quarta-feira, 9 de maio de 2018

     


    EÇA DE QUEIROZ

SÊ O APÓSTOLO QUE EU TENTO SER

     Hoje hei de querer tornar-me um pouco mais Aveiro. 
     Não pelo orgulho de ser uma cidade-porto, porque isso parece em si, insosso, e minhas pretensões vão mais além que efêmeras, passageiras aparências. 
     Mas, essa cidade querida, que acolheu-me, em duras tempestades de melancolia, ensina-nos o poder da metamorfose em nós, indivíduos e coletivos, e sobranceira, até mesmo orgulhosa, revelado no seu primaveril movimento. Alardeia, com burburinho suave, que é imponderável e obrigatório te renovar, e aproveitar-te, mesmo de tuas mazelas, por uma reconstrução contínua, evolutiva, na busca obcecada da virtude.

     A quem, por tristeza desfortunada, não a conhece, recomendo vê-la, o mais rápido que puder! 
     Caminhes pela avenida do canal, subas nas pontes, admires os jardins, refestela-te nos bancos, tomes de sua água refrescante, olhes para o seu céu diferente, turquesa. Não te prestes a observar por muito, com juízo de valor, as novas e belas construções, os grandes e atuais magazines, os novos e modernos automóveis, porque essas são espécimens adoptadas, pela força de atracção, à partir da transformação verdadeira. Fixa-te na ria e canais que cortam toda a cidade, e que vai se dissolver no mar, ao dia, já que nas madrugadas acolhe em seu leito o oceano marezênico, brutal amante, profilático, desinfetante, com suas espumas de gozo e êxtase. 

      Subas até a capela da Misericórdia, e desfiles, com precisão de grumete, teu olhar pela paisagem, entremeada na arquitetura miscelaneada, com aquele ensejo por descobrir tesoiros, imaginar, em laivos, o surgir de fantasmas, anjos e dragões. Eles estão a postos. 

     Respires, em fundo, a brisa fresca, que, por vezes, vem engalanada com o aroma edulcicado da dama-da-noite, ou da petúnia, deitada tardia no orvalho, já com sol alevantado. 

     Abras, devagarinho, a emperrada portinhola do coração, se em ti o tens amargurado, para que ali entre também a mística e a graça dos afetos, porque isso traz revolução de angústias, e pode até buscar o amor perdido. Nem sempre às pessoas, mas ao menos o sentimento. E este é mais belo e mais fiel que as pessoas... ainda que hajam controvérsias. 

     Não te fixes nos pensamentos de saudade, pois isso faz perder o presente, e o que importa é o deambular caleidoscópico de imagens e luzes, faiscantes e convidativas, ao serem paridas nas águas, águas limpas do canal, da ria.

     Não esboces críticas às caricaturas de gôndolas, mercenárias e grosseiras, porque ainda andam apinhadas de sorrisos felizes. Poderiam ser mais. Mais belas, mais apinhadas, mais felizes, menos caras. Sutil e discretamente, apenas de soslaio, observe, diferente de mim.
     Com elegância, apenas sugiras, para que, em breve, a fustigada Veneza possa ser chamada a "Aveiro da Itália". 
     Edifiques, na tela do sonho, o mercado da praça, que será (tão logo inicie meu período de alcaide) ponto de frutas e verduras, alimentos naturais, orgânicos, das hortas e granjas faceiras e fartas, da vizinhança familial, com diversidade e cores, accessível à toda gente, pobre ou rica, sobremodo à primeira. Aliás, depois de virar praça, busto, estátua, farol e rotonda, creio-me habilitado ao farnel. Eu e Estevão.
       Algum dia, -e já se vão mais de três séculos-, esse canal purgava apodrecido, infecto e malcheiroso, já que a jugular que ligava o corpo ao coração estava interrompida, necrosada pela emocional instabilidade da suja areia da corrupção. Foco de doenças, espelho de incúria, natural revolta contra a tirania. Até que do santificado convento veio a princesa Joaninha, com sua varinha de condão, para expulsar o demoníaco topônimo invasor, e recompor a origem. Foi ela, por milagre, com certeza, e ninguém mais! Não importam as datas, pois as efemérides puras não estão nas calendas, mas na vida real, do espírito. E a ria com seus canais, voltou a viver, lúcida, limpa, liberta, linda! O que estava esgoto virou fonte pura. Vicejando por sua formosura, atraiu os galantes e aleitoados novos investidores de antanho. 
       Importa-te com a metamorfose dessa ria e de seus canais. É possível fazer isso em nós mesmos, não obstante o tempo (humana e crítica invenção) fazer pensar não poder. Eu tenho empenhado hercúleo trabalho para ser Aveiro, expulsando os tiranos de mim, recompondo-me em original pureza, reconstituindo o afago de avó, cujo forno palaciano era o meu céu...céu de fogo e brasa, que ainda arde em meu interior, na angélica covardia do aroma da broa, dos ovos moles e do pão pardo. 
       Estou a buscar um patamar melhor. Quero que meus sentidos possam ser pouso de pensamentos e acções, saudáveis e felizes, como hoje o são as tainhas que percorrem lépidas a ria e os canais de Aveiro.
      Quando, por felicidade, fores a Aveiro, revista-te com o teu melhor sorriso, tires dos cabides do coração os melhores desejos e sentimentos, e abra-te para uma vida civilizada, caridosa e amiga. Isso pode contagiar a alguns, na minha infante-cidade, que ainda não fazem assim. Certamente tua atitude os fará aprender. Muitos já o fazem. 
      São menos os que dilataram as goelas e os bolsos, a estreitar o coração e o cérebro, mas... ainda os há. 
      E estejas alerta, pois o cumprimento carinhoso, a saudação amistosa, bem como a irreverência ou mau-trato, podem estar a ser feitos (sem que percebas) aos agêneres que ali habitam e transitam, em todos os cantos, pareados a mim. E sorrirei pra ti, mas só em Aveiro.


JOSÉ MARIA DE EÇA DE QUEIROZ - espírito


Mensagem recebida em psicofonia, 
pelo canal Arael Magnus em Coimbra, Portugal
 a 2 de maio de 2018

sábado, 10 de março de 2018

CARTA DE NELSON MANDELA- espírito



para Sra. ANGELA MERKEL- Chanceller Alemã

       Dear Mrs. Angela Merkel

       Even knowing the great difficulty in transmitting the absolute credulity of my words, I cannot avoid this manifestation, which I desired, and which has now been granted to me.

       All beings of Humanity are interconnected with each other, in an equal position before Eternity. In some stages called existences, life thrives on us, in a permanent way. It is not choice, it is the Law. That is why I remain alive, even without the flesh, and therefore I continue in my struggle, as I have always done, in favor of freedom and equality of treatment among all beings.
       The situation of fugitives from war is dramatic, cruel, cowardly, insane, tragedy impossible to be controlled by current methods.

       I have seen in attitude of the lady, a real desire to try ways and solutions, even facing resistance from opponents who see power as an objective, or their own well-being at the expense of the sacrifice of suffering brothers. So, trying to reach a collective scope, I decided to nominate this missive, because I perceived sincere sensitivity on your part, in search for elimination, or reduction of this constant crime committed against millions of human beings.

       One point must be in force as an immutable premise: In the succession of human experiences we can be here and there, according to merits, needs, options. Thus, surprisingly, we can discover previous identities of very important characters in rags and frail beings, placed in misery. And this is happening constantly, now, even with greater accentuation.

       Thus, when an unhappy refugee is admitted, one may in truth be assisting former relatives, grandparents, fathers and mothers, and even great idols of the history of nations themselves. I know that, in view of the standards of understanding still extant, in so-called modern civilization, it is difficult to assimilate this, but it is the Truth. In this way, and in compliance with this precept, all actions of protection or aggression are also accounted for by their parental aspect, which greatly aggravates good consequences or debts acquired by those who practice them.

       Some people, quite commendably, have taken positive and noble measures to support war-evicted, expelled (by disputes or contingencies) but, despite greatness shown in solidarity, they are also oppressed by economic limitations and internal crises. We can cite Portugal, Italy, Ethiopia, France, Chile, Brazil, its Germany, and a few others, but most in specific attitudes, in provisional governments, which, in addition to representing effective and real humanitarian aid, is on a global scale, insufficient to face this gigantic problem. Lamentable is the position of selfish, self-centered governments that, in addition to not helping in the search for solutions, still feed forces that block and attack those who try to support unfortunate evicted, through robust international bodies, also introduced evil instituition, such as NATO, EU, and others.

       Surely those who escape the lines of support are contracting serious and intense debts before the Universal Consciousness, which some prefer to call God. The chances of recovery of the said human civilization are reaching the crucial points of exhaustion, of End. A world-wide attitude must be taken with the purpose of guaranteeing those who are still in flesh the right to an existence with security, with dignity.

       Dear lady,
       I see more and more the lights of hope go out, with the advance of dark forces. The selfishness, the mockery, the unhealthy irresponsibility that is revealed in many of the rulers, especially those of the richest and largest nations, are recorded on the scale of scandalous absurdities, compared to the worst of the barbaric, medieval epochs. The picture of children killed in Lampedusa or Syria is no less horrifying than those of the Holocaust.

       Leaders are worshiped on your economic victories, material progressions, war super-budgets, and they appear as heroes, but they are in fact "dirty asses," and worse, cruel, relentless killers. They pretend they do not realize the thousands of deaths in Syria, Afghanistan, Iran, and most notably the cowardly killings of Africans, Libyans, Nigerians, Somalis and thousands of others. Genocidals similar to the most bloodthirsty that history has ever registered.
Other day, Ms. Angela, I saw a soldier cowardly assaulting a young woman, a Libyan profughi, who insisted on entering a sheltered camp. From my post I approached to identify both. Did not know the bully, who was there to beat his own grandmother, of late life! The shining eyes of the then poor, skinny, malnourished, chilly girl still expressed pity, as if to recognize your grandson of other once, now vile aggressor.

       I am perfectly aware that this episode was an exception, since we also witnessed expressions of solidarity and respectful treatment by other guards in many places, especially in Lampedusa, the Italian island, now deprived of its function.
       Humanity must act as Humanity! 

       It is past time to realize that we are all one family, in varying stages of evolution, and there is no way out. if we do not engage in a search for the homogeneity of treatment and respect for all living beings, rational or not, towards Nature, the environment, the universe, finally. We are brothers! This is intransferible, imutable.

       Indispensable is that the structuring and conditioning be promoted so that the refugees return to their homeland. Their place is in their lands. The customs, the culture, the families, the climate, the lands must be reorganized. The best defense against the invasion is the effort to promote the resettlement of these unfortunates in their places of origin. It is a human solution, definitive and honest, that will require much less amount of resources than what is spent today with hypothetical defense and protection. The hypocrisy that prevails in offices of governament is indissimulable.

       Right, that now, the solidarity, is welcome, the support are necessary, vital. But let's think of installation plans and systems, which allow the return of the degredados to their places of nativity. Everyone knows that most conflicts and wars are fed by the great powers, often for the purpose of emptying fronts war, discharging obsolete and obsolete weapons, and in all cases by the stupid greed of bloodthirsty vultures. This has to be changed, urgently and unconditionally.

       Dear Premier,
       Is now, the Chanceller, in my opinion, is the cornerstone for creating a serious, exempt international body designed to restore the family, moral and social structure of the millions now abandoned, thrown into the corners. in worse conditions than muddy pigs. Together with some with a good heart and generous sensitivity, start a process of forming projects that will allow the safe and dignified return of expatriates, thrown into the open by incomprehension and unacceptable intolerance. Many will have many ideas, many suggestions, and the forces of Good will bring the possible solutions, the desired apanage.

       Formation of agricultural and industrial colonies, with villages and ghetos protected by international forces, in the countries from which they were expelled or had to flee. Understanding and even subsidizing governments to welcome, even in neighboring territories, those that today are in the European gutters, embittering horrors, hunger and misery. It seems difficult, but perfectly feasible, when the determination and energetic will manifest itself, and you, dear Chanceller, can give the initial kick.

       Expect little of presumptuous blinds, vicious killers, who pose as supermen, but they are nothing more than genocidal transgressors of leaders. They are guided by the rotten cane of cupidity, gree,d, thirst for power, indulgence, and corruption. The few who join in with the transformation projects of this overcoming current policy will be strengthened by who can effectively help and direct the solutions.

       I know, my friend, the opposition, the resistance, the enemies that you will have to face right there in your land, but call on Humanity to echo these metamorphoses. Only then will we be able to save future generations from an absolute bankruptcy, from end of this weakened and unhappy civilization which, despite having been smothered by the wonderful teachings of great avatars, insists on behaving in a demeaning, murderous way, trying to overcome with hatred, the love, and I repeat the old adage, which only love builds.

       God be with you
       Thank you
                             Nelson Mandela - spirit-

       Message received by the Arael Magnus channel on 4 March 2018 at the Albergo Speranza in Turin, Italy, where the channel is located, in support of the refugees.



        Querida Sra. Angela Merkel

       Mesmo sabendo a grande dificuldade em transmitir a credulidade absoluta das minhas palavras, não posso evitar essa manifestação, que desejei, e que agora me foi concedida.

       Todos os seres da Humanidade estão interconectados uns com os outros, em uma posição igual diante da Eternidade. Em alguns estágios chamados existências, a vida prospera sobre nós, de forma permanente. Não é escolha, é a Lei. É por isso que permaneço vivo, mesmo sem a carne, e, portanto, continuo na minha luta, como sempre fiz, a favor da liberdade e da igualdade de tratamento entre todos os seres.
       A situação dos fugitivos da guerra é dramática, cruel, covarde, insana, tragédia impossível de ser controlada pelos métodos atuais.


       Eu vi na atitude da senhora, um desejo real de tentar buscar maneiras e soluções, mesmo enfrentando resistência de adversários que vêem o poder como um objetivo, ou seu próprio bem-estar, à custa do sacrifício dos irmãos sofredores.
         Então, tentando alcançar um escopo coletivo, decidi nomear essa missiva, porque percebi uma sensibilidade sincera da sua parte, em busca da eliminação ou redução desse constante crime cometido contra milhões de seres humanos.

       Um ponto deve estar em vigor como uma premissa imutável: na sucessão de experiências humanas, podemos estar aqui e ali, de acordo com os méritos, as necessidades e as opções. Assim, surpreendentemente, podemos descobrir identidades anteriores de personagens muito importantes em mendigos em trapos e seres frágeis, colocados na miséria. E isso está acontecendo constantemente, agora, mesmo com maior acentuação.

       Assim, quando um refugiado infeliz é acolhido, pode-se, na verdade, estar a ajudar antigos parentes, avós, pais e mães e até mesmo grandes ídolos da história das próprias nações. Eu sei que, em vista dos padrões de entendimento ainda existentes na chamada civilização moderna, é difícil assimilar isso, mas é a Verdade. Desta forma, e em conformidade com este preceito, todas as ações de proteção ou agressão também são explicadas pelo aspecto parental, o que agrava ou amplia, consideravelmente, as boas conseqüências ou dívidas adquiridas por aqueles que as praticam.

       Alguns povos, dando grande lição, tomaram medidas positivas e nobres para apoiar os expulsos de guerra, enxotados (por disputas ou contingências). Mas, apesar da grandeza demonstrada na solidariedade, também estão oprimidos por limitações econômicas e crises internas. Podemos citar Portugal, Itália, Etiópia, França, Chile, Brasil, a sua Alemanha e alguns outros, mas a maioria, em atitudes específicas, em governos provisórios, que, apesar de representar uma ajuda humanitária efetiva e real, são em escala global, insuficientes para enfrentar este problema gigantesco. Lamentável é a posição de governos egoístas e auto-centrados que, além de não ajudar na busca de soluções, continuam alimentando forças que bloqueiam e atacam àqueles que tentam apoiar desalentados, através de órgãos internacionais robustos, e também introduziram a instituição do mal, como na OTAN, UE e outros.

       Certamente, aqueles que escapam das linhas de apoio estão contraindo dívidas sérias e intensas ante à Consciência Universal, que alguns preferem chamar de Deus. As chances de recuperação da referida civilização humana estão atingindo os pontos cruciais de exaustão, de Fim. Uma atitude mundial tem que ser tomada com o objetivo de garantir a todos aqueles que ainda estão em pleno direito à existência com segurança, com dignidade.  

        Querida senhora,

        Vejo mais e mais as luzes da esperança se apagarem, com o avanço das forças das trevas. O egoísmo, a burla, a irresponsabilidade insalubre que é revelada em muitos dos governantes, especialmente os das nações mais ricas e maiores, são registadas na escala de absurdos escandalosos, em comparação com a pior das épocas bárbaras e medievais. O quadro de crianças mortas em Lampedusa ou na Síria não é menos horrorizante que os do holocausto.

Os líderes são adorados em suas vitórias econômicas, progressões materiais, super-orçamentos de guerra e aparecem como heróis, mas eles são de fato "bundas sujas" e, pior, assassinos cruéis e implacáveis. Eles fingem que não percebem milhares de mortes na Síria, no Afeganistão, no Irã e, mais notavelmente, no assassinato covarde de africanos, líbios, nigerianos, somalis e milhares de outros. Genocidas semelhantes aos mais sanguinários que a história já registou.


       Outro dia, Sra. Angela, vi um soldado agredindo covardemente uma jovem mulher, uma profuge líbia, que insistiu em entrar em um campo protegido. Na minha ansiedade, abordei para identificar ambos. Não conhecia o valentão, que estava lá para vencer sua própria avó, da vida passada! Os olhos brilhantes da menina então pobre, magra, desnutrida e fria ainda expressaram pena, como se reconhecessem o neto de outrora, agora vil agressor.

        Estou perfeitamente ciente de que este episódio era uma exceção, já que também testemunhamos expressões de solidariedade e tratamento respeitoso por outros guardas em muitos lugares, especialmente em Lampedusa, a ilha italiana, agora privada de sua função.


        A Humanidade deve agir como Humanidade!

        Já passou a hora de perceber que somos todos uma família, em diferentes estágios de evolução, e não há saída. se não nos dedicarmos a procurar a homogeneidade do tratamento e o respeito por todos os seres vivos, racionais ou não, para a Natureza, o meio ambiente, o universo, finalmente. Nós somos irmãos! Isso é intransferível, imutável.

        Indispensável é que a estruturação e o condicionamento sejam promovidos para que os refugiados retornem à sua pátria. O seu lugar está em suas terras. Os costumes, a cultura, as famílias, o clima, as terras devem ser reorganizados. A melhor defesa contra a invasão é o esforço para promover a reinstalação desses infelizes em seus locais de origem. É uma solução humana, definitiva e honesta, que exigirá muito menos recursos do que o gasto hoje com defesa e proteção hipotéticas. A hipocrisia que prevalece nos escritórios dos governos é indissimulável.

        Certo, agora, a solidariedade é bem-vinda, o apoio é necessário, vital. Mas pensemos em planos e sistemas de instalação, que permitam o retorno dos degredados aos seus lugares da natividade. Todo mundo sabe que a maioria dos conflitos e guerras são alimentados pelos grandes poderes, muitas vezes com o propósito de esvaziar paióis, descarregando armas obsoletas, ultrapassadas e, em todos os casos, pela estúpida ganância dos abutres sanguinários. Isso deve ser alterado, urgente e incondicionalmente.

         Prezada Premier,


        Agora, a Chanceler, na minha opinião, é a pedra angular da criação de um organismo internacional sério e isento, destinado a restaurar a estrutura familiar, moral e social dos milhões agora abandonados, jogados nos cantos. em pior situação do que porcos enlameados. Juntamente com alguns com um bom coração e uma sensibilidade generosa, comece um processo de formação de projetos que permitam o retorno seguro e digno de expatriados, lançados ao léu por incompreensão e intolerância inaceitável. Muitos terão muitas ideias, muitas sugestões, e as forças do Bem trarão as soluções possíveis, o desejado apanágio.


        A Formação de colônias agrícolas e industriais, com aldeias e ghetos protegidos pelas forças internacionais, nos países de onde foram expulsos ou fugiram, é um caminho. Convencer e até mesmo subsidiar os governos para acolher, mesmo em territórios vizinhos, aqueles que hoje estão nas marquises europeias, amargando horrores, fome e miséria. Parece difícil, mas perfeitamente viável, quando a determinação e a energia se manifestarem, e você, querida Chanceller, pode dar o chute inicial.


        Espere pouco de cegos morais presunçosos, assassinos viciosos, que se colocam como super-homens, mas não são senão transgressores genocidas travestidos de líderes. Eles são guiados pelo bastão podre da cupidez, ganância, sede de poder, insensibilidade e corrupção. Os poucos que se juntarem aos projetos de transformação desta política de superação atual serão fortalecidos por quem pode efetivamente ajudar e direcionar as soluções.

        Eu sei, minha amiga, a oposição, a resistência, dos inimigos que você terá que enfrentar aí mesmo em sua terra, mas convide a Humanidade a fazer eco dessas metamorfoses. Só então poderemos salvar as gerações futuras de uma falência absoluta, com o final desta civilização enfraquecida e infeliz que, apesar de ter sido sufocada pelos maravilhosos ensinamentos de grandes avatares, insiste em se comportar de forma degradante e assassina, tentando superar om o ódio, o amor. E repito o velho ditado, que só o amor constrói.

Deus esteja com você

        Obrigado


                              Nelson Mandela - espírito-

         Mensagem recebida pelo canal Arael Magnus no dia 4 de março de 2018 no Albergo Speranza, em Turim- Itália, onde o canal se encontra, no apoio aos refugiados.
    

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

INEZITA BARROSO- espírito



        Na noite de 7 de Dezembro de 2017, no Ceuld em Porto Seguro, manifestou-se ao canal Arael Magnus o espírito de Ignez Magdalena Aranha de Lima, cantora, atriz, compositora, folclorista, conhecida por INEZITA BARROSO. Nascida em São Paulo, em 4 de março de 1925, retornou à Pátria Espiritual na mesma cidade a 8 de março de 2015. 
Agradeceu pela receptividade e comentou alguns fatos de sua vida, reforçando a saudade dos entes queridos, amigos e das atividades musicais. Informou que já está em atividade, participando de apresentações na Colônia Espiritual do Projeto Alfa, e tem recebido muito carinho, o que facilita muito a solução de alguns problemas.
      - "O maior deles", -diz- "refere-se aos efeitos trazidos pela repercussão da música Pinga Marvada, que influenciou e conduziu pessoas ao alcoolismo, e isso gerou contas a pagar". E aduz:" mas em compensação recebi muitos bônus pela defesa da qualidade e da pureza da música caipira, sertaneja de verdade, o que valeu a pena, pois contrabalançou  com os problemas."
Perguntada por uma das presentes sobre o que achava da atual música sertaneja, Inezita Barroso foi incisiva e direta: 
        -"Olha...sou muito crítica, desde há muito tempo, sobre essas modificações na música sertaneja, na caipira. O que eles chamam de evolução eu taxo de adulteração."
         E continua: "Podem pensar que sou saudosista, mas quem conhece as músicas de antes, sabe do que estou falando. No meu modo de pensar há uma invasão de ritmos que rotulam de sertaneja, mas que nada tem a ver. O que eles chamam de "universitário" parece mesmo com o ensino no Brasil, que é fraquinho, meio analfabeto, e mostra pobreza melódica e domínio de barulho e muitos berros. Das de hoje, somente algumas músicas e alguns artistas se salvam, muito poucas. Eu destacaria, dentre os novos, aquele rapaz de Campo Grande, a moça de Sete Lagoas e aqueles dois da zona da Mata de Minas,  que ainda mantém uma estrutura onde se  sente o cheiro da roça, o frescor da manhãzinha do sertão.
           Fazendo uma pausa, como a refletir, o espírito comunicou, concluindo:
         -"Alguma ou outra, aqui e ali, mas a maioria é de baixa qualidade e vibração muito negativa, criando dificuldades para a harmonia. Às vezes tenho a impressão de que confinaram uma manada de cabritas esfomeadas, que se esgoelam, e é um berreiro que não tem fim, com umas letras muito ruins e melodias rebuscadas e ruidosas, penso eu. É preciso melhorar o calibre melódico e literário da música, em geral, no país, e autenticar a música caipira, sertaneja, pelo padrão real."

Na sequência o espírito informou estar acompanhada de alguns parceiros, como Goiá e Adauto Santos, e deixou gravadas 6 músicas.

fundoamor@gmail.com


OBS- As músicas são apresentadas (por enquanto) sem o devido acompanhamento instrumental, já que a Fundoamor ainda não conseguiu recursos para pagar o pessoal que elabora as trilhas sonoras e orquestração. Esperamos corrigir o problema em breve. 

E/T- Os gastos com todas as 452 gravações correram à expensas do pessoal da Fundoamor, sobretudo de Arael Magnus. 

        Por definição estatutária não recebemos doação ou qualquer outra forma de ajuda material. Permitida a reprodução e cópia desde que citada a fonte, sem fins comerciais.
     * O espírito comunicante citou nominalmente os artistas, mas por razões internas resolvemos omitir.

ASA DA SODADE

Inezita Barroso- espírito

Se eu pudesse avuá
como os passarim avua
eu iria te encontrá
naquela nossa cafua
pra dizê no seu ouvido
qu'eu te amo de verdade
que a maió felicidade
foi tê com ocê vivido

Hoje a lonjura não deixa
que eu me deite no seu colo
é por isso minha queixa
na viola me consolo
quando de tarde o sol deita
me alembra seus oinho
as água corre dos meu, eita
ah.. seu fosse um passarinho

Garro agora na lembrança
o que ficou bem guardado
do tempo em que nóis dois
andava de braço dado
mas o destino matreiro
ataiou a nossa vivênça
e essa moda desavença
é pra dizer afinal
que o nosso amor sobreveve
baitão assim como antes
ingalzinho...tudo igual....

Nessa minha inguinorança
faço os verso de sodade
eis traz de novo a esperança
que ocê vorte...felicidade



















UM SER TÃO LINDO !!!

Inezita Barroso e Adauto Santos-  espíritos
(Para Martha)

Revivo esse ser 
que ouso entender
mas sem apreender 
seu todo... magistral
na sua pureza
está a beleza
desta natureza
obra divinal.

Um ser tão fecundo
um ser tão completo
um ser tão repleto 
de bênção e amor
Um ser tão bendito
um ser tão bonito
Um ser tão profundo
sertão...ser tão sonhador

Na aurora que avisa
dura vida sofrida
na terra batida
de sol e suor
O sertão guerreiro
acorda primeiro
do alimento é celeiro
de si dá o melhor...

Sertão abençoado
Sertão abnegado aos seus
Sertão protetor... a ti meu amor
sertão querido...que mesmo sofrido
não se aparta de Deus

x.x.x.x.x.x.x.x


TÁ CUM SODADE DE MIM?

Inezita Barroso e Goiá- espíritos

Tá cum sodade de mim?
pode falar, sem vergonha
também sinto muita falta
de um café com pamonha

Tá com saudade de mim?
repete comigo o estribilho
eu também sofro da falta 
do franguin e da broa de milho

Pode ser só passageira
mas essa sodade amarga
é uma canga agarradeira
faz parte da minha carga

vou levar sempre comigo
esse sentimento bom
me dê o seu ombro amigo
e cante nesse mesmo tom

Tá com sodade de mim?
eu também sinto sua falta
mas sodade é um documento
que o bom sentimento exalta

Por isso quero sentir
essa sodade voadeira
Aqui nesta nova vida
pela minha estrada inteira...

x,x,x,x,x,x,x



CARIDADE FAZ BEM...

Inezita Barroso- espírito

Um dia bateu à porta
um maltrapilho, mendigo...
faminto, sujo e...torto
meio vivo...meio morto-
"Dona, tô com muita fome"
assim, baixinho, falou
dei-lhe um prato de sopa, 
simples, mas substancioso
com pãozinho de sal picado,
quentinho, assim 
bem cheiroso.
Saiu, dizendo "obrigado"
satisfeito, alimentado.
Dei-lhe ainda uma coberta
a noite fria era certa.
Adormeci, já cansada
da lida do dia a dia
mas ...oh que enorme alegria
surge no quarto uma luz
e vejo a figura linda
de meu amado Jesus.
fiquei estática ao vê-Lo
Acenou com doçura e zelo
Disse-me - filha, eu agradeço
pela sopa que hoje deu.
Aquele pobre mendigo,
que recebeu, como amigo
aquele, filha, era Eu!




DEFINIÇÕES


Inezita Barroso e Glorinha Penido-
 espíritos

É terno o amor
O amor eterno
frescor no calor
fogueira no inverno - (estribilho)

Seu carinho é doce
muito mais doce que o mel
é como se ele fosse
me levar pra longe, pro céu.
Seu abraço até parece
um grande ninho de flores
sua palavra é prece
na exaltação de amores.


estribilho

x.x.x.x.x.x.x.x.x

TESOUROS- 

Poema de Henriqueta Lisboa  
melodia: Inezita Barroso e Agnelo Bretas- espíritos

Quero ser fruta macia
Doce, amarela, madura
Para saciar a fome
Dos passarinhos
Que ficam
Famintos
Sem ter um ninho.
Quero ser fonte fresquinha,
Descendo a pé da montanha
Sarando a sede
Com beijos
Aos litros,
E com fartura
Toda secura das almas.

Quero ser chuva fininha
Caindo mansa
Na horta
Fazer crescer,
Bem viçosa,
O rabanete, agrião,
Cenoura, batata doce.
Cebolinha, caridade,
Chocolate no bombom.

Quero ser sol de tardinha
Crepusculando
A toada
Com café quente na trempe
Cheiro de biscoito frito
E conversa
Na soleira.
Até dar sono
Na gente.

Quero ser plena portante
Dessa riqueza imensa
Chamada
Simplicidade.


Henriqueta Lisboa – Espírito
(Poesia recebida via mediúnica por Arael Magnus, em 22 de Novembro de 2009, em reunião reservada no Celest- Castanheiras – Sabará)

                              
canal Arael Magnus Lazarotti- Dezembro 2017- Porto Seguro- Bahia

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Celso Furtado- espírito/ Arael Magnus- canal

CELSO FURTADO- espírito





A Forma Errada de Uma Reforma Necessária

           A existência de sistemas de amparo e proteção aos trabalhadores que envelhecem e às famílias dos incapazes e mortos, no Brasil, remonta aos primórdios da Nação, sendo as "Santas Casas de Misericórdia", como a de São Vicente em 1553, o êmulo, a raiz. Assim, abrangendo aos poucos as classes, como a dos ferroviários, dos estivadores, e outras, conceituou-se como base de sustentação humanística, social, aos que chegavam ao fim da jornada laboral como às famílias privadas do chefe por morte ou invalidez. A atuação dos núcleos organizados, como os montepios, favoreceram à normatização que estruturou essa assistência.

            Indispensável que se consolide a ideia de amparo, de proteção na dificuldade, de manutenção da dignidade ao que, já prestou serviço por longos anos e precisa ser acolhido pela sociedade em sua velhice, ou ao que, por invalidez ou morte fica impedido de dar sustento aos seus dependentes. Isso, como conceito estruturante, ajuda a distinguir essa atuação, das que pretendem fazer das pensões e aposentadorias um meio de especulação, de enriquecimento, de apropriação de valores coletivos. 

             Inadiável a equalização dos valores pagos aos trabalhadores privados, dos proventos "jubilados" dos funcionários públicos. Questão de justiça, de racionalidade, e digo mais, de honestidade. A avareza, a ganância, a desproporcional pretensão de classes já privilegiadas, têm que ser barrada, sem concessões retroativas, pela vergonha e desfaçatez que representam, num país famélico e esgotado. O judiciário sobretudo, precisa se curvar diante da grande violência que é cometida contra a economia popular, acenando como um exemplo de equilíbrio e de virtuosa visão da aberração que são as aposentadorias de gigantescos valores. Inconcebível. Que se limitem a um teto como aos ditos trabalhadores comuns. E que sejam preservados os benefícios aos mais frágeis, para que sejam atendidas as primícias e fundamentos da prestação do amparo.

              A influência dos exploradores passou a enxergar nas aposentadorias e pensões nichos de "simpatia e apoio" e assim criaram-se expedientes absurdos, como os famosos "repicões" da magistratura, que transformaram o que seria um apoio, em catapultas financeiras, irreais e covardes, verdadeiros assaltos ao cofre público, sob a proteção das asas corporativas.

              Por isso, já em 86 até 88, esbravejei contra esses abusos, que poderiam ser contidos, com regulação na "Constituinte". Poucos resultados obtive. Consegui mesmo muitos desafetos, e até alguns xingamentos de lobistas e representantes do funcionalismo em geral. Os abusos são vergonhosos, vexaminosos, ridículos, e prevalecem ainda hoje.
São privilégios escrachados, incabíveis numa sociedade equilibrada, fator de aumento das desigualdades, ninhos de espertalhões, que se assentam no argumento de que "é legal", mesmo sabendo, porém, que é profundamente imoral. Uma afronta ao país que ainda nem mesmo come angu, enquanto oligarquias aristocráticas arrotam caviar e peru. O prêmio ao inativo oficial, que engloba também "golpe do paletó" precisa ser estancado.

              A igualdade de parâmetros das aposentadorias e pensões dos chamados "trabalhadores comuns" é portanto, além de uma imediata necessidade, uma questão de decência, de consciência cívica, de sensatez. Os que insistem em tentar manter essas aberrações precisam enxergar a própria sobrevivência carnal (sua e de seus parentes), ameaçada, caótica, em sério perigo. 

              A atual situação do Rio espelha uma miniatura do Brasil de daqui a pouco, (não duvidem!), se não houver mudanças estruturais, inclusive essa. Outro dia me contaram que um certo juiz recebeu mais de 500 mil, entre aposentadoria e benefícios! Outra informação mostra que mais de 30 mil aposentados barnabés recebem perto de 100 mil mensais! Inacreditável e inaceitável!

             Basta esmiuçar a etimologia da palavra "aposentadoria" para perceber qual é o seu fulcro, em qualquer lugar do mundo (civilizado). E no Brasil, principalmente, "premiar" funcionários públicos, em sua grande maioria, é um acinte, uma incoerência. Sabemos da histórica má vontade, desinteresse, da inércia, da ineficiência, da demora com que são prestados todos os encargos do Poder Público. Há muito poder, pouco serviço! E a grande maioria, depois de enrolar por 20, 30 anos recebe para o período de descanso, o mesmo ou muito mais do que percebia quando na "ativa", na maioria das vezes (reitero), indolente e mordomesca. Isso engloba os três poderes, com suas ramificações "oficiais", federais, estaduais, municipais, autárquicas e estatais, e gente que até parecia séria mostra ferocidade incomum quando o assunto é aposentadoria ou pensão! Acresça-se a isso o número milhonesco de apaniguados e apadrinhados, muitos, autênticos fantasmas, uma grande parte, sanguessuga. A equiparação pode não corrigir isso, mas pelo menos vai limitar a ação de vorazes, desonestos, simbióticos parasitários.

             Se olharmos o quadro comparativo dos gastos com a previdência comum com os gastos das pensões e aposentadorias dos funcionários públicos, percebe-se uma estratosférica e insuportável diferença. Assim, ponto passivo, a igualdade de sistemas, como diria minha neta "demorô".

            Outro aspecto que precisa ser ressaltado é a lamentável imprecisão do governo em cobrar os débitos com a Previdência, principalmente das grandes empresas, dos grandes conglomerados (como do vértice rural), dos clubes de futebol (uma tristeza!), enfim, tirar um pouco o olho das folhas de pagamentos dos assalariados e enxergar nos "amigos" milionários a obrigação deles em manter, em dia, o dinheiro (muitas vezes já recolhido) que falta pra cobrir o déficit. Estabelecer normas e limites (de preferência zerar) nos subsídios do governo às multis é razoável e digno, imediato e inquestionável.

            Pouca gente sabe (e alguns fingem desconhecer) que o ativo patrimonial da Previdência é muito grande, e juntos, os órgãos do INSS possuem valiosas e inúmeras propriedades, edifícios, terrenos, coisas e bens ociosos, deficitários e de grande valor venal. Isso precisa ser saneado, sem muitas delongas, o mais rápido que puder. Além da receita que pode ser obtida, há a redução da despesa de manutenção dos "cemitérios" desnecessários. Manter o controle, sempre, com seriedade e compromisso.

             Estruturar a previdência começa pela equalização dos sistemas de aposentadoria e pensões, mas também por impositivas e urgentes medidas internas, profiláticas, com o enxugamento da máquina, hoje cara, pesada, ineficiente, inchada. São medidas administrativas que, claro, contrariam a grandes interesses políticos dos padrinhos, mas que precisam ser adotadas. Com o advento das gulosas classes vampirescas que abarrotaram os órgãos públicos nos últimos 15 anos, torna-se imprescindível a imediata contenção e expurgo de ilegítimos beneficiários. Claro, além das indecorosas entregas de dinheiro a quem não tem direito, exige-se uma remodelação dos programas de custeios sociais, criando-se meios e plataformas, capazes de implementar o empreendedorismo, longe do parasitismo assistencialista, que vincula o vulgo miserável a uma coluna destinada a prover votos e manutenção de poder. Chega-se ao disparate de suspender o benefício das bolsas esmolas, caso o título de eleitor não esteja regular! Muito descaramento.

         O foco social, de apoio humano, de proteção ao inativo tem que prevalecer sobre o olhar de cobiça, de cupidez, e o conceito de aposentadoria tem que fugir da especulação, do flagrante corroer de verbas, que hoje prevalece, sobretudo no funcionalismo público. Sacrificar toda a população em função de benesses a alguns é covarde ação, visão desequilibrada, anticidadã atitude. E a transição não deve se furtar às ações radicais, já que a suavidade não é aconselhável, pois o bote da cobra não se fará esperar, pois é para isso que ela está sempre à espreita. 

         O aspecto do limite de idade está mal questionado. É indispensável uma visão de sustentabilidade contábil, econômica e financeira do arcabouço, sem a cronocracia injusta. Não importa se é 65 ou 70 anos, e o que tem que prevalecer é o tempo de contribuição efetiva. Que se eliminem as espertezas dos saltos nos metros finais, que aumentam em um alto percentual, as aposentadorias, e que se adote (de verdade!) a média de contribuições. Exceção se faça aos auxílios prestados aos idosos em condições de miserabilidade e aos incapacitados física ou mentalmente, bem como ás pensões aos dependentes.

            Hoje estou convencido de que a idade de melhor produtividade pessoal é a que agrega conhecimento, experiência e visão comum, coletiva, e isso, geralmente, só se consegue após os 60, 70 anos. Só os preguiçosos e especuladores querem "encostar" antes dos 65 anos. O critério de "tempo de contribuição" é portanto, o mais justo e enseja a sustentabilidade do processo. Aumentar a receita através de políticas de empregos é o melhor caminho. Quanto mais empregados formais, mais arrecadação. A complementação pelos empregadores (inclusive do dinheiro público) deve ser racional, sobretudo honesta.

            Na enjambrada canoa da furada economia nacional, o aumento das populações da proa trará inevitável naufrágio.

            Preocupa-me intensamente o foco hiper-amplificado da questão previdenciária, sua crise e suas necessidades de soluções, como se esta fosse a equação crucial no país. Temos necessidade em implementar outras reformas, como a tributária, a fiscal e o fim da escravidão quanto ao sistema bancário. É impensável imaginar solução plausível com a atual política exploradora dos juros e do ultramercado de especulativos. Com certeza é o grande "nó gordio" que atrela o Brasil à carroça das "periferias econômicas engessadas". O capital precisa estar a serviço da Nação, não o oposto, como ocorre agora. É estarrecedora e vergonhosa a atual planilha de classificação das maiores empresas lucrativas no país, onde entre as 10 maiores aparecem pelo menos 7 ou 8 bancos!!! Isso é podre, pobre e revoltante! 

             Num universo de 15 milhões de desempregados, com mais 30 milhões de trabalhadores na informalidade, com indústrias sucateadas, com sistema produtivo manietado a transações econômicas voláteis e flutuantes, sabe-se que é um rápido caminho para a autodestruição! Precisamos de "leis áureas" para abolir a "escravidão financeira" na qual os "vigaristas camuflados de salvadores" atolaram a grande população pobre, ou miserável do país.

              O que é a violência nos grandes centros brasileiros senão a filha bastarda dessa volúpia monetária, desse mercado covarde, dessa exploração descontrolada? Essa estapafúrdia situação fornece, todos os dias, milhares de soldados ao exército do crime, nascidos do desemprego, da fome, da derrota maior da dignidade humana (que é a incapacidade de levar alimento para o lar, de forma cidadã!). A criação de empregos, a redução da desigualdade através de programas como a Reforma Agrária e outras, o surgimento de políticas voltadas para a produção, com progresso coletivo e familiar, são caminhos insubstituíveis. 

              Os focos do "câncer social" gestados na miséria, na fome, no abandono, se espalham rapidamente por todo o organismo nacional. O aparelhamento do Estado tem que trazer remédios sociais, não militares, policiais ou aventureiros, (como acontece agora com o desengonçado pau-mandado que acha que invadindo a favela vai resolver o problema da criminalidade!). Meu vizinho e amigo nessa demiúrgica colônia na qual estou, Betinho de Souza, já descreveu em sua "Trégua Cidadã", uma realidade que eles insistem em desconhecer. E assim, muitas vidas serão sacrificadas, enquanto a metástase da doença da violência se consolida e se espalha, em todo o Brasil. 

              A globalização da economia capitalizada transforma nossos produtos em desvalorizadas commodities. O alimento que poderia minimizar o drama social é exportado, sem eira nem beira, com o resultado financeiro aplicado em multis e ultras. Os papéis, oficiais e clandestinos entopem os dutos por onde deveriam fluir as vagas de emprego, as oportunidades coletivas e individuais de crescimento. Hoje, só o Japão e China já importaram o equivalente à area de todo o Nordeste, com exceção da Bahia, de minério de ferro, numa espessura de 5 metros! E a soja mandada pra fora? Dá pra alimentar o mundo, além do plantio ocupar mais de 15% da melhor área agricultável do país! E tem o milho, a madeira, o trigo, enfim.... a riqueza que vai pra bolsa (de valores) e para os cofres internacionais precisa ir para o prato (de comida) da população. Repete-se a saga desumana da cana de açúcar, do café, da borracha, que em nada favorece à Nação, levando os recursos pra fora, sem agregações. Adoçam o bicos da oprimida população com  maquiagens de pretensos benefícios, como a instalação de belas cadeiras nas senzalas! 

              Esperar boa vontade dos banqueiros é perda de tempo, pois a caolha visão deles quanto aos próprios lucros, se perde no horizonte, mais e mais, sem freios, sem escrúpulos, sem limites. O atual timoneiro da economia brasileira é banqueiro de origem (aliás, foi eleito o melhor banqueiro da AL pelos próprios colegas!) e faz parte de uma linha estruturante capitalista, dentro da visão mais perversa do imperialismo selvagem, que é a linha de Massachusetts, cujo vetor mais radical é a do banco bostoniano, do qual o goiano foi presidente!(!!!) Óbvio....um vetor comprometido e incoerente!

              Assim, o desvio do foco para reformas perfunctórias, parece-me mais estratégia de aumento de "spreads" bancários do que efetiva vontade em melhorar as contas do governo. Além do mais, pode-se depreender a "sinceridade das políticas públicas", de alguém que por cinco anos definiu a linha de empréstimos (fraudulentos?) do grupo da carne podre?! Isso sem contar que são o Banco Central, o Ministério do Planejamento e BNDES, diretamente responsáveis pelos 14 milhões de desempregados formais atuais, órgãos nos quais houve a presença e direção do atual manda-chuva. Contaminados pelas recentes passagens de governos vergonhosos, os caminhos precisam ser refeitos, ainda que a propaganda oficial relate hipotéticos avanços e melhorias!

            Esse país precisa deixar de ser terreiro de secagem, celeiro de escravidão, e descobrir a sua grandeza e pujança, pelo mercado, pelas riquezas, pela beneficiada extensão territorial, e isso só se conseguirá quando assumir sua verdadeira vocação agrícola e industrial prática, com opção primeira pela mercado interno. Implantar os sistemas de beneficiamento e industrialização, aproveitando a produção e as riquezas minerais é matéria primária, de entendimento irretorquível. A Reforma Agrária já passou da hora. Mas, claro que jamais será conquistada pela presença suspeitosíssima de macro empresários da agricultura de exportação de commodities, como é o atual gestor da pasta, cheio de processos, cheio de buracos morais, que vão de compra oficial de caminhões e máquinas, ao DNIT, ao próprio beneficiamento também ao núcleo dos açougueiros das carniças. Como diria um amigo...."é muita sojeira!". Essa escolha de assessores tem sido lastimável, vergonhosa. Recorde-se um ex-ministro da saúde do (des)governo passado que também era "agente comissionado de um laboratório internacional"! Aberração!

           Desse modo, entender como panaceia, a pretensa (e necessária) reforma da previdência, é adiar processos transformadores verdadeiros. Um país que subsidia com valores bilionários mais de 20 montadoras de veículos (a França tem 3, a Itália tem 2), sangrando os cofres públicos para favorecer às transnacionais, exportando o suor e o sangue dos minguados assalariados, além de injusto é suicida. Manter o subdesenvolvimento como meta, "fazendo de conta" que está interessado em subvencionar a máquina funcionando, distancia-se da realidade de uma descontrolada corrupção e roubalheira. Situação vergonhosa, superaviltada no despautério do irresponsável pernambuquinho e sua extensa quadrilha, que ainda acha que é normal... roubar!

            Entregar a um Congresso apodrecido, onde se contam nos dedos os livres de delitos, essas reformas (repito: necessárias, vitais e já atrasadas) sem uma complementação de medidas estruturantes gerais, é temerário, e o pior, de inócuos efeitos, juridicamente questionável, socialmente manco. Negociar com corruptos uma medida tão necessária não deveria ser o caminho para a melhora do país. Num sistema bicameral limpo, isento, saudável, a iniciativa caberia ao próprio Congresso. Mas... abre-se uma brechinha pra negociar... lamentável!

            Junto à tributária, à fiscal, à trabalhista, devem vir a agrária, a econômica (com a desfinanceirização das contas públicas), as autênticas reformas sociais que desvinculem o Estado da intromissão e ingerência do sistema neoliberalista multinacional, tirando também, os bodes do controle das hortas.

            O processo do desenvolvimento tecnológico ainda é muito dependente das forças estrangeiras, mas, há uma evolução interessante com a presença cada vez mais intensa do sistema integrativo da internet, que com sua economia virtual pode acelerar uma pulverização do controle do mercado multinacional. Isso vai enfraquecer o capitalismo escravizante, mas só nos países onde o Estado se fizer forte. Assim, os projetos privativistas se tornam inviáveis e devem ser combatidos, controlados e evitados, e só autorizados em concordâncias racionais. Não existirá Nação se o Estado não controlar os fluxos de capitais, patrimônios naturais, a socialização dos serviços essenciais, e a gestão mercantil dos bens e produtos. Certo é conter os desperdícios e aplicações erradas, mas sem perder o domínio do leme, pois caso contrário a direção será monitorada por controles remotos, desastrosos e insuportáveis. Abusum non tolitur usum.

             Desse modo, toda e qualquer reforma estrutural precisa ser acompanhada de medidas suplementares, a fim de que seus efeitos sejam distribuídos à sociedade como um todo, sem o risco de aumento do domínio das elites, oligarquias e classes exploradoras, hoje já muito intenso. Lembro-me de minha Pombal, quando, ao se construir um galinheiro, dava-se a mesma importância aos pintainhos, como ao milho da ração, bem como a colocação indispensável das telas defensivas, para afugentar as raposas e gambás, que atacavam, caso as cercas não fossem eficientes. Todos sabiam que sem esse cuidado, não teríamos o franguinho nos domingos. Nosso galinheiro "Brasil" não tem cerca... e como tem gambás e raposas!

            Importante acentuar, enfim, que a REFORMA ÉTICA E MORAL se faz mais urgente do que todas as outras, visto a decisiva e indispensável participação das mentes e elites esclarecidas nos postos de comando, sem esses vergonhosos quadros de escândalos e descaminhos. Assim, que haja empenho (intenso e perseverante!) para a presença de uma nova mentalidade pública e política, numa oxigenação indispensável dos escolhidos postulantes, sem a viciada direção dos atuais ocupantes do poder e cargos. Estou convencido de que hoje não aponto um indivíduo sequer, nos atuais quadros, que tenha o perfil de independência e honradez, que merecesse o meu apoio, se pudesse dá-lo. Como estamos perto do Natal, meu pedido ao Papai Noel é o de que nos envie pelo menos a inspiração para que a população tenha uma opção digna, no próximo ano. 

           O mundo globalizou a manifestação das mudanças estruturais, como temos visto nas últimas eleições dos países desenvolvidos. Esse é um "consumo cultural" que precisamos importar, sem adiamento.

          Criar uma situação de euforia com abstratos números estatísticos de quedas de inflação e redução de juros é uma fantasia, mera sessão de "fogos de artifício", que agrada de momento, mas que é sucedida por enorme decepção e descrença. A transferência de valores para cobrir os rombos da corrupção, como na Petrobrás, através do aumento da gasolina (hiperinflada com impostos mil) é assinatura clássica da economia atual, voraz e covarde. Da mesma maneira penalizar às classes mais pobres com o inaceitável aumento do gás de cozinha mostra a perversidade de uma visão escravagista, numa economia covarde, sob o guante dos que querem manter a grande massa, agrilhoada ao pelourinho da desigualdade e sofrimento.
Obrigado


Celso Monteiro Furtado- espírito

Mensagem psicofônica recebida pelo canal Arael Magnus
em 19 de dezembro de 2017 no Ceuld- Porto Seguro- Bahia
Transcrição de Estevão Silva Morais
Revisão de Francisca Jerome Avignon 

fundoamor@hotmail.com