamente na prática da Fraternidade, do espiritualismo universal, na compreensão dos seres, sem que haja necessidade de se servir do discurso religioso para estimular as facções ou as posturas vindas do fanatismo, orgulho, prepotência!

Francisco Valdomiro Lorenz - espírito-

Recebida pelo médium Arael Magnus em 12 de Julho de 2009 no Celest - Centro Espírita Luz na Estrada. -Sabará MG

Obs.do médium - Antecipando o inevitável e esperado despejar de acusações feitas por vigilantes e fiscais do espiritismo, literalmente “encarnados” pela intolerãncia, donos do "SPC do Céu" manifesto meu total apoio sobre as informações trazidas pelo querido espírito do prof. Lorenz, fazendo desse manifesto um atestado necessário para esclarecimentos muito oportunos, sendo eles identificados com a maneira que eu penso. (Arael Magnus)

Nota- *Marie Anne Adelaide Lenormand nasceu em 1772, em Alencon, França. Pertencia a uma família gitane provinda da Catalunha (Espanha), de tribo Callin, de cuja raiz na Ucrânia, nos arredores de Kiev, também fazia parte Myron Magnuvitch. Por sua vez, Myron, após ter sido expulso da Áustria pelo intolerante regime, que fez também vítima o autor FV. Lorenz e família, veio para o Brasil, desembarcando no litoral capixaba no início do Século XX, de onde rumou para o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, pelo Rio Mucuri. Myron Magnuvitch no Brasil virou João Lage. O médium Arael Magnus é cigano por etnia, neto de Myron, por parte de mãe, e por parte de pai, Lazzarotti Giulio, zíngaro proveniente da região de Padova na linhagem da tribo de Zatta, de gerúndio hindu.

(Nota de Lídia Luiza Passos- Presidente do Celest- Sabará MG- 2009)

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A Maior Fonte de Energias que Existe


Seres os há de todo tamanho, valor, evolução. São incontáveis as categorias. Predominam no plano terrestre, por razões compreensíveis, os mesclados, com seus vari-tons, composições de luz e sombra. São os que conseguem avanços em sua escalada, “ajuntando tesouros no Céu”, ou seja, se livrando de imperfeições e pesos, mesmo que retenham pontos obscuros de atitudes e de pensar. E esse panorama, hoje - em se tratando da raça humana, no sistema espiritual que a compreende - pode ser definido, geometricamente, por uma figura de losango deitado, cada vez mais achatado, com uma quantidade muito maior de indivíduos na região mediana.

Nos dois extremos há muito poucos, agora. Por um lado isso é bom, porque a cada dia reduz-se o número de criaturas totalmente más. Por outro, preocupante, porque também a cada dia diminui a tutela dos luminares sobre este orbe, aumentando aos que ainda estão em faixas transitórias, a responsabilidade em sustentar o sistema, religiosa e espiritualmente falando.

Todos - independente da situação em que se encontram - possuem instrumentos de identificação que lhes permitem ser reconhecidos ao primeiro contato, em grau e nível pelos que estão à sua volta, e dos que os visitam. É um sistema perfeito, que comporta o uso de cores e matizes, e algumas vezes sons (sobretudo seres de santificado brilho), e em casos de vibração muito baixa, também de cheiros, odores.

Cada um de nós carrega seu “Phaross”, - como abreviamos aqui na região de pesquisas onde fico - que traduzido seria “Photochromic Aromatic Oscillator Sound Stage” ou, Oscilador Fotocrômico Aromático e Sonoro de Estágio. É como se fosse, no linguajar atual, um chip, um crachá a qualificar a posição espiritual. Todos o possuem e o transportam, de modo permanente, por onde vão. Isso é que permite aos espíritos se reconhecerem, mutuamente. O expediente também serve de assinaturas, para atitudes, pensamentos, intervenções, empenhos, ficando impressos em nosso percurso. Esclareça-se que isso vale tanto para os iluminados quanto aos de pouco brilho, na carne ou não, todos, enfim.

Numa proporção compreensível à maioria, podemos afirmar que os avanços extraordinários da tecnologia, sobretudo da informática hodierna, no mundo terreno, consistem em insignificantes parcelas de liberação do conhecimento que é praticado em esferas espirituais, próximas ao planeta.

Em qualquer lugar, em qualquer nível, a conexão com nosso Phaross consegue abrir todo prontuário, a nossa ficha pessoal, com minúcias e detalhes. É claro que o acesso a informações mais íntimas, profundas, pormenorizadas só é facultado a quem detém a evolução suficiente para tanto. Em regiões mais elevadas perguntas simplesmente não existem pela não necessidade de uso.

É de bom proveito que nos certifiquemos disso, a todo instante, porque nosso “chip vibracional” revela com precisão o que somos, o que pensamos, o que fizemos e o que pretendemos, sem desvios, sem camuflagens.

Rapidamente se descobre que os expedientes usados são semelhantes às aplicações da cibernética, da informática, do eletromagnetismo, da química, das energias consubstanciadas, porém, com métodos ainda não totalmente dominados. Já é ponto passivo que nosso conhecimento é reminiscente, e que as propaladas evoluções tecnológicas do plano terrestre são cópias “lembradas” por seres, que no limiar etéreo estiveram por mais vezes ou permaneceram mais tempo. Muitos dos inventos e grandes descobertas, a maioria, aliás, são revelados antes, através de páginas de escritores, poetas, intuitivos, como as conhecidas “antevisões” de Julio Verne, Dante, Da Vinci, Kepler, e muitos outros, e com ênfase pelas narrativas de profetas, de médiuns e videntes, como as dezenas contidas na coletânea espiritista. Ali, além do “aeróbus” também encontramos as telas de plasma, LCD, o telefone celular, as comunicações via satélite, o raio laser, e diversas outras, hoje comuns, mas muito “fantasiosos” para a época em que foram trazidos pelos que os noticiaram. Pelo fator “IP”- Intuition’s Power - artistas, criadores, cineastas, sensitivos enfim, acessam com maior facilidade os bancos de memória destes arquivos chamados de “futuristas”. Aos poucos, com o esforço coletivo, a Humanidade vai apreendendo e tendo o controle do uso destas técnicas para a utilização dos propulsores evolutivos.

Ninguém consegue imaginar o desapontamento pelos quais eu passo, quando constato a utilização milenar de instrumentos e energias que eu imaginei ter ”inventado”. Patentear minha ignorância chega a ser cômico!

O Phaross também permite, por exemplo, a definição de campos de energias para conter investidas de falanges revoltosas, ou a detecção imediata das chamadas crianças “índigo” e “cristais”, dentre outras inúmeras aplicações.

É benéfico que nos certifiquemos disso, a todo instante, porque nosso “chip vibracional” alardeia com precisão o que somos, o que pensamos, o que fizemos e o que pretendemos. Essa atmosfera cerca não apenas o nosso “perianto”, mas tudo aquilo que possua nossa interferência: atos, palavras, pensamentos, obras. Nessa nova concepção, gravamos a presença individual como o fazemos com as digitais e o odor peculiar a cada um de nós.

Tais constatações alteraram muitos os parâmetros que norteavam meu conceito sobre as energias, principalmente as cosmo-quimio-eletro-magnéticas, porque passei a perceber a diferença das emissões, com som, cores e nuances variadas, a indicar qualidades e destinações específicas, independentes de seus espectros concretos. Detive-me a partir daí, na análise e observação destas mutações.

Já pude constatar algumas coisas que, creio, sejam de interesse dos que buscam o aprimoramento. A projeção energético-azulada provinda da bondade, da solidariedade, do ato de auxílio - além de extremamente potente - também tem uma função asséptica, profilática, desintoxicante, se é que me faço compreensível. Um ato de bondade, praticado por qualquer pessoa, independente do aspecto místico ou religioso que o cerca, produz esse efeito. De modo incisivo fortalece e promove uma boa limpeza na “placa luminescente”. Do mesmo jeito, as reações bruscas, nervosas, violentas, ou vindas de sentimentos inferiores, esgotam o brilho, a luz, enfraquecendo de forma radical a fonte geratriz de fótons, levando à penumbra, à escuridão, à opacidade patológica, mesmo sendo cometida num ato repentino, por um ser de comportamento santificado. Observe-se aí que o efeito é independente de sua fonte emissora.

Há algum tempo, quando indagava a um superior acerca das forças e grandezas das energias, a este eu enfatizava a opinião de ser o pensamento a mais veloz das conhecidas por nós. Meu orientador, com equilíbrio e firmeza, mostrou-me ao longe as emissões multicoloridas do que aqui chamamos de “barreiras dos Páramos Celestiais”. É uma visão magnífica, de sonho. Incomparáveis fachos de luz incessante, diamantina, se movimentam harmoniosamente, no infinito horizonte. Atravessam vigorosamente todo o espaço do Éter, varando incalculáveis limites, com predominância para o lilás, violeta, azuis suaves, róseas magentas. É, no meu raso entendimento, o caminho para a conquista da tese agostiniana da “sólida região da felicidade”.

Disse-me ele: - Lá está o que há de mais superior, mais forte, mais poderoso fluxo de energia já permitido aos seres nestas esferas, pelo Criador!
E aguçando minha curiosidade aos extremos, convidou-me, sem alternativas de recusa:
- Venha! Você agora vai conhecer o foco de onde esse formidando poder provém!

Após ajustar-me a confortável assento, com imantação manual, pelas forças da hipnose, fez-me volitar no tempo e espaço. Depois de percorrer regiões de gases lácteos sedosos, - que vim a saber ser o que se chama “Pavilhão do Passado” -, enxerguei-me deitado em catre simples, num singelo, mas acolhedor quarto de hospital. Parentes, médicos, amigos e enfermeiros expressavam sincera tristeza por minha iminente despedida da carne. Na cabeceira da cama, surpreso e feliz diviso o olhar brilhante, carinhoso, inesquecível de minha doce mãe, com um rosário nas abençoadas mãos. Angelical visão! Que emoção! Que alegria!

Revolvi àquela plúmbea e distante tarde de sábado de Junho, oito décadas atrás, e pude assistir o que jamais me será tirado da lembrança: um incessante fluir de energias lilases, semelhante a um gigantesco holofote, a subir diretamente aos céus, saindo do “occiput”* de minha amorável genitora. Percebi ali que o Pai - em sua infinita bondade e incomensurável misericórdia - permite a cada ser, de modo direto, o poder de se comunicar prontamente com Ele, pelo mais importante meio de produção de energias e forças que se pode conceber, que é a oração com Fé.

Gratíssimo, prostrado, rendo “Graças a Deus” por isso!

R. Landell de Moura – Espírito –

Mensagem recebida pelo Médium Arael Magnus no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada- Sabará-MG – em 30 de Agosto de 2009 –

Occiput - Região de espaço interósseo , no alto da cabeça, que nos bebês costuma-se chamar de moleira (LLP)

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